Mario Kempes continua idolatrado como um dos melhores jogadores da história da seleção argentina. A trajetória do ex-atacante fala por si, fundamental na conquista da Copa do Mundo de 1978, anotando inclusive dois gols na final contra a Holanda. E ele foi mais um a engrossar o coro contra o atual time da Albiceleste, após a derrota por 6 a 1 para a Espanha. O veterano analisou o atual panorama e não poupou o colega de ofício, Gonzalo Higuaín, que perdeu uma chance claríssima quando o placar ainda estava zerado. Para o antigo matador, é necessário buscar alternativas.

“Higuaín teria aproveitado aquela primeira chance 51 vezes em 50 que tentasse pela Juventus. Mas pela Argentina ele não consegue, não sei por que”, analisou Kempes. “Pipa, neste momento, não está dando o resultado que o treinador está buscando. Não sei o motivo pelo qual Icardi não está no time, mas ele não jogou mal contra o Uruguai. O time precisa de sangue novo, como Meza, mas muito mais”.

A falta de alternativas da Argentina, diante da dependência a Messi, também incomoda o artilheiro da Copa de 1978: “Há apenas um Messi e o futebol é jogado com 11 atletas. Entretanto, a Argentina parecia um time de 11 estranhos. O primeiro tempo me entusiasmou, não foi ruim, mas o segundo foi terrível. Uma catástrofe total. Messi não pode jogar como goleiro, defensor, meio-campista e atacante. Não pode criar as jogadas e marcar os gols ao mesmo tempo. Se a goleada de hoje acontecesse com ele em campo, iria levar toda a culpa. Que Deus nos ajude a funcionar como equipe. As falhas da defesa foram muito grandes e desaparecemos no segundo tempo. Não há muitos dias para solucionar todos os problemas”.

Segundo o veterano, o principal caminho à reestruturação está no encaixe de Paulo Dybala ao lado de Lionel Messi: “Dybala disse que jogar ao lado de Messi é difícil e não o chamaram. Messi vem jogando com os mesmos há 10 anos e não conseguem formar um time. Por isso Dybala tem razão quando afirma que não é fácil jogar ao lado dele. Há coisas que não podem ser ditas em voz alta. Dybala pode ser o jogador diferente que desafogará o melhor do mundo. Tudo dependerá de Sampaoli. Ele não pode faltar, é o nosso jogador diferenciado depois de Messi”.

Por fim, Kempes também refutou uma afirmação de Higuaín, indicando que a atual geração deixou o sarrafo alto por ter disputado três finais: “Vamos ter que perguntar o que ele quis dizer com isso. Chegar a três finais e perder não é para estufar o peito. Cada um tire as conclusões que quiser. A mim, as duas finais de Copa América não importam. Elas servem para armar o time e chegar bem à Copa. O importante é ganhar. Depois de um tempo ninguém se lembra, se você perdeu a final”.