O técnico do Manchester City, Pep Guardiola, foi denunciado pela Federação Inglesa por ter violado a regulamentação de uniformes e propaganda para emitir uma mensagem política de apoio a políticos presos pela organização de um referendo sobre a independência da Catalunha. Desde novembro, quando os líderes catalães foram presos pelo governo central da Espanha, Guardiola usa um laço amarelo no seu paletó.

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A FA já conversou com Guardiola sobre o assunto e enviou dois alertas oficiais, ambos ignorados pelo técnico, que nasceu, jogou e treinou na Catalunha. Na derrota para o Wigan, na Copa da Inglaterra, na última segunda-feira, ele mais uma vez utilizou o laço amarelo no paletó. Guardiola tem até 5 de março para responder à denúncia e pode receber uma suspensão, embora a punição mais provável no momento seja apenas uma multa.

Guardiola explicou os motivos do seu protesto político em dezembro: “Faço isso porque, na Espanha, duas pessoas específicas que defendem algo como votar, algo com que as pessoas no comando não concordam, estão presas. Para fazer uma rebelião ou algo assim, você tem que ser durão para estar na prisão. E eles ainda estão lá. Então, até que sejam liberados, isso sempre estará aqui (apontando para o laço). Porque, ok, eu posso ser suspenso por fazer isso, mas outras pessoas estão presas”.

O treinador refere-se a Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, presos sem fiança pelos seus papéis no referendo não oficial realizado em 1º de outubro. A votação, cujo resultado foi favorável à separação, foi reprimido pelo governo central da Espanha. O então presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, foi removido do cargo e está exilado. Informa o Mundo Deportivo que, no começo da semana, o avião privado de Guardiola foi revistado pela polícia ao chegar no aeroporto El Prat, em Barcelona. Os oficiais buscavam Puigdemont.

Guardiola não deve ter problemas com a Uefa. A entidade europeia relaxou suas legislações sobre mensagens políticas, reprimindo apenas as que considera ofensivas. Especificamente em relação à Catalunha, emitiu um comunicado bem brando quando o Barcelona desistiu de recorrer à Corte Arbitral do Esporte após ter recebido uma multa pela exibição da bandeira da região em duas partidas da Champions League, em 2015. Abriu a porta para uma interpretação mais subjetiva de mensagens políticas.

“A Uefa não quer que jogos de futebol sejam usados para demonstrações políticas, mas também não quer punir clubes ou federações nacionais em situações em que nenhuma pessoa razoável tenha objeções, ou se sinta ofendida, por uma mensagem em particular. Consequentemente, a Uefa também está disposta a reexaminar o escopo das suas regulações disciplinares para garantir que, se e quando houver sanções impostas, isso aconteça apenas em circunstâncias e casos em que a maioria das pessoas razoáveis acredita que uma sanção precise ser imposta”, afirmou.

Apenas um ano e meio atrás, as federações de Inglaterra e Escócia foram proibidas pela Fifa de usar uma papoula vermelha em uma faixa preta, em homenagem aos mortos em guerras defendendo o Reino Unido. A Federação Inglesa tenta escapar da hipocrisia de punir Guardiola por manifestação política ao mesmo tempo em que buscou usar expedientes parecidos ao argumentar que honrar seus soldados não se trata de uma mensagem política – embora tenha sido este o motivo usado pela Fifa para proibir o gesto.