A fotografia de Mesut Özil e Ilkay Gündogan ao lado do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, às vésperas da Copa do Mundo gerou vários desdobramentos. A federação alemã criticou publicamente os dois jogadores de origem turca e, depois de suas fracas atuações no Mundial, Özil preferiu se aposentar do Nationalelf alegando um racismo institucional. Gündogan, por sua vez, seguiu em frente. Mesmo sendo mais vaiado que o companheiro nos amistosos preparatórios, não sofreu tantas críticas na Rússia e voltou a figurar na convocação de Joachim Löw. Já nesta quinta, aconteceu o reencontro do meio-campista com a torcida alemã. E, ao que parece, todos passaram uma borracha. O jogador do Manchester City entrou no segundo tempo do empate com a França e recebeu aplausos das arquibancadas da Allianz Arena, como qualquer outro atleta.

Após o jogo pela Liga das Nações, Gündogan comentou o momento. Falou com certo alívio pelo entrave ter ficado para trás: “Eu estava nervoso quando me preparava para entrar em campo. Eu não precisava ter medo, mas fiquei nervoso porque não sabia o que esperar da torcida. Fiquei feliz que ouvi os aplausos. Eu aplaudi de volta e pude focar na partida depois disso. Posso voltar para casa depois desta noite com um sorriso no rosto”.

Gündogan substituiu Leon Goretzka na partida e disputou os minutos finais do empate sem gols. O meio-campista de 27 anos soma 28 partidas pela equipe nacional, presente na Euro 2012 e na Copa de 2018 – atrapalhado durante o intervalo por conta das sucessivas lesões. Gündogan terá a chance de se reencontrar mais uma vez com a torcida no próximo domingo. A Alemanha disputa amistoso contra o Peru na Rhein-Neckar Arena, casa do Hoffenheim.

Em maio, ao ser criticado por se encontrar Erdogan e chamá-lo de ‘meu presidente’, Gündogan se defendeu: “Nós deveríamos ser indelicados com o presidente da pátria de nossas famílias? O que quer que tenha justificado as críticas que aconteceram, nós decidimos nos encontrar em um gesto de polidez, por respeito ao cargo do presidente e de nossas origens turcas. Não foi nossa intenção fazer uma declaração política nesse quadro”. Sua posição não foi bem aceita na época, diante dos entraves diplomáticos da Alemanha com a Turquia, por conta de atitudes totalitárias de Erdogan. Mas a boa relação prevalece, ao menos por enquanto.

Já nesta sexta, outro princípio de polêmica surgiu na seleção alemã, mas tudo não deve passar de um mal entendido. Segundo as redes sociais da federação, Leroy Sané teve uma conversa com Joachim Löw e pediu dispensa do próximo amistoso por “razões pessoais”. Foi o suficiente para surgirem teorias da conspiração em relação ao comportamento do jovem, depois de sua ausência na Copa do Mundo, da geladeira que tomou de Pep Guardiola no Manchester City e do puxão de orelha público dado por Toni Kroos. O tabloide Bild, no entanto, aponta que o atacante preferiu se ausentar do jogo para acompanhar o nascimento do primeiro filho. Razão mais do que compreensível e longe dos sensacionalismos.