A maioria dos campeonatos estaduais do Brasil terminou no último fim de semana. Equipes ao redor do país comemoram suas conquistas na segunda-feira da ressaca, cada uma com a sua história e importância. Givanildo de Oliveira venceu novamente, o Cuiabá foi campeão invicto, e três clubes conseguiram quebrar jejuns longos nos seus torneios regionais. A seguir, destacamos seis histórias dos mais recentes campeões estaduais brasileiros.

LEIA MAIS: Este gol do Serra campeão capixaba teve livre inspiração em Zidane

Ano sim, ano não, Givanildo é campeão

Givanildo de Oliveira

Givanildo de Oliveira venceu novamente. Com 35 anos de carreira e agora 17 títulos estaduais, dá para dizer que, ano sim, ano não, Givanildo é campeão. A última conquista veio com o Remo, repetindo o feito de 1993, e contra o Paysandu, pelo qual ganhou cinco troféus do Campeonato Paraense. Aos 69 anos, não dá sinais de querer se aposentar e apenas acrescenta prateleiras ao seu armário de condecorações. Foi a terceira conquista seguida: América Mineiro (2016), Ceará (2017) e agora o Remo (2018).

O Remo teve a melhor campanha da primeira fase – 22 pontos no seu grupo, contra 20 do Paysandu no dele – e duas vitórias contra o grande rival. E também foi soberano na decisão. Ganhou ambas as partidas, o que significa que encerra o Paraense com triunfo nos quatro Re-Pa do ano. A partida derradeira foi vencida por 1 a 0, gol de Isac, cobrando pênalti, aos 26 minutos do primeiro tempo.

Comemorando seu 45º título paraense da história, o primeiro desde 2015, as atenções do Remo agora se voltam à terceira divisão. E Givanildo já avisou: precisa de reforços para se candidatar ao acesso à Série B.

Rei Arthur

Arthur foi o artilheiro do Ceará na conquista do estadual (Foto: Divulgação)

A final do Campeonato Cearense colocou frente a frente os dois artilheiros do Brasil. Arthur igualou os 16 gols de Gustavo, do Fortaleza, ao marcar duas vezes na vitória do Ceará, por 2 a 1, no jogo de ida da decisão. O jovem de 19 anos, cujo salário é de dois salários mínimos por mês, não deixou sua marca na partida de volta, mas participou dos dois tentos da segunda vitória do Vovô por 2 a 1 sobre a equipe de Rogério Ceni. Na comemoração do título, foi coroado pela torcida: o Rei Arthur do Castelão.

Escapou de Rogério Ceni a possibilidade de conquistar seu primeiro troféu como treinador, mas a equipe deu bons sinais para a disputa da Série B. O Ceará, bicampeão cearense, prepara-se para jogar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, e certamente uma das prioridades é manter a sua revelação pelo menos até o final do ano.

Esses regulamentos…

O Figueirense foi campeão catarinense (Foto: Divulgação)

Não é uma injustiça quando o regulamento é conhecido e assinado por todos e não muda durante a competição. Mas é cruel. A Chapecoense foi a melhor equipe da primeira fase do Campeonato Catarinense. Liderou com 41 pontos, cinco a mais que o segundo clocado, 12 vitórias, cinco empates e uma derrota, após 18 rodadas. E perdeu o título em 90 minutos contra o Figueirense. Gustavo Ferrareis abriu o placar no primeiro tempo, com um chute de muito longe, cuja curva enganou o goleiro Jandrei. Maikon Leite fez 2 a 0 no final da partida. Foi o primeiro título do Figueirense desde 2015, impedindo o tricampeonato seguido da Chapecoense.

Goiás mantém hegemonia

Foi o quinto título estadual de Hélio dos Anjos no comando do Goiás (Foto: Divulgação)

O Goiás foi campeão estadual mais uma vez. É o quarto título seguido e o sexto nos últimos sete anos. Depois de liderar a primeira fase, o Esmeraldino passou pelo Anapolina nos pênaltis, nas semifinais, e aplicou 3 a 1 no Aparecidense na partida de volta da decisão, após o 0 a 0 no jogo de ida. O comandante da equipe é Hélio dos Anjos, um especialista na função de conquistar Campeonatos Goianos. Foi o seu quinto troféu da competição, todos pelo Goiás, repetindo os feitos de 1999, 2000, 2009 e 2015. É o maior campeão da história do torneio. E no total, são 10 campeonatos estaduais (cinco pelo Goiás, três pelo Sport, um pelo Vitória e um pelo Remo). Poucos trienadores chegaram a esse número de conquistas: Givanildo Oliveira (17), Vanderlei Luxemburgo (12) e Joel Santana (11).

Nesta semana, o Goiás joga pela Copa do Brasil contra o Avaí, em Florianópolis, mas o grande objetivo do clube é a segunda divisão brasileira. “Em relação ao Campeonato Brasileiro da Série B nós não temos outra alternativa que não o acesso. Pela grandeza e pelo momento do Goiás e até pelas consequências que o clube está tendo por passar três anos nesta divisão, nós sabemos que subir à primeira divisão é o principal objetivo aqui. Por ser uma competição de regularidade, o que esperamos é ter equilíbrio nos resultados e uma coisa que é fundamental neste tipo de torneio é fazer prevalecer o mando de campo. Afinal, o time que tem percentual muito alto de pontos dentro de casa deixa a situação um pouco mais fácil. O que queremos mesmo é subir para a Série A e este é o principal projeto do Goiás nesta temporada”, disse Hélio dos Anjos.

Campeão invicto

O Cuiabá foi campeão invicto (Foto: Divulgação)

De todos os campeões estaduais de 2018 até agora, apenas um terminou sua campanha sem nenhuma derrota. O Cuiabá conquistou o Campeonato Mato-Grossense com uma campanha impecável. Após oito vitórias e um empate na primeira fase, passou pelas quartas de final e pelas semifinais sem nenhuma derrota. E o mesmo aconteceu na decisão contra o Sinop. Duas vitórias categóricas, por 2 a 0 e 3 a 1, garantiram o oitavo título estadual e o segundo seguido.

Fim de jejuns

O Sobradinho não levava o Candangão desde 1986 (Foto: Divulgação)

Nada como o alívio de quebrar um longo jejum de conquistas. Foi o que aconteceu com algumas equipes no último fim de semana. O CSA, por exemplo, derrotou o CRB por 2 a 0, depois de perder o jogo de ida por 1 a 0, e conquistou o Campeonato Alagoano pela primeira vez desde 2008. O Operário, do Mato Grosso do Sul, bateu o Corumbaense por 1 a 0, mesmo placar da primeira partida, e levantou o troféu por ter feito melhor campanha na primeira fase. Quebrou um jejum de 21 anos. Em Brasília, o Sobradinho levou o Candangão, nos pênaltis, contra o Brasiliense, e foi campeão estadual pela primeira vez desde o bicampeonato de 1985 e 1986.