Nunca é fácil dizer adeus, mas Fernando Torres encontrou uma maneira. Neste domingo, o atacante disputou a última partida da sua carreira com as cores que aprendeu a amar quando era criança, o vermelho e branco que nortearam a sua vida desde os primeiros passos. El Niño, hoje lenda, marcou duas vezes no empate do Atlético de Madrid por 2 a 2 contra o Eibar, na última rodada do Campeonato Espanhol, e comemorou o segundo gol em um gesto mais do que simbólico. Correu em direção à arquibancada e se misturou aos seus novos companheiros. Não pertence mais ao time de futebol. Agora, é novamente apenas um torcedor colchonero, como aqueles que abraçou. 

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Torres, 34 anos, deve seguir carreira em outro lugar, talvez na Major League Soccer ou na China, mas seu coração sempre estará ligado ao Atlético de Madrid. Surgiu no clube, desenvolveu-se no clube e encontrou nele um porto seguro para retornar no pior momento da carreira. Conseguiu ser útil novamente para o Atlético de Madrid e, na última quarta-feira, conquistou a Liga Europa, o único título da sua vida pelos colchoneros. Parte de consciência limpa e alma leve. 

O dia foi de homenagens e despedidas. Torres usou a braçadeira de capitão e iniciou a partida. Em um contra-ataque, foi premiado por Ángel Correa, que, em vez de chutar, tocou para o atacante empurrar a bola às redes vazias. Foi o gol de empate, no fim do primeiro tempo. Torres virou o jogo com um gol memorável. Não porque foi especialmente bonito ou impactante, mas porque foi construído com as características que o tornaram um dos melhores atacantes do mundo e que há tanto tempo o deixaram. Um gol vintage, como os que fazia no auge da carreira. Recebeu o passe de Diego Costa nas costas da defesa, superou os adversários na velocidade, passou pelo goleiro e finalizou. 

O primeiro gol foi comemorado deslizando de joelhos à frente da torcida, beijando o escudo do Atlético de Madrid. No segundo, partiu em direção às arquibancadas para receber o abraço e o carinho de todos aqueles que sonham em ser Fernando Torres: um apaixonado pelo Atlético de Madrid que teve a chance de se tornar uma lenda do clube. 

 

Ao fim do jogo, a homenagem oficial. Torres passou pelo corredor de honra formado pelos companheiros, assistiu a um vídeo no telão e recebeu uma placa. Foi o momento em que a lenda voltou a ser um Niño. Torres chorou, simplesmente porque não dava para evitar. 

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