Miroslav Klose viveu mais um momento histórico de sua carreira nesta quarta. O centroavante anotou o gol da Lazio no empate por 1 a 1 com o Napoli, pela Copa da Itália. Pela 300ª vez em sua carreira, estufou as redes. Uma marca que merece ser comemorada, por toda a história do veterano de 36 anos nos gramados. Mas que acaba destacando um fato especial na carreira do camisa 11: a maneira como ele realmente se agigantou na seleção alemã. Afinal, o atacante marcou 71 destes gols apenas pela equipe nacional, quase um quarto do total.

Para um centroavante da fama de Klose, a marca de 300 gols, a esta altura da carreira, não é tão impressionante. Por mais que tenha vivido grandes momentos no Kaiserslautern, no Werder Bremen e na Lazio, o alemão só passou dos 20 tentos em uma temporada três vezes – e duas delas no Bayern de Munique, onde não foi tão bem quanto se apostava. Seu melhor ano aconteceu em 2006, quando se sagrou artilheiro da Bundesliga com 25 gols em 26 aparições. Uma produtividade muito acima de seu comum nas ligas, quase sempre balançando as redes entre 10 e 15 vezes.

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Concorrente no ataque da seleção e sete anos mais jovem do que Klose, Mario Gómez já atingiu a marca de 257 tentos. Drogba, também aos 36, anotou 327 gols. Ibrahimovic tem 378. Henry pendurou as chuteiras com 411, mais do que os 382 de Van Nistelrooy e que os 369 de Shevchenko. E mesmo Totti, sem ser homem de área como o alemão, soma 306. Nem adianta comparar, então, com os dois craques superados por Klose em seus principais recordes: Gerd Müller, com fantásticos 723 gols, e Ronaldo, que chegou a 414 mesmo com tantas lesões.

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O que transforma Klose de ótimo centroavante em artilheiro histórico são os seus números pela Alemanha. Os 71 gols anotados pelo Nationalelf representam 23,7% de seu total, mais do que qualquer outro dos citados acima – quem mais se aproxima é Didier Drogba, com 19,8%. A média do alemão na equipe nacional é ótima, de 0,52 gols por jogo. Muito superior à marca de 0,36 que registrou apenas nos clubes. E é na Copa do Mundo que o camisa 11 impressiona ainda mais: 16 gols em 24 partidas, média de 0,67.

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De fato, Klose teve companhias muito mais qualificadas na seleção do que nos clubes. Entretanto, na maioria das vezes, também enfrentou adversários mais difíceis com a Alemanha. E alguns de seus gols nas Copas são em partidas decisivas, como o que empatou o jogo contra a Argentina em 2006 ou o começou a abrir vantagem sobre o Brasil em 2014. Ressaltam, sobretudo, como um centroavante com grande poder de finalização se tornou mais letal na principal competição do planeta.

Klose pode não ser um craque no conceito mais básico, aquele jogador pronto para decidir na base da habilidade. Porém, o veterano atravessou anos como um dos mais completos em seu ofício, por mais que tenha caído de nível nos últimos tempos. Possui presença de área, precisão nos arremates, ótimo cabeceio, força física para abrir espaços aos companheiros – tudo o que se pede a um centroavante clássico. Os 300 gols na carreira ressaltam bem essas virtudes. Ainda que o número seja pouca coisa, diante do peso que Klose ganhou na história da seleção. Para isso, há outros números muito mais relevantes.

Abaixo, dois vídeos: o gol 300 de Klose e os seus 71 pela Alemanha