A Serie A decidiu padronizar suas braçadeiras de capitão na temporada. As faixas usam o símbolo do campeonato e as cores da Itália, numa suposta intenção de facilitar a visualização. Até aí, tudo bem, nada inédito em outras competições pelo mundo. O problema é que a organização da liga não consultou os clubes ou os jogadores para fazer essa imposição. E as rebeliões começaram desde a primeira rodada, com capitães se recusando a usar a nova faixa. Resultado: ameaças de multas. Algo que chegou ao cúmulo de quererem punir a Fiorentina por uma homenagem ao falecido capitão Davide Astori.

Não é apenas a Viola que se contrapôs à determinação da Serie A. Famoso por suas braçadeiras coloridas e com dezenas de referências, da família à cultura pop, Papu Gómez foi o primeiro a se negar, em jogo da Fiorentina. Em suas redes sociais, não escondeu o incômodo e declarou que os jogadores hoje “representam menos e menos”. O mesmo aconteceu com Daniele De Rossi, referência romanista que não botou a faixa com detalhes em azul e branco, as cores dos rivais – pelo contrário, usou uma com o trecho de um cântico dos torcedores giallorossi. Na primeira avaliação sobre os casos, o júri esportivo da Serie A absolveu ambos e considerou que não havia razões para aplicar multa, baseando-se no regulamento. Ainda assim, a organização do torneio insistiu e a ameaça mais recente foi para a Fiorentina. Na terça-feira, a Lega Serie A reiterou que tentará punir aqueles que desrespeitarem a orientação.

A braçadeira foi usada por Germán Pezzella, novo capitão da Viola. O argentino trazia uma faixa com as iniciais de Davide Astori e o número 13, além de escudos representando a cidade de Florença. A Serie A, no entanto, não teve sensibilidade e denunciou. Segundo nota publicada pelo jornal Corriere Fiorentino neste sábado, o presidente violeta precisou entrar em contato com superiores para receber a garantia de que não haveria qualquer punição. Já o lateral Cristiano Biraghi, convocado à seleção italiana, reiterou a posição dos atletas: “A braçadeira nos representa e isso nunca deveria ser colocado sob discussão. Se a liga julga que deve nos punir, então iremos pagar a multa”.

Por enquanto, o júri esportivo da Serie A deve garantir que a regra não renda penas. Entretanto, na próxima reunião de clubes da Serie A, o assunto deverá ser posto na mesa. A ver como será a postura dos presidentes das agremiações diante do tema. O problema não é criar algo novo, e sim impor, o que explica a revolta dos capitães.