Sadio Mané possui origens bastante humildes. O atacante do Liverpool nasceu em Sédhiou, uma cidadezinha de 24 mil habitantes no interior de Senegal, próxima à fronteira com Guiné-Bissau. E o garoto não enfrentou apenas as limitações do ambiente onde cresceu, em seu caminho para se tornar jogador de futebol, mas também a resistência de seus pais. Nesta semana, o senegalês declarou que seus pais eram totalmente contra a ideia de se tornar profissional no futebol, por não acreditarem que isso pudesse acontecer.

“Eu nasci em uma vila que nunca viu uma pessoa sair dali para ser jogador nas grandes ligas. Eu me lembro que, quando era pequeno, meus pais sentiam que eu deveria estudar para me tornar um professor. Eles pensavam que o futebol era perda de tempo e que eu nunca teria sucesso nisso. Eu respondia sempre: ‘Esse é o único trabalho que me permitirá ajudá-los. E eu acho que tenho a chance de me tornar profissional’. Eles não tinham certeza porque morávamos longe da capital. Então, eram contra a ideia. Nunca acreditaram nisso até o dia em que assinei meu primeiro contrato profissional”, declarou Mané, em entrevista ao Bleacher Report.

O atacante, ainda assim, admite que a ajuda dos pais em parte do processo foi fundamental para cumprir seu objetivo: “Para eles, meu sonho não era possível. E eles não estavam totalmente errados, porque não são muitos os que progridem, mas eu queria realizar meu desejo de virar um jogador de futebol. Eu dei tudo por isso. Chegou ao ponto que meus pais realmente não tinham escolha, então eles começaram a me ajudar e isso funcionou. Hoje em dia, eles são muito orgulhosos”.

Em entrevistas anteriores, Mané revelou que seus pais chegavam mesmo a aplicar castigos físicos para tentar dissuadi-lo da ideia de se tornar jogador de futebol. Seu pai era o imã da aldeia onde moravam. Aos 15 anos, ele precisou fugir para Dacar, mas seria levado de voltar à vila. Depois, sua nova fuga aconteceria a Mbour, cidade onde passaria por um teste. Apesar das roupas desgastadas e da chuteira ruim, ele conseguiu convencer os avaliadores. Juntou-se à Academia Génération Foot, parceira do Metz, até ser levado para o futebol francês. Depois, se destacaria ainda por Red Bull Salzburg e Southampton, antes de ser contratado pelo Liverpool.

“Eu tive uma infância normal, como a de qualquer criança naquela idade: ia à escola, jogava nas ruas com meus amigos, passava um tempo em casa com minha família. Comecei jogando nas ruas e no campinho do meu vilarejo. Não era o melhor campo, não era feito para o futebol, mas tentávamos jogar ali, porque era o tipo de campinho que você encontrava naquele lugar. O futebol sempre foi meu sonho, comecei jogando quando tinha cinco anos”, aponta Mané.

Além disso, o atacante afirma que teve duas grandes inspirações no início de sua carreira: Ronaldinho e El-Hadji Diouf. “Quando eu era garoto, tive vários jogadores favoritos, mas Ronaldinho era o maior, ao lado de Diouf. Eles realmente me inspiraram. Esses dois jogadores eram exemplos para mim. Tinham muita habilidade e passavam pelos marcadores facilmente com seus dribles. . Eu era um bom driblador quando jovem, mas agora tenho mais experiência e não faço mais algumas coisas sem serventia. É sobre anotar gols para o meu time, como meus ídolos faziam em seu auge”, ressalta.

Sobre o Liverpool, Mané ressaltou a importância do apoio coletivo que existe, exaltando principalmente Roberto Firmino: “Muitas pessoas falam sobre mim e o Salah. É bom ouvir isso, mas a força desse time do Liverpool é o coletivo. Você não pode se esquecer de um cara lá na frente que se chama Firmino, trabalhando feito um animal para facilitar as coisas para nós. E os rapazes mais atrás fazem um trabalho extraordinário. Tentamos nos beneficiar disso e ajudar o time a seguir em frente”.

Por fim, o senegalês falou sobre os projetos sociais que desenvolve em sua terra, chegando mesmo a fazer uma doação para a construção de uma nova escola: “Um dos meus objetivos é ajudar as pessoas do lugar de onde vim. Há muitos projetos a caminho. Com o tempo, acho que esses projetos terão forma e no futuro veremos outros garotos alcançando o que eu consegui. Não sou alguém que gosta de festas ou que viaja muito. Quando não estou jogando, prefiro descansar com meus amigos e minha família. Durante os feriados, eu sempre volto à minha vila para ficar com a minha família e meus amigos de infância”