Guia publicado originalmente no Espreme a Laranja
2014. A Copa do Mundo estava recém-terminada, e a seleção da Holanda merecia muitos elogios, pelo terceiro lugar surpreendente e elogiável que conseguira no Brasil. Mais positivo ainda era o fato de que a Laranja mostrara uma equipe cheia de jogadores novos, capazes de brilharem em centros maiores do futebol europeu. Um dos principais novatos era Daley Blind, do Ajax, cuja polivalência rendera boas atuações, na lateral esquerda e no meio-campo, tornando-o um dos mais elogiados futebolistas vistos naquela Copa – e justificando, aparentemente, a transferência para o Manchester United, logo após o torneio, por 17,5 milhões. Mesmo sem ter muitas chances naquele Mundial (jogou 75 minutos contra a Argentina, na semifinal, e só foi titular na decisão do terceiro lugar contra o Brasil porque Wesley Sneijder se machucou no aquecimento), Jordy Clasie era figura de destaque no Feyenoord vice-campeão holandês em 2013/14. Ficou no Stadionclub mais um ano, e quando enfim tomou o rumo do Southampton, em 2015, parecia destinado a ter uma carreira elogiável.
2018. A Laranja passou longe da Copa do Mundo, como já passara longe da Euro 2016. Há certo tempo não tem um craque impressionando o mundo – o único que ainda atua em alto nível, Arjen Robben, já se encaminha para o fim da carreira, por mais que continue importante para o Bayern de Munique aos 34 anos. Mesmo que boa parte daqueles jogadores novatos em 2014 ainda siga nas convocações de Ronald Koeman feita para a seleção, poucos deles emplacaram em alto nível. E os dois supracitados simbolizam, de certa forma, essa depressão que o futebol holandês vive atualmente (mascarada pela boa campanha em 2014). Blind teve importância no Manchester United, mas não conseguiu se impor como um titular indiscutível nos Diabos Vermelhos – e tão logo o Ajax se interessou, preferiu voltar ao clube em que surgiu para o futebol. Clasie foi ainda pior: não se sobressaiu no Southampton, foi discreto no empréstimo ao Club Brugge, na temporada 2017/18, e seguiu sem espaço nos Saints. Restou aceitar outra cessão por uma temporada, justamente ao Feyenoord em que apareceu.
De volta à Holanda, Blind e Clasie mostram o recomeço por que o futebol holandês sempre precisa passar, temporada após temporada, na esperança de melhorar e dar outro salto. Às vezes, a esperança ganha impulso, como no 2016/17 em que o Ajax alcançou a final da Liga Europa. Mas na maioria das vezes, ela leva duros golpes já quando a temporada começa: foi assim na temporada passada, quando PSV e Ajax ficaram fora das competições europeias ainda nas fases preliminares (sem contar a desesperançada apresentação do Feyenoord na Liga dos Campeões). Não impressiona que a vaga direta na Champions League tenha sido, enfim, perdida. Nem que já haja vexames em 2018/19, como a queda do AZ para o Kairat, do Cazaquistão, na segunda fase preliminar da Liga Europa, e a virtual eliminação do Feyenoord para o Trencín eslovaco, na terceira fase preliminar do mesmo torneio.
No entanto, mesmo em meio à apatia, há ousadias. É o caso do Ajax, que investiu em contratações como não fazia há muito tempo, para tentar voltar a ser campeão de qualquer coisa após quatro anos (e para fazer uma campanha elogiável nas competições europeias, após o passageiro ânimo em 2017). Também é o caso do PSV, que aposta na sua solidez para superar os play-offs e alcançar a fase de grupos da Champions League. São os dois principais favoritos ao título, como sempre. E são os símbolos da vez para que o futebol holandês reaja após as decepções – e para que os jovens jogadores que surjam tenham mais estímulo para o sucesso do que a queda livre simbolizada no retorno de Clasie e Blind.
Confira a apresentação de cada um dos times do Campeonato Holandês
 
ADO Den Haag
Ajax
AZ
De Graafschap
Emmen
Excelsior
Feyenoord
Fortuna Sittard
Groningen
Heerenveen
Heracles Almelo
NAC Breda
PSV
Utrecht
Vitesse
VVV-Venlo
Willem II
Zwolle