A Copa do Mundo completará seu centenário em 2030 e há boas chances de que ela volte às suas origens. Até o momento, a única candidatura realmente oficializada é a da união entre Argentina, Uruguai e Paraguai. O apelo em relação a 1930 é o claro trunfo do trio sul-americano, com o esboço do projeto reunindo previamente 24 estádios. No entanto, a campanha deve enfrentar concorrência. Marrocos não desiste e já declarou seu interesse, desta vez estudando se lançar ao lado de Argélia e Tunísia. O Egito é outro que cogita a possibilidade. Na Ásia, as duas Coreias podem se juntar em um plano de paz, que também envolveria China e Japão na candidatura. Já na Europa, políticos gregos sugerem uma união com Chipre e Israel pelo evento. De qualquer forma, a maior preocupação de uruguaios, argentinos e paraguaios deve ser outra. Aludindo a outras “origens”, a Inglaterra também quer a Copa. Deverá contar com o apoio das chamadas “home nations”, em projeto conjunto com as outras nações do Reino Unido.

Desde 2015, a Inglaterra já fala sobre uma potencial candidatura por 2030. Os planos se tornaram mais maduros ao longo dos últimos meses, e aqueceram depois da marcante campanha dos ingleses na Rússia. No último dia 15, data da final, um dos líderes no congresso manifestou seu apoio a uma união entre as federações britânicas. “Espero que essa seja uma das primeiras coisas que o governo faça, trabalhando com a Football Association para uma proposta em conjunto. Este é o esporte nacional, pode unir o país e nos dar esperanças. Estamos desapontados que para 2018 não conseguimos vencer a concorrência, mas a mim parece favorável tentar o Mundial de 2030”, declarou o trabalhista Tom Watson.

Já no dia seguinte, seria a vez da primeira ministra Theresa May expressar as suas ideias e demonstrar sua abertura para conversar sobre o tema com os dirigentes esportivos. “Estamos felizes em sentar com as organizações de futebol e discutir quaisquer propostas que eles tenham para a Copa de 2030. Temos um excelente histórico na realização de grandes eventos esportivos. Esperamos que apresentem as propostas e olhem para o contexto histórico de nossas participações. O Reino Unido como um todo possui uma bagagem neste tipo de competição”, assinalou um porta-voz da premiê.

Já nesta quarta, mais um sinal positivo. A federação escocesa garantiu que tem interesse em também receber a Copa de 2030, embora as discussões não tenham acontecido. Ex-chefe executivo da entidade, Stewart Regan apontou que a candidatura britânica está no radar. Já um porta-voz da SFA ratificou: “Estamos sempre de mente aberta diante da possibilidade de receber torneios. Nosso foco atualmente é na Euro 2020, com quatro jogos a serem disputados no Hampden Park, estamos trabalhando nisso. Mas temos uma aptidão de receber grandes jogos”.

Resta saber qual será a posição de Gales e Irlanda do Norte. Segundo o jornal The Guardian, a Football Association teve conversas de bastidores também com galeses e norte-irlandeses, durante os eventos da Fifa referentes à Copa do Mundo de 2018. O periódico afirma que os ingleses irão ponderar os prós e os contras de uma possível realização do evento em 2030, consultando as “home nations” antes de iniciar a campanha. O projeto é visto como de baixo risco, considerando a estrutura pronta para receber o Mundial.