Em três partidas, a Espanha mostrou que disputará mais uma Copa do Mundo tentando impor o seu estilo de jogo de muita posse de bola. Contra o Marrocos, a pelota ficou em pés espanhóis em três quartos da partida. No entanto, no outro quarto, os africanos foram muito perigosos. Puxaram contra-ataques em velocidade, saíram na cara de De Gea, acertaram o travessão e fizeram os dois gols do empate por 2 a 2. Em três partidas, a Espanha foi vazada cinco vezes. 

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Na Copa do Mundo de 2010, a Espanha ganhou todos os seus jogos por um gol de diferença, menos a segunda rodada contra Honduras, mas sofreu apenas dois: um da Suíça e outro do Chile, ainda na fase de grupos. Seu toque de bola, menos agressivo que o do Barcelona ou das equipes de Guardiola, a protege: quando precisa segurar o resultado, não recua, mas toca de lado e deixa o tempo passar. Quando eventualmente perde a bola, a pressão é imediata para tentar recuperá-la, antes que o contra-ataque seja armado. 

Isso porque a Espanha atua com a linha defensiva muito próxima do meio-campo. E seus zagueiros participam do começo das jogadas ofensivas. Contra o Irã, Sergio Ramos foi praticamente um meia-esquerda, compartilhando o gramado com Iniesta. Diante de Marrocos, ele e Piqué atuaram entre o fim da intermediária e a intermediária ofensiva. Logo, o adversário tem muitos metros para lançar a bola e deixar os adversários cara a cara com o goleiro. O último recurso é a recuperação dos zagueiros, correndo atrás dos atacantes. 

Alguns desses conceitos falharam na fase de grupos da Espanha. Portugal marcou os seus gols na genialidade de Cristiano Ronaldo, um pênalti logo no começo, uma falha do goleiro De Gea e uma cobrança de falta perfeita. No entanto, o Irã bagunçou demais a defesa espanhola. Depois do único gol da partida, marcado por Diego Costa, esperava-se que a Espanha controlasse a bola e não desse chances para os iranianos. Quatro das sete finalizações dos asiáticos surgiram nos 30 minutos finais. 

Contra Marrocos, a defesa foi mais uma vez muito frágil. O primeiro gol surgiu em uma pane dupla, um raro erro técnico de Iniesta e uma hesitação de Sergio Ramos. Mesmo assim, Khalid Boutaib correu o campo inteiro, sem que ninguém da defesa conseguisse alcançá-lo. Ainda no primeiro tempo, Boutaib teve a oportunidade de realizar outra arrancada em direção à área de De Gea. Sorte da Espanha que calculou mal a condução da bola e finalizou quando o goleiro do Manchester United já havia fechado o ângulo. “Temos que ter a capacidade de autocrítica, temos que ser autoexigentes. Não podemos conceder tantas chances”, disse o técnico Fernando Hierro, segundo a EFE, depois da partida.

Sergio Ramos e Piqué são ótimos zagueiros, há anos entre os melhores do mundo. Mas também já passaram dos 30 anos, quando naturalmente a velocidade diminui. Além disso, enquanto o jogador do Real Madrid segue em grande forma, a fase do defensor do Barcelona já foi melhor. Qual seria a alternativa? Azpilicueta, talvez, um jogador que já atuou bastante nas laterais e consegue fazer essa recomposição com mais rapidez. Mas, para fazer isso, Hierro teria que comprar a briga de barrar um dos líderes do elenco: Piqué ou Sergio Ramos. Vale a pena? A Espanha classificou-se, mas tem problemas. A defesa é o maior deles.