A seleção brasileira já tem cara para a estreia, um time titular que parece definido, com qualidades bastante claras. O Brasil tem muitos talentos e jogadores capazes de mudar muito bem o jogo. Taticamente, o time tem uma questão para se atentar: o lado esquerdo com Marcelo, Coutinho e Neymar é avassalador com a bola. Mas e sem ela? O plano de jogo, ao que parece, será uma emulação do que acontece no Real Madrid, com Casemiro cobrindo aquele lado. E para isso, Paulinho terá que ser inteligente taticamente, assim como o próprio Coutinho.

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Casemiro é um dos jogadores mais inteligentes taticamente do mundo e, além disso, consegue cobrir um grande espaço de campo. No Real Madrid, ele é um dos principais responsáveis por manter o time bem equilibrado e dar ao próprio Marcelo para apoiar como um meia. Isso será feito, mas o Brasil precisará que Coutinho e Paulinho façam um excelente trabalho tático para que o time não sofra. Isso porque se Casemiro cobre o lado esquerdo, Paulinho precisa dar alguns passos atrás para fechar mais centralizado. Coutinho, que é o mais avançado deles, precisa também saber se posicionar, voltando pelo meio, como o próprio Tite falou após o jogo.

Paulinho é o jogador que mais vai precisar ler o jogo para mexer no seu posicionamento. Quando o time estiver atacando demais pelo lado esquerdo, Paulinho precisará dar esse passo para trás, para se posicionar mais ao lado de Casemiro do que à frente dele. Paulinho é um jogador de muitos desarmes, pode ajudar muito o time justamente nisso. Para isso, terá que estar bem posicionado e isso exige leitura tática do jogador.

Quando o time estiver atacando pela direita, com Willian na ponta e Paulinho estiver chegando mais à frente, será a vez de Coutinho ter que entender o jogo. A recomposição dele não será como a da Paulinho, será mais posicional. Coutinho não tem característica de fazer desarmes constantemente, mas tem velocidade. O seu principal trabalho será posicional: recuar pelo meio para, principalmente, atrasar a jogada do adversário. Quando mais ele atrasar, mais o time poderá se recompor com os laterais, volantes e zagueiros se posicionando para parar o adversário.

Se o trabalho de Paulinho e Coutinho não for bem feito, Casemiro ficará sobrecarregado e, mais do que isso, tornar o time vulnerável. Será preciso trabalhar pelo equilíbrio, sendo inteligente para recompor e até para fazer faltas, se for o caso. Todos os jogadores do ataque precisarão contribuir, mas o papel tático de Coutinho é o mais importante deles e, em uma escala um pouco menor, Paulinho.

No jogo contra a Áustria, o Brasil conseguiu equilibrar bem e viu o adversário se desmontar no segundo tempo. Com isso, explorou com vontade os espaços deixados. Mas a situação que deve ser a mais desafiadora é a mais óbvia: sair perdendo. Se o Brasil tiver que remontar um resultado, terá que avançar mais o time e se preparar para ser atacado. As recomposições não são necessariamente para marcar o adversário. Não é que Neymar e William precisem marcar os laterais e que Coutinho precise marcar como um volante. Trata-se de ser inteligente taticamente para atrasar o adversário e impedir uma progressão rápida demais, que, se realizada, tem potencial para ser muito destrutivo.

Contra as maiores seleções é que esse desafio será maior, porque é quem tem mais potencial para entender e explorar essas possíveis falhas. Em contrapartida, se o time se mantiver equilibrado, além de ter o potencial de ataque com todos esses jogadores, ainda conta também com Casemiro, que já mostrou, especialmente no Real Madrid, que pode ser perigoso em chutes de fora da área e em passes decisivos, normalmente pelo alto.