A seleção de Luxemburgo tem plena consciência de sua pequenez no futebol europeu. São mais de 100 anos servindo de saco de pancadas no continente. A Liga das Nações, contudo, surge em ótima hora aos Leões Vermelhos. A equipe nacional já vinha demonstrando evolução nos últimos meses e não surpreenderá se brigar pela vaga na repescagem da Euro 2020. Um belo sinal aos luxemburgueses surgiu neste sábado. Na estreia da competição, o time treinado por Luc Holtz goleou a Moldávia por 4 a 0 no Estádio Josy Barthel. É a segunda maior goleada da história da seleção, abaixo apenas dos 6 a 0 sobre o Afeganistão nas Olimpíadas de 1948. Além disso, na última vez que os nanicos haviam anotado quatro gols em uma mesma partida, ninguém menos que Eusébio estreava pela seleção portuguesa.

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O triunfo por 4 a 2 sobre Portugal aconteceu em 1961, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1962. Os portugueses contavam com a base formada pelos jogadores do Benfica, campeão europeu meses antes. Além disso, Eusébio ganhava a primeira chance na equipe nacional. O garoto havia estreado pelos encarnados pouco antes e impressionava por sua potência física, unida à habilidade. Reza a lenda que, para brincar com o novato de 19 anos, seus companheiros disseram a ele que as balizas em Luxemburgo teriam seu tamanho reduzido para dificultar seus chutes fortíssimo – o que ele ingenuamente acreditou, até caírem em gargalhadas. Mas, quando a bola rolou, seria melhor aos visitantes que sua meta fosse maior.

Luxemburgo conquistou uma das maiores vitórias de sua história. Ady Schmit foi o grande nome naquela partida, anotando três dos quatro gols dos Leões Vermelhos. Eusébio até marcou seu primeiro gol por Portugal, mas seria insuficiente para evitar a derrota por 4 a 2. Aquele resultado tirava as chances dos portugueses se classificarem ao Mundial, dando a vaga à Inglaterra, que completava o triangular. Além disso, seria uma prévia à campanha histórica dos luxemburgueses na Euro 1964, quando eliminaram a Holanda e chegaram às semifinais. Antes disso, os nanicos haviam marcado quatro ou mais gols apenas em outros quatro jogos: 4×1 sobre a Bélgica (1945), 5×4 sobre a Holanda (1940), 5×4 sobre a França (1914) e os mencionados 6×0 sobre o Afeganistão (1948).

A vitória de Luxemburgo neste sábado foi construída durante o segundo tempo. Na etapa inicial, Kevin Malget abriu o placar com uma cabeçada firme. Já na volta do intervalo, destaque principalmente a Oliver Thill, negociado recentemente com o Ufa, e Daniel Sinani, jovem protagonista do Dudelange na campanha histórica na Liga Europa. Dirk Carlson deu um passe fabuloso de trivela para Thill acertar um chute cruzado e ampliar, aso 15 minutos. Depois, Thill cobrou escanteio e Sinani arrematou com potência, de primeira, para fazer o terceiro. Já o último viria com assistência de Sinani, deixando Christopher Martins Pereira na boa para fechar o resultado histórico. E detalhe importante: exceção feita a Malget, todos os quatro envolvidos diretamente nos gols têm entre 20 e 21 anos.

Repetindo feito que antes só havia acontecido em 2017, Luxemburgo conquista três vitórias no mesmo ano. Em 2018, já bateu também Malta e Georgia em amistosos, além de ter empatado com Senegal. E não será surpreendente se ampliar este número, considerando que San Marino e Belarus são os outros adversários na Liga das Nações. Talvez esse seja apenas o começo a um momento marcante dos Leões Vermelhos. Difícil dizer se conseguirão, por ventura, repetir a Islândia e se classificar a uma competição internacional. Mas se o novo torneio da Uefa possui alguma serventia, é justamente para seleções nanicas.