O Campeonato Brasileiro não tinha um goleiro balançando as redes em uma cobrança de falta desde 2014. Naquela ocasião, Rogério Ceni bateu no capricho para superar Marcelo Lomba e ajudar na vitória do São Paulo por 2 a 1 sobre o Bahia, no Morumbi. Pois o fim da espera aconteceu graças a um pupilo do ídolo tricolor. Éverson jogou na base são-paulina e trabalhou com o veterano no início de sua carreira. A inspiração é explícita, especialmente no número 01 usado em sua camisa. E depois de algumas boas tentativas nas últimas rodadas do Brasileirão, o arqueiro acertou o pé no Castelão. Um chute no canto de Walter abriu a vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians, mais uma na boa sequência do Vozão – e que teria consequências maiores no ambiente dos paulistas, com a saída do técnico Osmar Loss.

Antes de Éverson, outros 11 goleiros balançaram as redes no Campeonato Brasileiro, sendo três cobrando falta. O pioneiro foi argentino Ortiz, do Atlético Mineiro, que converteu dois pênaltis no Brasileirão de 1976. Anotou pela primeira vez em goleada sobre o CRB no Mineirão e, dias depois, repetiria a dose contra o Vasco no Maracanã. Em 1979, quem surgiu como goleiro-artilheiro foi Serginho, do Vila Nova, cobrando penal contra o Fluminense. Pois a espera por um novo gol de goleiro na primeira divisão durou 17 anos. Régis era ídolo do Paraná e reconhecido justamente por frustrar os adversários na marca da cal. Em 1996, converteu sua cobrança na vitória dos paranistas sobre o Santos por 3 a 0.

O primeiro gol de Rogério Ceni pelo Campeonato Brasileiro, enfim, aconteceu em setembro de 1997 – o segundo de sua carreira, sete meses depois de abrir a contagem com o famoso tento diante do União São João. O são-paulino inaugurou o placar contra o Botafogo graças a uma cobrança de falta fabulosa, mandando a bola na gaveta do adorado Wagner. O duelo no Morumbi terminaria com o empate por 2 a 2. O mito tricolor acumulou 65 gols na Série A, sendo 26 desses em cobranças de falta. Exceção feita às edições de 1998 e 2001, o artilheiro balançou as redes em todas as temporadas da primeira divisão até 2015.

Enquanto Ceni fazia história, outros tantos goleiros surgiram para balançar as redes. Márcio foi outro especialista nas bolas paradas e assinalou oito gols com a camisa do Atlético Goianiense a partir de 2010, um deles cobrando falta. Viáfara também brincou além de sua área e marcou três tentos pelo Vitória em 2010, todos em penalidades. Foram ainda dois de Bruno pelo Flamengo, sendo um de falta, e um de Saja, cobrando pênalti ao Grêmio em 2007. Já em 2017, quem se especializou na arte foi Wilson. Além de acumular milagres na meta do Coritiba, o veterano fez dois na marca da cal.

E há dois casos curiosos de goleiros que balançaram as redes em lances de bola rolando, indo à área adversária. O primeiro foi Eduardo, que marcou de cabeça para o Atlético Mineiro contra o Juventude em julho de 2003, definindo a vitória por 2 a 1 nos acréscimos do segundo tempo. Já em agosto, seria a vez de Lauro arrancar um empate agônico para a Ponte Preta no duelo contra o Flamengo. O mesmo Lauro que voltaria a cabecear contra as redes rubro-negras dez anos e quatro dias depois, desta vez vestindo as cores da Portuguesa, em empate que não evitou o rebaixamento dos paulistanos.

Abaixo, relembramos 11 destes gols de goleiro no Brasileirão – um por arqueiro. O de Serginho fica de fora por não estar disponível no YouTube. Confira:

Rogério Ceni (65 gols)

Márcio (8 gols)

Viáfara (3 gols)

Bruno (2 gols)

Lauro (2 gols)

Ortiz (2 gols)

Wilson (2 gols)

Eduardo (1 gol)

Régis (1 gol)

Saja (1 gol)

Éverson (1 gol)