A segunda divisão inglesa começa nesta sexta-feira. A partida será entre Reading e Derby County, com uma presença especial no banco de reservas: Frank Lampard assumiu o comando do clube que conquistou títulos com Brian Clough. E é apenas uma das atraçõs de um torneio com fama de ser equilibrado, duro e que seleciona rigidamente os próximos participantes da Premier League, o campeonato nacional mais rico do mundo. A seguir, listamos dez motivos para acompanhar a próxima temporada da Championship.

Frank Lampard

Ele sentiu falta da adrenalina de jogador de futebol, aquele friozinho na barriga antes da partida. Ser comentarista de televisão era confortável demais para um homem que foi tão competitivo ao longo da carreira. Por isso, Frank Lampard trocou o microfone pela prancheta e aceitou o desafio de treinar o Derby County. O clube que foi elevado por Brian Clough está batendo na trave do acesso à Premier league, da qual foi rebaixado em 2007/08, com uma campanha muito ruim. Quando Gary Rowett pulou do barco para assumir o Stoke City, a diretoria escolheu, entre 20 candidatos, um dos jogadores mais vitoriosos da Inglaterra nos últimos tempos, na expectativa que ele tenha a capacidade de estender o sucesso para o banco de reservas.

A ótima geração inglesa

Mason Mount, destaque da base da Inglaterra (Foto: Getty Images)

O futebol inglês conquistou títulos importantes nas categorias de base nos últimos anos, especialmente o Mundial sub-20 do ano passado. Há a esperança de que pouco a pouco esses jogadores fortaleçam a seleção principal, mas, para isso, eles precisam se desenvolver. A maioria do elenco do Mundial sub-20 está em equipes da Premier League, poucos com chance de jogar todas as semanas. A Championship aparece como uma oportunidade melhor. Há cinco jogadores daquele time na segunda divisão: Luke Southwood, no Reading, Harry Chapman e Dael Fry, no Middlesbrough, Dean Henderson, emprestado pelo Manchester United ao Sheffield United, e Ezri Konsa, no Brentford. Alguns ainda não atuam com regularidade nem na Championship, mas podem ganhar oportunidades na próxima temporada. E ainda há tempo para os clubes de elite emprestarem mais promessas para a Segundona. Como o Chelsea fez com Mason Mount, da equipe campeã europeia sub-19. O jovem passou a última temporada no Vitesse, pelo qual marcou 13 gols, apesar de ser meia, e, no Derby County, pretende aprender a ser ainda mais goleador com um especialista.

Ascensão meteórica

Mohamed Eisa, do Bristol City (Foto: Getty Images)

Mohamed Eisa nasceu no Sudão e cresceu no norte de Londres. Aos 24 anos, batalhou fora do futebol profissional inglês para ganhar uma chance na Championship. Depois de 52 gols em 81 partidas de liga pelo Greenwich Borough, da oitava divisão, foi para Cheltenham Town, do quarto nível. Foram necessários 23 tentos em 45 partidas para que se transformasse em uma contratação de mais de £ 1 milhão do Bristol City. Agora, tem a oportunidade de brilhar na Segundona e seguir os passos de Jamie Vardy, que também precisou galgar os degraus da pirâmide antes de estourar na Premier League, já com idade mais avançada.

Aston Villa resolve problemas financeiros

Torcedora do Aston Villa (Foto: AP)

O Aston Villa investiu pesado para voltar à Premier League. Gastou quase £ 80 milhões em contratações para bater na trave: perdeu a final dos playoffs para o Fulham. Em seguida, começaram a surgir notícias preocupantes para a torcida. Por exemplo: £ 30 milhões de taxa de transferência ainda não haviam sido pagos para os clubes que venderam jogadores para o Villa. Ainda havia problemas fiscais e a necessidade de vender alguns dos seus principais jogadores para evitar a falência. O dono Tony Xia buscou investidores para melhorar a saúde financeira e apresentou o grupo NSWE, controlada pelos empresários Nassef Sawiris e Wes Edens. Ambos são na prática os novos donos porque adquiriram 55% das ações do campeão europeu.

