A quem esperava um outro grande jogo no Maracanã, o cansaço conteve os ímpetos no duelo de volta pela Copa do Brasil. O Flamengo x Grêmio desta quarta-feira seguiu por um caminho bastante diferente do que se viu na ida em Porto Alegre. Desta vez, um duelo mais travado e com bem menos emoção. E por mais que os tricolores tenham dominado o confronto durante a maior parte do tempo, as duas pontas da partida ajudam a explicar o placar final. Um gol no início garantiu o 1 a 0 aos rubro-negros, enquanto os gremistas não conseguiram exercer uma pressão realmente contundente nos instantes derradeiros. Graças ao tento agônico de Lincoln na Arena, que deu o empate por 1 a 1, o Fla avança às semifinais da Copa do Brasil. Ao que parece, um objetivo mais curto numa temporada em que segue com outras duas frentes para disputar.

A maneira como o Flamengo entrou ligado no jogo valeu bastante. A intensidade fez acontecer. Vitinho foi o primeiro a aparecer, com um chute de longe, que passou por cima do travessão. Já aos cinco minutos, o reforço rubro-negro acabaria participando do lance que definiu a partida, graças a uma bobeira na área do Grêmio. O ponta cruzou, Bruno Cortês errou na hora de afastar e a bola passou, batendo em Lucas Paquetá. Sem querer, o garoto ajeitou para Everton Ribeiro, que chegou de surpresa na entrada da área e arrematou, balançando as redes tricolores. O lance que ditou a tônica no restante da partida.

Os minutos seguintes ainda foram equilibrados, com o Flamengo tentando sair em velocidade ao ataque. Mas logo o Grêmio passaria a dominar as ações, se posicionando no campo ofensivo com mais posse de bola. Faltava conseguir passar pela defesa rubro-negra. O Fla fechava bem os espaços e os jogadores estavam atentos para evitar maiores problemas. Com as linhas funcionando e a marcação dobrando, os gremistas tinham dificuldades para se infiltrar na área e ameaçar a meta de Diego Alves. Um pouco mais de emoção apenas nas reclamações de pênalti dos dois lados, que o árbitro deixou passar após consultar o VAR. Os tricolores só teriam uma chance realmente clara aos 36. No entanto, após cruzamento da direita, Everton se esticou na pequena área para completar e acabou mandando para fora, com a meta aberta à sua frente.

No início do segundo tempo, o Grêmio parecia interessado em repetir o que o Flamengo havia feito nos 45 minutos finais da Arena. O time de Renato Portaluppi pressionava demais a saída de bola dos rubro-negros e rondava a área. Faltou concluir melhor as oportunidades. Ramiro tentou de bicicleta, mas foi sem direção. E pouco depois, a bola cruzaria a pequena área até que Rodinei neutralizasse. Os gremistas forçavam os erros dos rubro-negros. Durante cerca de 15 minutos, os anfitriões mal passaram do meio-campo. Tiveram um pouco mais de respiro em uma falta sofrida por Paquetá na entrada da área, que Diego cobrou contra a barreira.

O grande trunfo do Flamengo foi mesmo a consistência de sua defesa. A marcação funcionou bem durante a maior parte do tempo e, aos poucos, precisou se esforçar menos ainda contra um Grêmio já cansado. Diego Alves não fez grandes defesas, mas era importante em suas saídas pelo alto e também pela voz ativa na organização do sistema. Com o decorrer da segunda etapa, os dois treinadores fizeram mudanças. Vitinho saiu para a entrada de Marlos Moreno, renovando o gás aos contragolpes. Já o Grêmio veio com Jael e Marinho, dando mais presença ao ataque, o que não resolveu tanto assim. Com Everton e Luan sem a melhor sintonia, a criação era um problema dos tricolores.

Aos 32 minutos, quase o gol saiu para o Flamengo. Em tabela entre Marlos Moreno e Paquetá, Marcelo Grohe salvou o chute do colombiano. Já no rebote, Ramiro travou Paquetá na pequena área. Seria um raro lance de perigo em meio ao marasmo que se tornou a partida, entre um Grêmio inoperante e um Fla interessado em gastar o tempo. Exceção feita a um chute de Everton em cima da marcação, os tricolores não fizeram quase nada. Pior aos rubro-negros foi a lesão de Cuéllar, que saiu substituído. Já na troca de Diego por Rômulo, um princípio de confusão pela demora do veterano ao deixar o gramado. Seriam dados seis minutos de acréscimos. O árbitro, todavia, só cumpriu cinco. Mas nem isso gerou muita revolta. Os anfitriões souberam amarrar os gaúchos e puderam comemorar a vitória.

Os maiores méritos do Flamengo neste segundo jogo se concentraram na maneira como o time lidou com as dificuldades. Conseguiu construir o resultado no início, trabalhou muito bem na marcação e pautou sua atuação a partir do resultado favorável. Não foi uma partida brilhante, com erros de passes e a falta de um domínio que se espera no Maracanã. De qualquer forma, acabou sendo suficiente dentro das necessidades, e classifica o time às semifinais em uma maratona de jogos. Maratona esta compartilhada pelo Grêmio e não muito bem aproveitada. O empate tardio na Arena custou caro, com o time preferindo se acuar cedo demais na ocasião. O preço se pagou quando o desgaste físico era maior.

Aos gremistas, ao menos, resta a esperança de reverter a situação contra o Estudiantes na Libertadores, em busca do tetracampeonato continental. Muito mais difícil é a situação do Flamengo, após a atuação desencontrada diante do Cruzeiro no Maracanã. O torneio continental já parece um sonho distante aos rubro-negros, com a difícil missão de reverter o placar no Mineirão. Faltou uma atitude mais consciente como se viu nesta quarta. A Copa do Brasil é um caminho mais curto, agora com só mais quatro partidas pela frente. Ainda assim, a prioridade tende a ser mesmo o Brasileirão, o título de peso que referendaria o investimento feito pelo Fla nos últimos anos.