O desnível entre potências e figurantes é uma das maiores críticas ao Campeonato Espanhol. Goleadas categóricas escancaram a diferença que se concentra entre o poderio financeiro e as estrelas à disposição dos gigantes. No entanto, há resultados que dizem mais do que apenas esse abismo. Vide o que aconteceu neste domingo, no Camp Nou. O Huesca é inferior ao Barcelona, indiscutivelmente. Possivelmente, não tanto quanto os 8 a 2 no placar indicam. Os estreantes em La Liga vinham de duas boas partidas, vencendo Eibar e empatando com Athletic Bilbao fora de casa, além de terem saído em vantagem na Catalunha. Contudo, o Barça também viveu uma de suas atuações ofensivas mais inspiradas dos últimos tempos. Se uma das críticas à campanha passada era a postura contida do time de Ernesto Valverde, desta vez os blaugranas quiseram a fartura. Opulência incorporada principalmente por Lionel Messi, outra vez a estrela da noite.

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Três minutos bastaram para o Huesca calar o Camp Nou. O cruzamento da direita foi em direção às costas da zaga e, depois que Samuele Luongo ajeitou, Cucho Hernández completou. A torcida até temeu uma surpresa, com o Barcelona levando um tempo para conseguir sua primeira finalização. No entanto, os jogadores não pareciam se preocupar e, pelo contrário, se mostraram famintos quando a pressão começou a dar resultado. A linha de frente composta por Lionel Messi, Luis Suárez e Ousmane Dembélé tinha o apoio daqueles que vinham de trás, principalmente de Jordi Alba, Ivan Rakitic e Philippe Coutinho. Aos 16, no primeiro arremate da equipe, já o empate. Troca de passes até a bola chegar em Messi, que entortou impiedosamente o marcador, invadiu a área e bateu no canto para anotar um golaço.

Foi só o começo. O segundo saiu aos 24, em jogada de Jordi Alba pela linha de fundo que Jorge Pulido mandou contra o próprio patrimônio. Dembélé carimbou a trave e, em meio à pressão sufocante, as chances iam aparecendo. Suárez faria o terceiro graças a mais uma infiltração de Alba, cruzando na medida – em lance validado com o auxilio do VAR. E quando o Huesca descontou aos 42, em cochilo da zaga que Álex Gallar aproveitou, isso era apenas um aviso aos catalães de que eles não poderiam dar margem ao azar no segundo tempo. Iniciaram a etapa final em ritmo ainda mais forte.

Messi deu seu aviso, carimbando o travessão numa bela finalização, logo no primeiro minuto. Dembélé merecia o seu e fez aos três, em passe espetado por Suárez. O quinto veio aos sete, em tacada de sinuca de Rakitic, após organizar a jogada e avançar para receber um soberbo passe por elevação vindo de Messi. Já aos 16, a sequência de tirar o fôlego contou com um contra-ataque, no qual Coutinho deu uma enfiada magistral para o camisa 10 anotar o seu segundo na noite. Uma festa completa pela maneira como os anfitriões uniam precisão e voracidade

Depois disso, o Barcelona mexeu. Mudou suas peças e permitiu a entrada de três novos contratados – Clément Lenglet, Arturo Vidal e Arthur. Os donos da festa, de qualquer forma, eram velhos conhecidos. Foram eles que fecharam a contagem, depois dos 36 minutos. Messi retribuiu a Jordi Alba, com o corredor livre na esquerda – e, na comemoração, o lateral botou as mãos sobre os olhos, algo interpretado como provocação à ausência na convocação da seleção espanhola, por conta de seus problemas pessoais com Luis Enrique. Até que, nos acréscimos, Suárez sofreu um pênalti que ele mesmo cobrou. O oitavo do Barça, fechando o passeio.

O Huesca demonstrou uma postura um tanto quanto ofensiva para um pequeno que visita o Camp Nou e sofreu com os espaços pelos lados do campo. Parte disso é razão para os 8 a 2. Mas também a noite letal de quase todos que entraram vestindo a camisa do Barcelona. Foram 31 finalizações, e todas executadas nos 75 minutos finais de jogo, o que indica bem a maneira insaciável como a equipe atuou na maior parte do tempo. Depois de duas partidas sob certas ressalvas em La Liga, entre o primeiro tempo ruim contra o Alavés e o gol solitário diante do Valladolid, os blaugranas fizeram o que se pede e que por vezes até soa como obrigação, mas mesmo assim encanta.

Por enquanto, La Liga vai se resumindo às suas duas potências. Real Madrid e Barcelona dividem a liderança com os mesmos nove pontos em três rodadas, e a goleada impulsionando o saldo de gols dos blaugranas, agora à frente dos merengues. Já o Huesca soma quatro pontos, razoável para quem deve mesmo lutar para não ser rebaixado.