Equilíbrio

O equilíbrio sempre foi a marca da segunda divisão inglesa. E, na próxima temporada, isso deve ser até mais acentuado. Há muitos clubes bem posicionados para brigar pelo acesso. O Stoke City acabou de chegar da Premier League e parece forte. O Nottingham Forest fez altos investimentos e será treinado pelo espanhol Aitor Karanka. O Middlesbrough aposta na experiência de Tony Pulis. O Aston Villa resolveu seus problemas financeiros e tem muita camisa para encarar as dificuldades do torneio. Ainda há o Derby County de Lampard e o Leeds United de Marcelo Bielsa. E mais uma série de times com experiências recentes na Premier League (Blackburn, Norwich, Hull, Queens Park Rangers) e os outros dois rebaixados, Swansea e West Brom, brigando pelos playoffs.

Moneyball

Matthew Benham fez dinheiro com uma empresa que usa dados para tentar prever o resultado de eventos esportivos. O apreço por números foi estendido para o Brentford, do qual é dono. Ninguém no clube gosta do termo Moneyball, mas a filosofia é realmente desvendar quais são as estatísticas que mais influenciam em uma partida de futebol e montar um time que possa ir além do que o baixo orçamento indicaria. O discurso é que 90% da operação é igual a qualquer outro clube, mas, nos 10% restantes, eles buscam fazer as coisas diferentes para tentar superar as expectativas, como ter treinador especialista em cobranças de falta, lançamentos laterais e até mesmo em “chutes”. Tem meio que funcionado. O Brentford passou a maior parte da sua vida entre a terceira e a quarta divisão, mas está estabelecido na Championship há quatro temporadas, na parte de cima da tabela (entre o nono e o décimo lugar) e com uma campanha especial, assim que subiu da League One, quando chegou aos playoffs, graças à quinta colocação.

Boa atmosfera

Um relatório da Uefa, no começo do ano, apontou que a Championship foi o terceiro campeonato europeu mais assistido do estádio na temporada 2016/17, com um total de 11 milhões de pessoas. Por ter muitas rodadas, a média de 20 mil pessoas ficou atrás de La Liga, Serie A, Ligue 1 e também da segunda divisão alemã, mas ainda está muito bom para um torneio de acesso. Os números cresceram em 2017/18, apesar de o Newcastle, com 50 mil pessoas por duelo, ter retornado à elite. O total subiu para 11,3 milhões de almas, com cinco clubes superando a média de 25 mil pessoas. O líder foi o Aston Villa, com 32 mil.

Chegou a hora do Nottingham Forest?

Ao fim da temporada, o Nottingham Forest completará 20 anos sem aparecer na elite inglesa. O bicampeão europeu, e time topo de tabela ao longo da década de oitenta, não tem nem batido na trave desde que perdeu os playoffs de 2009/10. No entanto, existe certa expectativa que a sua vez pode ter chegado. Ano passado, o clube foi comprado pelo grego Evangelos Marinakis, dono do Olympiakos, e está investindo. Tenta repetir a receita do Wolverhampton: trouxe uma barca de portugueses, como João Carvalho, Tobias Figueiredo, Gil Dias e Diogo Gonçalves. Nenhum nome tão grande quanto o de Rúben Neves, mas o gasto total com reforços foi de £ 24 milhões, o maior do Forest desde que caiu da Premier League, em 1998/99.

Stoke City quer voltar rapidinho

Fletcher, do Stoke City (Foto: Getty Images)

O Stoke City não quer passar muito tempo na segunda divisão, e tem um elenco altamente qualificado para o desafio: Jack Butland, Bruno Martins Indi, Ryan Shawcross, Joe Allen, Charlie Adam, Darren Fletcher, Ibrahim Afellay, Saido Berahino, Peter Crouch e outros nomes mais ou menos renomados da Premier League continuam no elenco. Na verdade, do time que caiu, perdeu apenas Xherdan Shaqiri, para o Liverpool, entre as peças mais importantes. E não mediu esforços para retornar assim que possível: seus £ 33 milhões são o maior investimento da divisão. Para o comando do time, trouxe Gary Rowett, com experiência no torneio pelas suas passagens no Derby County e no Birmingham City.

Loucura em Leeds

Marcelo Bielsa, técnico do Leeds

O Leeds entrou em um buraco profundo desde que gastou mais do que poderia para disputar a Champions League, em 2000/01, e acumulou dívidas impagáveis. Está prestes a disputar sua 15ª temporada longe da elite e aposta em um treinador fora dos padrões para conquistar o acesso. Depois de um péssimo trabalho no Lille, Marcelo Bielsa aceitou o desafio de devolver o tradicional clube do norte da Inglaterra para a primeira divisão, em uma mistura potencialmente explosiva entre o gênio (em todos os sentidos) do treinador e o calor da torcida do Leeds.