Por Nathalia Perez

Santiago Bernabéu, Wembley, Allianz Arena, Estádio da Luz, Olímpico de Berlim, San Siro. Estes são os últimos palcos da decisão da Champions League de 2010 para cá. Todos são estádios renomados e já haviam servido como cenário para grandes e numerosas histórias do futebol europeu antes de terem sido apontados como sede da finalíssima. E é isso que os difere do Estádio Millennium, onde Juventus e Real Madrid medirão forças para ver quem fica com a Orelhuda desta temporada. Embora seja moderno, muito bem estruturado e tenha uma abrangente capacidade, o estádio localizado em Cardiff é majoritariamente usado para jogos de rúgbi.

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A partir de 2011, o esporte bretão começou a perder um tremendo espaço no estádio, onde, antes disso, costumava acontecer diversas partidas da seleção do País de Gales, e já recebeu até finais da Copa da Inglaterra, Supercopa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa. Ainda que de seis anos para cá a frequência dos jogos da seleção galesa no Millennium tenha diminuído, uma vez que eles começaram a acontecer no Estádio Cardiff City, onde acontece a final da Champions feminina este ano, o local nunca teve sua tradição voltada pra o futebol. Isso porque ele foi criado, na verdade, para receber a Copa do Mundo de Rúgbi de 1999, e hoje é representativamente considerado a catedral do esporte no país.

Foi em 2000 que o País de Gales jogou com sua seleção de futebol lá pela primeira vez, mais de um ano depois de sua inauguração. A partida foi contra a Finlândia e bateu recorde de público, levando uma multidão de 66 mil pessoas às tribunas. A partir de então, os jogos oficiais da seleção galesa começaram a ser mandados no Millennium, enquanto o Cardiff City recebia mais os amistosos. Durante o período em que Wembley passou por restauração para ser como é hoje, de 2001 a 2007, o maior estádio da capital de Gales foi palco de finais do futebol inglês, da FA Cup, da Copa da Liga e da Supercopa. Foi uma troca de favores: enquanto o Millenium estava em reforma, os jogos de rúgbi que aconteceriam nele, nacionais e internacionais, foram disputados em Wembley.

O Liverpool foi o primeiro time a ser campeão da FA Cup no Millennium, em 2001. Bateu o Arsenal por 2 a 1 na finalíssima com dois gols de Michael Owen, sendo um bem ao final do jogo, e levantou a taça pela sexta vez. Pode-se dizer que os Reds conhecem bem o estádio, porque na temporada 2005/06 eles voltaram a ser bem-sucedidos lá, quando derrotaram o West Ham nas penalidades máximas. Mas não há ingleses que conheçam melhor o Millennium do que os Gunners. Foram quatro finais de Copa da Inglaterra pleiteadas em Cardiff em seis anos, e três troféus (2002, 2003 e 2005) lá garantidos.

O estádio suporta até 74,5 mil espectadores e é o segundo maior do mundo com uma cobertura retrátil que demora 20 minutos para se abrir e 20 minutos para se fechar por completo. Aliás, não é só o teto que pode ser retraído. O gramado, assim como na Amsterdam Arena, também é retirável, o que evita seu dano em eventos que não são propriamente esportivos. As portas do Millennium foram abertas há 18 anos, depois de ter sido construído por 121 milhões de libras (equivalente a R$ 500 milhões)

Poucos tempo após sua inauguração, o estádio já foi classificado pela Uefa com cinco estrelas, o que confere a ele um excelente status dentro do Reino Unido, já que é um dos apenas cinco campos britânicos que têm essa qualificação. Isso, inclusive, possibilitou que a Federação Galesa de Futebol apresentasse candidatura à Uefa para que o Principality (como também é chamado por questões de patrocínio) fosse palco da final da Champions League de 2003, jogada entre Juventus e Milan e faturada pelos rossoneri. No entanto, a partida acabou acontecendo na Inglaterra, no Old Trafford.

Desta vez, porém, o Millennium, que é a catedral do rúgbi dentro de um país que vê o esporte quase que como religião, foi escolhido para recepcionar a finalíssima. E não será a primeira vez que receberá um acontecimento esportivo gigante. Os olhos do mundo estiveram voltados para o Principality em 2012 quando algumas partidas de futebol válidas pelos Jogos Olímpicos de Londres ocorreram no estádio. O Brasil, aliás, atuou com seus times masculino e feminino lá durante a fase de grupos. As quartas de final de ambas as modalidades também aconteceram em Cardiff, bem como a disputa pelo bronze masculino.

Mais recentemente, na Copa do Mundo de Rúgbi de 2015, França, Irlanda, Argentina, Gales, Uruguai, Fiji, Austrália e a campeã Nova Zelândia também jogaram lá. No entanto, o ponto alto da história do esporte no país foi a disputa da decisão do torneio mundial de 1999, diante de uma nação apaixonada pelo jogo, o mais popular entre os galeses. Tanto é que a Enciclopédia de Gales, publicada em 2008, define o rúgbi como um esporte que “é visto por muitos como um símbolo da identidade galesa e uma expressão da consciência nacional”.