O técnico Joachim Löw falou pela primeira vez desde o fracasso da Alemanha na Copa do Mundo, na Rússia. Os então campeões do mundo acabaram eliminados na fase de grupos, o que gerou uma enorme decepção a quem esperava que os alemães pudessem até repetir o título conquistado no Brasil, em 2014. Löw admitiu erros dele e comentou também sobre a aposentadoria de Mesut Özil, depois de alegar sofrer racismo por conta da sua etnia turca. Além disso, o principal motivo da entrevista: divulgou os convocados da Alemanha para a estreia na Liga das Nações, contra a França, campeã do mundo, em Munique.

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Fracasso na Rússia

“Meu maior erro foi ter acreditado que nós poderíamos avançar da fase de grupos com o nosso estilo de jogo dominante”, admitiu Löw. “Foi quase arrogante da minha parte. Eu queria empurrar esse estilo de jogo o máximo possível para aperfeiçoá-lo ainda mais. Eu deveria ter preparado o time da maneira que fiz em 2014, quando tivemos mais um equilíbrio entre ataque e defesa”.

Segundo o técnico, ele e sua comissão técnica não conseguiram motivar o time como fizeram quatro anos antes, no Brasil, quando acabaram campeões. Disse que os dias seguintes à eliminação foram de “frustração, decepção e raiva”. Apesar da decepção, Löw afirmou que está motivado para continuar o trabalho, mesmo após 14 anos no cargo. “Nós estamos fortemente motivados e temos energia para consertar o que nós erramos na Rússia e vamos colocar nossa energia em trazer o navio de volta ao curso”, disse o treinador.

Aposentadoria de Özil

“Seu empresário me ligou e me disse que Mesut iria anunciar a sua aposentadoria”, afirmou Löw. “O próprio jogador não me ligou. Özil escolheu um caminho diferente e até este momento, ele não me ligou”, afirmou o treinador da seleção alemã.

“Eu tentei por telefone e por mensagem de texto, mas não consegui entrar em contato com ele. Eu tenho que aceitar isso, eu provavelmente subestimei toda a situação”, continuou. “O tópico nos tirou muita energia, mas não deve ser um álibi. O comunicado de Özil talvez tenha sido um pouco apressado”, continuou o treinador da Alemanha. “Nunca houve sequer uma sugestão que houvesse uma expressão de racismo na seleção”.

O diretor de seleções da Alemanha, o ex-jogador Oliver Bierhoff, meteu os pés pelas mãos com declarações duras e polêmicas sobre Özil, sugerindo inclusive que após a foto do jogador com Recep Erdogan o jogador “talvez devesse ter sido cortado”. Bierhoff, porém, admitiu o erro e lamenta a aposentadoria de Özil.

“Eu passei nove anos maravilhosos com Mesut na seleção”, afirmou Bierhoff. “Ele é um grande jogador e nós temos muito a agradecer a ele. A forma como a sua aposentadoria aconteceu é lamentável. Nós interpretamos mal a situação dessas emoções e também as reações políticas que aconteceram. Eu nunca vi opiniões divergirem tanto. Mas uma coisa é clara: um jogador da seleção não pode se tornar alvo de racismo”.

Gündogan quer continuar jogando pela Alemanha

Outro envolvido no episódio da foto com Erdogan, o meio-campista Ilkay Gündogan disse nesta semana que pretendo continuar jogando pela seleção alemã. “É importante para mim não jogar tudo para o alto porque foi um período difícil que eu pessoalmente passei. Eu ainda tenho orgulho de jogar pela Alemanha”, disse o jogador, em entrevista a jornais do país.

Perguntado sobre a aposentadoria de Özil, Gündogan lamentou. Disse que é uma “perda para o time”. Mais do que isso, ele exaltou Özil por ter aberto o caminho para que alguém como ele, também alemão de origem turca, chegasse à seleção. Ele disse que entende os motivos que levaram Özil a deixar a seleção, mas que ele lidou diferente com a situação por ter uma personalidade diferente. “Eu quase que só experiências positivas com a Alemanha. Eu quero ser bem claro em relação a isso”, afirmou o meio-campista do Manchester City. “Contudo, há pessoas que usaram aquela foto por razões políticas”.

Gündogan também elogiou o técnico Joachim Löw, que foi mantido como treinador da seleção alemã, apesar do fracasso na Rússia. A Alemanha foi eliminada ainda na fase de grupos do torneio. “Eu ainda sou um grande fã de Jogi Löw, e não apenas em termos esportivos da coisa”, disse. “Isso se aplica ao seu caráter, suas qualidades de liderança e sua humanidade. Eu não posso imaginar um técnico melhor para a seleção que ele no momento”.

Tr6es estreantes na convocação

Kehrer, Schulz e Havertz, novidades da seleção da Alemanha (Foto: reprodução/DFB)

O técnico Joachim Löw fez algumas mudanças no elenco que fracassou na Rússia. Saíram os aposentados Mario Gómez e Mesut Özil, além de Sami Khedira e Sebastian Rudy e o lateral Marvin Platternhardt. O goleiro Kevin Trapp também ficou fora, já que foram convocados apenas dois jogadores. As maiores novidades são as primeiras convocações dos zagueiros Thilo Kehrer, agora no PSG, e Nico Schulz, do Hoffenheim. O meia ofensivo Kai Havertz, do Bayer Leverkusen, completa a lista de novatos.

“No que diz respeito ao futuro imediato, é importante que façamos algumas mudanças na equipe, é importante que venham algumas mudanças no time”, afirmou Löw na coletiva de imprensa da Allianz Arena. “Nós temos que encontrar o equilíbrio certo entre jogadores experientes e jovens, energéticos e com fome”, disse. “Nós temos jogos importantes pela frente na Liga das Nações e nós tivemos que preparar o time para o desafio. Com uma boa mistura entre experiência e juventude, nós iremos encontrar aquele sentimento de determinação de volta. O time será diferente”.

A Alemanha logo voltará a campo pela Liga das Nações, no dia 6 de setembro, contra a Espanha. O Peru fará amistoso com a Alemanha no dia 9.

Veja os convocados:

Goleiro: Manuel Neuer (Bayern de Munique), Marc-André ter Stegen (Barcelona-ESP);

Defensores: Jérôme Boateng (Bayern de Munique), Mats Hummels (Bayern de Munique), Jonas Hector (Colônia), Joshua Kimmich (Bayern de Munique), Antonio Rüdiger (Chelsea-ING), Matthias Ginter (Borussia Mönchengladbach), Niklas Süle (Bayern de Munique), Jonathan Tah (Bayer Leverkusen), Thilo Kehrer (Paris Saint-Germain-FRA) e Nico Schulz (Hoffenheim);

Meio-campistas: Toni Kroos (Real Madrid-ESP), Julian Draxler (Paris Saint-Germain-FRA), Ilkay Gündogan (Manchester City-ING), Julian Brandt (Bayer Leverkusen), Leon Goretzka (Bayern de Munique), Leroy Sané (Manchester City-ING), Kai Havertz (Bayer Leverkusen).

Atacantes: Thomas Müller (Bayern de Munique), Marco Reus (Borussia Dortmund), Timo Werner (RB Leipzig) e Nils Petersen (Freiburg).