Por mais de quatro décadas, o Torino fez sua morada no Stadio Filadelfia, e lá viveu sua inesquecível epopeia graças à sua equipe vitoriosa que marcou a história do clube e o futebol mundial, o Grande Torino. Logo após a tragédia de Superga, em 1949, o então presidente granata, Ferrucio Novo, acabou tendo que entregar o estádio à Federação Italiana de Futebol. Foram mais de 40 anos resistindo a bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, problemas habitacionais e ao vazio que ficou com a morte dos mais importantes protagonistas que pisaram naquele palco. Até que este ano, mais precisamente nesta quarta-feira, o Filadelfia foi reinaugurado. O projeto idealizado pelo atual dono do Toro lá em 2015 foi consolidado, e, após 81 anos desde que foi fechado e quase 20 desde que foi demolido, o estádio foi reerguido para as equipes de base do Torino e para acomodar um museu sobre a história do clube.

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“Nós iremos construir o futuro neste estádio com base em nosso lendário passado”. Estas foram palavras usadas pelo presidente Urbano Cairo na abertura do novo Filadelfia. Antes de sair do papel e darem início às obras há dois anos, o projeto da reconstrução do estádio era uma promessa quase que anual aos torcedores, mas nunca passava de discursos, e quando sim, o plano andava para trás antes mesmo do início de sua execução. O Torino deixou definitivamente seu antigo lar na temporada 1962/63. De lá para cá, viveu um grande momento – o título de 1975/76 – e muitas baixas e momentos de debilidade em campo e fora dele, com os dez rebaixamentos à Serie B e a falência decretada em 2005. A esperança é de que a restauração do Filadelfia traga toda a sorte e o êxito que o clube costumava ter no estádio em seu estado antigo, embora ele não tenha sido reerguido para a equipe principal disputar seus jogos.

É lá onde os times da academia do Toro irão treinar e se preparar para o futuro. Os jogadores profissionais e que jogam a Serie A também usarão o estádio como centro de treinamento, mas com uma frequência menor do que os garotos da base. A intenção do Toro foi fazer renascer o local onde se tornou pioneiro e referência dentro da Itália no quesito formação de atletas e dar prosseguimento a isso no presente com o mesmo êxito do passado. Além disso, o plano também visava dar espaço ao museu que foi inaugurado juntamente às instalações exteriores do Filadelfia. Nele, os jogadores que foram vítimas da tragédia de Superga foram imortalizados e sempre serão lembrados e homenageados a cada visita. Em suma, a ideia do resgate ao estádio era justamente resgatar o passado. Tudo no novo Filadelfia remete ao período áureo do clube, desde o design até os elementos nele presentes.

A festa de inauguração do estádio contou com o elenco principal granata, o técnico Sinisa Mihajlovic, os membros da diretoria, o presidente, outros convidados e torcedores, que não poderão ser tão numerosos assim quando forem ocupar a arquibancada do novo Filadelfia (sua capacidade é de 4 mil pessoas). Foi, aliás, com a ajuda de fieis torcedores do Toro que o projeto pôde sair do papel em 2015. Parte do custo de € 8 milhões da obra saiu do bolso de dez mil torinenses que quiseram contribuir em um crowdfunding para construir novamente a estrutura demolida em 1998. As outras partes do gasto foram divididas entre o clube e a prefeitura de Turim.


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