O presidente Mauricio Macri fez duras críticas aos dirigentes do futebol argentino e fez com que as reações fossem fortes. Ex-presidente do Boca Juniors, o atual presidente e ex-prefeito de Buenos Aires tirou o dinheiro do governo do Fútbol Para Todos, que era integralmente bancado com dinheiro estatal. As emissoras privadas fizeram ofertas para transmitir o Campeonato Argentino, mas as propostas foram menores do que os clubes esperavam. Sem dinheiro, muitos clubes vivem situação dramática. Macri criticou a má gestão no futebol argentino.

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“O futebol está em uma crise terminal, talvez pior do que a que vivemos no país. E vejo que seus dirigentes, em vez de encarar o problema, de colocar sobre a mesa como fazemos os argentinos com os temas nacionais, seguem tratando de encontrar um atalho e não tratam as coisas com seriedade suficiente. Por pedido deles e confirmado por aclamação pela cidadania argentina, o Estado não vai participar mais do programa Fútbol Para Todos com a Asociación Del Fútbol Argentino. Há seis meses que eles têm isso claro, assim espero que tenham previsto como vão seguir a partir de fevereiro”, explicou Macri.

“Espero que a AFA e os clubes em geral abandonem a obscuridade e se transformam em instituições transparentes, confiáveis, que formem jovens para serem bons esportistas e boas pessoas. O caminho não é seguir fazer mal as coisas”, declarou ainda o presidente argentino.

O presidente do Vélez Sarsfield, Raúl Gámez, foi duro em críticas ao presidente do país em entrevista à rádio Telam, segundo relato do jornal Clarín. “Escutei o presidente dos argentinos falar sobre os dirigentes com uma soberba… Me dá vergonha, e eu votei nele. Quero que ele vá bem, mas que deixe o futebol porque a pressão que está exercendo sobre os clubes para que sejamos cada vez mais pobres não dá. Quer beneficiar seus amigos empresários para que façam negócios com o futebol”, disse o dirigente.

Gámez, porém, foi ainda mais duro e ofendeu o presidente. “É um filho da puta, o que fez ao futebol este tipo, este pedante, soberbo, lixo de presidente dos argentinos não tem perdão de Deus. Estou fora do sistema, não se pode lutar contra essas pessoas que abusam do poder”, bradou o dirigente do Vélez.

O Clarín procurou outros dirigentes, mas nenhum quis dar depoimentos públicos sobre o tema. Alguns disseram, em anonimato, que o dirigente do Vélez “é o único com coragem de dizer o que outros pensam”. Um outro dirigente, de um clube importante da capital argentina, disse: “Surpreende que alguém que foi dirigente de futebol e durante 10 anos acatou o que dizia [Julio] Grondona”. Macri foi presidente do Boca entre 1995 e 2007, antes de uma nova passagem breve em 2008.

Os clubes estão preocupados, porque assim como em boa parte do mundo, os direitos de TV representam a maior parte das receitas dos clubes. O Fútbol Para Todos ajudava a bancar boa parte dos clubes, que vivem grave crise financeira. Alguns atrasam salários e vivem ameaçados por greves de jogadores.

Sem o governo, há uma tentativa de vender os direitos para empresas privadas, mas as ofertas da Fox e da Turner foram consideradas insuficientes. A negociação com a ESPN esfriou. Marcelo Tinelli,vice-presidente do San Lorenzo, é quem conduz as negociações com as emissoras e pode trazer novidades. Ele tem ambições políticas de se tornar presidente da AFA, então é importante ter sucesso nas negociações.