O descendente de portugueses e de alemães que cobrou o pênalti decisivo. O filho de imigrantes guineenses que acertou um belo chute de fora da área. O filho de um camaronês e de uma argelina que fechou a vitória gloriosa. Os autores dos gols franceses na final da Copa do Mundo de 2018 são três talentos evidentes: Antoine Griezmann, Paul Pogba e Kylian Mbappé. Três jogadores que possuem origens estrangeiras, mas que nasceram na França e escolheram representar o país que acolheu os seus pais ou avós, onde criaram suas identidades. Retratos de uma nação diversa e orgulhosa por poder contar com os três protagonistas. E o sentimento de união foi enfatizado por Griezmann após o bicampeonato, com uma boa resposta sobre a questão.

Durante entrevista, o camisa 7 foi confrontado: “O time possui jogadores de diferentes origens. Você, Pogba, Mbappé. Se os seus ascendentes não tivessem vindo à França, a vitória poderia não ter acontecido”. Ao que Griezmann respondeu: “Sim, essa é a França que amamos. Diferentes origens, mas nós todos somos unidos. Em nossa equipe, há muitos jogadores que vieram de horizontes diferentes, mas temos o mesmo espírito. Quando colocamos esta camisa e jogamos por nosso país, damos tudo o que nós temos. Suamos ao máximo, nos esforçamos um pelo outro, e é bonito ver o que fazemos”.

As palavras do astro demonstram uma consciência sobre o caráter multiétnico da seleção francesa – algo que, afinal, acontece desde a Copa de 1930 e reflete as ondas migratórias que acontecem no país. Respeita uma marca essencial dos Bleus. Durante a entrevista coletiva, aliás, o camisa 7 protagonizou uma cena curiosa. Recebeu uma bandeira do Uruguai, país com o qual criou laços por conta de amigos nos clubes onde atuou e pelo qual nutre grande carinho, e a usou durante parte do evento. Independente do que se pensa e de onde se vem, é a camisa bleu que realmente acaba importando, que terminou exaltada por todos eles.

Perguntado se esta seria a ‘geração de Griezmann’, depois das gerações de Platini e Zidane, o camisa 7 preferiu afastar qualquer rótulo: “Sempre coloco o coletivo em primeiro lugar, porque vimos isso durante a Copa. Sem um coletivo forte, cairíamos em uma armadilha. Tenho companheiros extraordinários. Eu estarei no mesmo lugar dos outros, na história do futebol francês. Mesmo se não percebermos a grandeza disso, nossos filhos terão orgulho de usar nossos nomes. Tentamos passar uma boa imagem da França, dos jogadores franceses. Espero que muitos jovens que tenham visto esse jogo façam o mesmo”.

Griezmann também falou sobre a maneira como a Euro 2016 afetou o time e o ajudou a crescer rumo à Copa do Mundo. O atacante foi eleito o melhor jogador do torneio continental, apesar da dolorida derrota para Portugal dentro do Stade de France. Segundo suas palavras, a experiência anterior conferiu força para que os Bleus se recuperassem e fossem campeões mundiais. “Sim, trabalhamos muito em cima do que aconteceu na Euro 2016. Temos vários jogadores novos, que mostraram seu talento aqui. Ganhamos uma grande contribuição. Nós somos um time. Não estivemos nervosos como em 2016. Essa foi a nossa força. E o técnico também teve importância nisso. Ele lê perfeitamente todas as partidas, isso nos ajudou”, apontou.

Por fim, o atacante também falou sobre o orgulho de conquistar a Copa do Mundo e sobre a chave ao longo da campanha na Rússia: “Francamente, eu pessoalmente ainda não me dei conta do que é ser campeão. A Copa pesa muito. Estou muito orgulhoso de todos. Nós éramos realmente um grupo unido, reservas e titulares. Graças a essa força, conseguimos fazer algo incrível. Temos que curtir, estar com a família, fazer uma festa. Nesta segunda estaremos junto dos franceses para celebrar”.