O Manchester United parece que se impôs um desafio. Será que o time conseguiria virar um jogo depois de tomar três gols do Brighton, mesmo atuando fora de casa? Porque foi exatamente o que aconteceu. Um primeiro tempo que o Manchester United foi para o vestiário tomando de 3 a 1, em uma atuação muito ruim. Um jogo horroroso do time que é, ainda hoje, o maior campeão inglês. Uma descrição tão honrosa como essa não combina com o futebol apresentado pelo time. Foi horroroso. Um gol no segundo tempo diminuiu o placar final para 3 a 2, mas o Manchester United mereceu a derrota. Foi mal em todos os sentidos em campo, até em termos de correr. Foi um time que correu muito menos que o adversário.

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José Mourinho levou a campo um time levemente modificado em relação ao primeiro jogo. O Manchester United não teve Alexis Sánchez, que ficou em Manchester, machucado. Anthony Martial e Juan Mata foram titulares. E foram muito mal. Assim como o brasileiro Andreas Pereira e também Fred, dois convocados por Tite para amistosos do Brasil.

A defesa do time de Manchester falhou demais para uma equipe que é normalmente boa defensivamente. A primeira chance foi do United, com Lukaku. O atacante belga recebeu de Pogba, mas finalizou para fora. Depois de 20 minutos equilibrados, o Brighton arrancou um belo gol. Solly March cruzou da esquerda e Glenn Murray desviou com categoria para marcar 1 a 0, aos 25 minutos.

Dois minutos depois, ainda aproveitando o caos defensivo dos visitantes, o Brighton ampliou. Depois de escanteio, a bola foi mal afastada pela defesa do Manchester United e, depois de um bate e rebate na área, a bola sobrou para Shane Duffy, com uma liberdade pouco usual em uma defesa normalmente muito fechada como a do Manchester United, ainda mais em um escanteio. Ele tocou no canto e marcou 2 a 0, aos 27 minutos.

O Manchester United descontou em um escanteio. A bola passou por todo mundo, sobrou para Luke Shaw na esquerda e ele jogou de volta para a área. Lukaku aproveitou para tocar de cabeça e marcar, diminuindo para 2 a 1. Era a deixa para o United crescer, mostrar a sua força e tentar o empate ainda no primeiro tempo. Aconteceu justamente o contrário. O time da casa foi quem melhorou, passou a dominar um pouco mais a bola, acalmou o jogo e chegou ao terceiro gol.

Em uma saída de bola errada, Fred recebeu uma bola na fogueira, perdeu e o Brighton contra-atacou firmemente. Pascal Gross recebeu a bola dentro da área e foi derrubado por um carrinho de Eric Bailly. O árbitro marcou o pênalti, cobrado pelo próprio Gross: 3 a 1 no Amex Stadium e uma montanha para o Manchester United subir para a segunda etapa.

Como era de se esperar, o Manchester United voltou melhor para o segundo tempo. Mas isso não era difícil, já que o time não jogou nada no primeiro tempo. O que se viu no segundo foi mais abafa. O time já voltou diferente do intervalo, com as saídas de Andreas Pereira e Juan Mata e as entradas de Jesse lingard e Marcus Rashford. Com 15 minutos, o técnico José Mourinho já lançou a sua arma tradicional: Marouane Fellaini. Ele entrou no lugar de um apagado Anthony Martial.

O futebol do time melhorou pouco, mas ao menos ficou mais no campo de ataque. Aproveitou o cansaço do Brighton para pressionar e criou algumas chances. Pogba, por exemplo, acertou um belo chute de fora da área, mas o goleiro Matt Ryan fez a defesa no canto e jogou para escanteio. O time não tinha nenhuma ideia em campo: era basicamente tentar jogar a bola na área e buscar um gol na loucura.

Foi só aos 48 minutos que saiu o gol, que serviu apenas de consolo. Em um dos lançamentos para Fellaini, ele foi dominar e foi derrubado por Duffy. Pogba cobrou com categoria, marcou o segundo gol, e diminuiu o placar para 3 a 2. Era tarde. O árbitro só esperou mais um lance antes de encerrar o jogo com a vitória do time da casa.

O que mais impressiona é que o time não deu azar. Faltou mesmo competência e um time como o do Manchester United contra um como o Brighton, que lutará contra o rebaixamento, em tese, não pode atuar tão mal. Nenhuma das alterações feitas pelo técnico José Mourinho melhorou o time, em termos de futebol. Foi o mesmo futebol ruim, tosco e pobre que se viu ao longo de todo o jogo.

Para um time que mira no alto, e o Manchester United precisa mirar, é algo para ligar o alerta. Nenhum desfalque é desculpa para um futebol tão horroroso e, mais do que isso, sem ideias. Um time sem ideias é muito difícil de conseguir resultados, mesmo com individualidades de ótimo nível como é o caso da equipe de Old Trafford.

A comparação com o Manchester City torna as coisas muito mais cruéis. Os rivais venceram o Arsenal na abertura, fora de casa, e atropelaram o Huddersfield em casa no segundo jogo. O United venceu o Leicester em casa, mas o jogo com o Brighton foi de um nível muito baixo. É mais do que o resultado, que é evidentemente ruim. O que mais impressionou foi o desempenho, que foi individualmente ruim, mas coletivamente foi nulo. Um bando correndo atrás da bola. O que é, claro, atribuição do técnico para melhorar, resolver e não deixar que aconteça de novo. Há motivos para se criticar José Mourinho e ele terá que resolver isso para os próximos jogos. Com um nível tão baixo, será difícil vencer qualquer jogo.