Ao longo dos últimos anos, diante das incertezas, o Milan confiou na experiência de antigos ídolos para reencontrar o seu caminho. E essa postura se torna ainda mais evidente na atual temporada, com a mudança na presidência que reatou os laços com o passado vitorioso dos rossoneri. Gennaro Gattuso permanece como técnico, enquanto Leonardo e Paolo Maldini assumiram cargos diretivos do clube. Já nesta semana, a Gazzetta dello Sport conversou com Kaká, para saber qual a posição do Bola de Ouro de 2007 diante dos acontecimentos. O brasileiro indicou que deseja trabalhar nos bastidores do futebol em breve, mas ressalta que ainda se prepara ao posto. Além disso, reiterou sua confiança nos antigos companheiros, na missão de reerguer a instituição.

“Minha prioridade ainda é estar com meus filhos, que são pequenos e moram em São Paulo. Agora é difícil para mim deixá-los, então não estou procurando cargos específicos. Além disso, eu preciso estudar e me preparar para essas novas formas de trabalho. Eu farei um curso para me tornar diretor esportivo no Brasil e depois o curso de técnico em Coverciano, mas apenas para complementar meu currículo. Eu me vejo mais como um diretor, da mesma forma que Leonardo. Ele tem experiência, contatos internacionais e trabalhou em alguns grandes clubes. Leo fez de tudo, viajou o mundo, é inteligente e também conhece bem o mundo da comunicação. Ele sabe como dirigir um time”, declarou.

“Paolo é a história, uma bandeira e um ídolo. Se nós formos falar sobre o que o Milan representa ao redor do mundo, falaremos sobre Paolo e vice-versa. Ele significa lealdade. Eu não quero falar nada sobre a gestão anterior, com a qual tive algum contato, mas este grupo é diferente, porque redescobre o DNA rossoneri. Recuperou as características do clube, o sentido de pertencimento. Leo e Paolo voltaram e Gattuso permaneceu como técnico. Rino tem o espírito daqueles que não desistem. Era assim quando jogava e continua como treinador. O Milan seguiu o caminho certo. Tenho certeza que vão trabalhar bem juntos”, complementou.

No início do mês de agosto, Leonardo abriu as portas para o retorno de Kaká ao Milan. Afirmou que o compatriota poderá ser um “aprendiz de gestor” na nova administração, o auxiliando em seu papel no comando dos rossoneri. Por suas palavras, Kaká indica que deseja se preparar um pouco mais e cuidar da família. Ainda assim, não seria surpreendente se o brasileiro participasse de ações dos rossoneri de maneira mais constante.

Falando sobre futebol, Kaká avalia a Liga Europa pode ser importante dentro do processo de recomeço dos milanistas, representando a chance de conquistar um título continental: “O Milan é um time que está tentando recuperar seu lugar no topo. Não será necessário negligenciar a Liga Europa. Quando as equipes eliminadas da Champions chegarem, será uma competição fascinante e vencer pode ser crucial. Eu entendo os torcedores, sou um deles, mas ser bem sucedido novamente é o primeiro objetivo e ganhar a Liga Europa pode levar à Supercopa. Idealmente, também queremos voltar para a Liga dos Campeões imediatamente. Esse é o objetivo mais racional”.

Por fim, o brasileiro falou sobre as perspectivas do Milan em diminuir sua distância em relação à Juventus: “A Juventus tem muita qualidade, o hábito de ganhar e a organização correta. Eles são o melhor time da Serie A no papel, isso é indiscutível, mas muitas coisas podem acontecer e acho que pensar grande está no DNA do Milan. O futebol é um jogo imprevisível. A Juventus está à frente de todos os outros, mas acho que a confiança dos torcedores do Milan, que recuperaram seu orgulho, pode ser um fator decisivo para subir degraus. O objetivo é reconstruir, mas seria grandioso se nós imediatamente começássemos a ganhar”.