A vitória da Inglaterra sobre o Panamá era uma das maiores barbadas desta segunda rodada de Copa do Mundo. E ela aconteceu com uma facilidade gritante. Durante um primeiro tempo em que nem precisaram de tanto esforço, os Three Lions balançaram as redes cinco vezes, quatro delas a partir de jogadas de bolas paradas. Tanto é que no segundo tempo puderam se poupar e, ainda assim, anotaram o sexto gol. Mas não pense que a pancada foi apenas de vergonha aos panamenhos. A Maré Roja invadiu Nizhny Novgorod e ficou em chamas quando Felipe Baloy anotou o único gol da equipe, fechando o passeio em 6 a 1. Daquelas cenas que apenas a Copa do Mundo é capaz de explicar – e que valerá outro texto em breve aqui na Trivela. Com o resultado, os ingleses chegam aos mesmos seis pontos da Bélgica e ambas estão igualadas no saldo de gols, assim como no número de gols marcados. Desta maneira, caso o empate prevaleça no encontro entre as favoritas, o primeiro colocado do Grupo G será decidido pelos critérios disciplinares – neste momento, com o time de Gareth Southgate sustentando um “cartão amarelo de vantagem”.

Escalações

A Inglaterra veio com apenas uma alteração em relação à estreia contra a Tunísia. Dele Alli, lesionado, deu lugar a Ruben Loftus-Cheek. Gareth Southgate manteve sua formação no 3-5-2, inclusive. Já o Panamá repetiu o 4-1-4-1 que segurou a Bélgica durante o primeiro tempo na estreia, com os mesmos jogadores.

Tranquilidade desde o início

Não precisou ser uma Inglaterra tão fulminante quanto a dos primeiros minutos do jogo contra a Tunísia, mas logo o time de Gareth Southgate achou o primeiro gol. E se valeu da fragilidade defensiva do Panamá pelo alto. Escanteio cobrado por Kieran Trippier e John Stones apareceu completamente livre para marcar. De maneira surpreendente, os panamenhos até tentavam sair para o jogo e arriscavam finalizações, sem levar tanto perigo à meta de Jordan Pickford. O problema é que os Three Lions vinham prontos para resolver a cada aproximação da área adversária. Aos 22, saiu o segundo gol. Pênalti bobo sobre Jesse Lingard e Harry Kane cobrou com perfeição.

Surge a goleada

A Inglaterra seguiu a partida em ritmo de amistoso, trabalhando a posse de bola, sem precisar acelerar tanto. E quando resolveu arriscar mais, abriu a diferença. O terceiro gol aconteceu aos 36 minutos. Jesse Lingard partiu da esquerda, tabelou com Raheem Sterling e arriscou um chute de extrema felicidade de fora da área, mandando longe do alcance de Penedo. O problema do Panamá estava na marcação durante as bolas paradas. Foram vários e vários vacilos. Assim, os ingleses marcaram dois gols antes do intervalo. No quarto da equipe, Jordan Henderson cruzou, Kane ajeitou e Sterling exigiu uma defesaça de Jaime Penedo. Stones não perdoou no rebote. Logo depois, mais um pênalti infantil, desta vez com Stones e Kane agarrados na área. Kane repetiu sua cobrança firme e fez o seu segundo.

Hat-trick de Kane

Como era de se esperar, a Inglaterra tirou o pé durante o segundo tempo. Não forçava muito os ataques e até via o Panamá ter um pouco mais de posse de bola. Ainda assim, qualquer brecha era sinal de perigo. Penedo salvou sua equipe em uma dividida e, aos 17 minutos, ficou vendido no sexto tento dos Three Lions. Loftus-Cheek arriscou de fora da área, a bola desviou em Kane e entrou. Apesar das dúvidas quanto ao posicionamento, as condições eram legais, conforme as novas determinações quanto ao uso do VAR. A Fifa confirmou o hat-trick ao centroavante, somando cinco tentos nestas primeiras duas rodadas e já igualando as marcas dos artilheiros dos Mundiais de 2006 e 2010. É apenas o quarto jogador da história das Copas a balançar as redes cinco ou mais vezes em duas partidas.

O Panamá vive um sonho

A partir de então, os dois técnicos passaram a mexer. Jamie Vardy, Fabian Delph e Danny Rose ganharam espaço na Inglaterra, com Kane saindo aplaudido. Já o Panamá contou com o veterano Felipe Baloy, além de Ricardo Ávila e Abdiel Arroyo. E  os panamenhos se esforçaram para anotar o gol de honra. Murillo tentou encobrir Pickford e parou em grande defesa do goleiro. Depois, Román Torres cabeceou com muito perigo, mandando para fora. Até que a alegria acontecesse aos 32. A partir de uma falta cobrada em direção à área, Baloy se projetou livre e se esticou para marcar o tento. Nem parecia que os panamenhos já haviam levado seis, tamanha festa nas arquibancadas. Durante os 15 minutos finais, a alegria dos centro-americanos ecoou em Nizhny Novgorod. E não surgiram muitos lances dignos de nota, além de uma bicicleta frustrada de Arroyo. Goleada necessária à Inglaterra, mas com um tento final que vale demais aos panamenhos e também à luta pela liderança no Grupo G.

Ficha técnica

Inglaterra 6×1 Panamá

Local: Estádio Nizhny Novgorod, em Nizhny Novgorod (RUS)
Árbitro: Gehad Grisha (EGI)
Gols: Stones, 8’/1T; Kane, 22’/1T; Lingard, 36’/1T; Stones, 40’/1T; Kane, 46’/1T; Kane 17’/2T; Baloy, 32’/2T
Cartões amarelos: Cooper, Escobar, Murillo (Panamá); Loftus-Cheek (Inglaterra)
Cartões vermelhos: Nenhum

Inglaterra
Jordan Pickford, Kyle Walker, John Stones, Harry Maguire; Kieran Trippier (Danny Rose), Jordan Henderson, Ruben Loftus-Cheek, Jesse Lingard (Fabian Delph), Ashley Young; Raheem Sterling, Harry Kane (Jamie Vardy). Técnico: Gareth Southgate.

Panamá
Jaime Penedo, Michael Murillo, Román Torres, Fidel Escobar, Eric Davis; Gabriel Gómez (Felipe Baloy); Eric Bárcenas (Abdiel Arroyo), Armando Cooper, Aníbal Godoy (Ricardo Ávila), José Rodríguez; Blás Pérez. Técnico: Hernán Darío Gómez.