Liverpool e Roma são os protagonistas de uma das finais mais célebres da história da Liga dos Campeões. A decisão de 1984 possui diversos detalhes marcantes – que, inclusive, contamos anteriormente nesta semana. Porém, há outros dois encontros menos lembrados pelas competições continentais, em um período notável dos clubes. De certa maneira, foram os reds que frustraram um dos maiores times dos giallorossi em seus sonhos europeus. No início do século, se cruzaram uma vez pela Copa da Uefa e outra pela Liga dos Campeões. Em ambos os embates, os ingleses festejaram, mesmo que atravessassem um momento inferior às glórias que alcançariam pouco depois.

Em 2000/01, Liverpool e Roma precisaram se contentar com a classificação à Copa da Uefa. E já nas oitavas de final fizeram um dos duelos mais pesados da competição. Melhor para os reds, que contavam com Michael Owen no melhor momento da carreira. O primeiro jogo aconteceu no Estádio Olímpico e, desde já, o time de Gérard Houllier resolveu. Fabio Capello escalou um mistão, mas que ainda assim possuía vários jogadores respeitáveis, como Cafu, Samuel, Emerson, Tommasi, Montella e Delvecchio – além de Batistuta, entrando no segundo tempo. Porém, não foram capazes de parar o camisa 10. Owen abriu o placar no início do segundo tempo. Em uma bobeira da Roma na saída de bola, ficou com o caminho livre para resolver. E o Bola de Ouro de 2001 fechou a conta aos 27, em disputa com o goleiro Antonioli.

Na volta, em Anfield, os giallorossi até responderam, mas a vitória por 1 a 0 foi insuficiente. Antonioli defendeu um pênalti de Owen no segundo tempo e Gianni Guigou anotou um golaço chutando de longe. Já nos instantes finais, uma polêmica daquelas: o árbitro Jose Maria Garcia-Aranda assinalou um pênalti por toque de mão, mudou de ideia logo depois, indicando escanteio. Obviamente, gerou enorme revolta nos romanistas, que precisaram engolir a eliminação. Segundo Capello, o espanhol apontou a marca da cal duas vezes. O problema é que Batistuta não viu e, com pressa, saiu correndo para cobrar o escanteio, o que fez o apitador cancelar a penalidade. Na sequência daquela Copa da Uefa, o Liverpool eliminou Porto e Barcelona, antes de conquistar o título na insana final contra o Alavés, que terminou em 5 a 4.

Já na temporada seguinte, tanto Roma quanto Liverpool subiram um degrau, figurando na Champions. Os giallorossi reconquistaram o Scudetto após quase duas décadas em jejum, enquanto o Liverpool terminou em terceiro na Premier League – naquela que seria sua primeira participação no torneio desde 1984/85, quando aconteceu o Desastre de Heysel e o clube pegou uma suspensão de seis anos no cenário continental. Ambas as equipes fizeram suas partes na primeira fase de grupos, avançando à etapa seguinte. Encontraram-se na segunda fase de grupos, que reunia os 16 melhores do torneio e definia os quadrifinalistas.

Em uma chave que também contava com o Barcelona em renovação e um Galatasaray que amedrontava, Liverpool e Roma estavam no páreo. O primeiro jogo, pela segunda rodada, terminou com o empate sem gols no Estádio Olímpico. Já o reencontro foi justamente no último compromisso, com caráter decisivo diante do cenário aberto na chave. Com quatro pontos, os reds ocupavam a lanterna e dependiam do triunfo sobre os giallorossi – que, na liderança com sete pontos, só precisavam do empate em Anfield.

Tudo deu errado à Roma, para variar. Em Istambul, o Barcelona venceu o Galatasaray, chegando aos nove pontos e deixando os turcos com cinco. Neste cenário, apenas a vitória interessava ao Liverpool. E foi o que a equipe conseguiu, no jogo que marcou o retorno do técnico Gérard Houllier, após enfrentar problemas cardíacos. Sem Owen, o treinador escalou Vladimir Smicer, Jari Litmanen e Emile Heskey em surpreendente linha de frente. A aposta rendeu uma atuação arrasadora, comparada com o time dos anos 1970 pelo Guardian e elogiadíssima até por Capello. Os ingleses saíram em vantagem aos sete minutos, após um pênalti cometido por Marcos Assunção, que Litmanen converteu. Já na segunda etapa, para confirmar o triunfo por 2 a 0, Heskey deu uma cabeçada certeira. Além do mais, a defesa funcionou muitíssimo bem para segurar o “quarteto mágico” composto por Batistuta, Totti, Delvecchio e Montella na etapa final. Embora reds e giallorossi somassem sete pontos, o confronto direto pendeu aos vermelhos, que avançaram na segunda colocação do grupo.

O Liverpool tinha seus destaques individuais, mas longe de encher os olhos, e não teria vida longa naquela Champions. Caiu nas quartas de final. Após derrotar o Bayer Leverkusen por 1 a 0 em Anfield, os reds não seguraram os anfitriões na BayArena. Ballack (duas vezes), Berbatov e Lúcio balançaram as redes no triunfo por 4 a 2. E os ingleses logo sucumbiriam na primeira fase de grupos em 2002/03, até a redenção duas temporadas depois.