Espanha e Portugal se aproximaram para uma cooperação em conjunto no futebol. E que deve gerar um novo torneio de pós-temporada para os clubes de ambos os países. Nesta semana, os presidentes das duas ligas nacionais de futebol se reuniram em Madri e assinaram uma parceria para promover o “intercâmbio de experiências”. Além disso, o ex-árbitro Pedro Proença, atual mandatário da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, alinhou a criação de uma ‘Liga Ibérica’ com o espanhol Javier Tebas. A intenção é de que os planos saiam do papel até 2019.

Apesar do nome ambicioso, a Liga Ibérica deverá ser a princípio um torneio de tiro curto, aproveitando os laços culturais entre as duas nações. “Em termos desportivos, queremos ter a tão falada Liga Ibérica. Ainda este final de temporada, vamos ver se é possível ter um quadrangular com equipes portuguesas e espanholas, fomentando aquilo que queremos da parceria entre os dois países”, declarou Pedro Proença, ao jornal Record.

A cooperação entre as duas ligas, porém, não se limita a esse aspecto. Os portugueses almejam aprender com o modelo de negócio aplicado no Campeonato Espanhol, considerado um exemplo por todo o faturamento que consegue gerar. Em contrapartida, os espanhóis esperam absorver a experiência lusitana com o árbitro de vídeo, recém-implementado no Campeonato Português e que ainda é apenas um plano futuro em La Liga, sem dada estipulada para o uso da tecnologia.

As ligas de Espanha e Portugal também pretendem desenvolver projetos sociais em conjunto, assim como atuar lado a lado para a internacionalização de suas competições. Neste sentido, por mais que preencha apenas uma pequena parte do calendário e não seja tratada como prioridade, a Liga Ibérica pode ajudar. Resta saber se os gigantes espanhóis aceitarão bem esse projeto, dentro de um calendário que já costuma ser apertado.

Todavia, em tempos nos quais as discussões sobre a independência da Catalunha ganham força, a aproximação entre espanhóis e portugueses pode ser um passo à frente em direção a um plano maior, que unisse as três “nacionalidades” – como já é vislumbrado desde 2015. Dentro deste possível cenário, os clubes portugueses têm a chance de se beneficiar do tabuleiro político dos vizinhos, em uma liga supranacional que expandissem ambos os mercados. Por enquanto, de qualquer forma, tudo não passa de devaneios.