O Vasco esteve muito próximo de um catástrofe na terceira fase da Libertadores, mas, graças as mãos de Martín Silva, volta da Bolívia apenas com o vexame na bagagem. Depois de ter vencido por 4 a 0 em São Januário, foi facilmente dominado pelo Jorge Wilstermann, levou três gols nos primeiros 16 minutos, outro no segundo tempo e precisou da disputa de pênaltis para vencer uma eliminatória que parecia decidida no jogo de ida.

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Ao fim dos 90 minutos, o Vasco teve que ficar feliz por ainda ter a chance de se classificar, porque o Jorge Wilstermann teve um punhado de oportunidades para marcar mais vezes e eliminar os cariocas ainda no tempo normal. Foi uma atuação muito ruim do time de Zé Ricardo, com falhas defensivas gritantes, principalmente nas bolas aéreas e no setor protegido por Yago Pikachu, baixa concentração e pouco poder de reação. Como disse Pikachu: “É inadmissível o que jogamos hoje. É um jogo para se apagar. A gente tem que ver agora o que aconteceu”.

Aos 6 minutos, Zenteno apareceu na primeira trave, em cobrança de escanteio, e abriu o placar para o Jorge Wilstermann. Aos 7, Serginho, que já havia dado a assistência do primeiro gol, cruzou da esquerda e Pedriel apareceu entre marcadores do Vasco, sem ser pressionado, e mandou para as redes, também de cabeça.

Poderíamos colocar a partida, até o 2 a 0, na categoria do susto. O Vasco poderia ter sido vítima da pressão inicial do adversário, na altitude de Sucre, que não é das mais altas, mas influencia um pouco na partida, e umrelaxado pelo tamanho da vantagem que tinha. Mas não foi isso que aconteceu. Os cariocas nunca conseguiram se estabilizar no jogo e, aos 16, levaram o terceiro gol do Jorge Wilstermann. De novo no setor de Pikachu, Serginho caiu pela ponta e cruzou para Chávez, que apareceu, de novo, entre marcadores do Vasco para fazer 3 a 0.

Agora, chegamos ao momento Deus nos acuda. Fora de casa, e jogando muito mal, o Vasco precisava passar os próximos 75 minutos sem sofrer gol. Paulão quase jogou contra o próprio patrimônio e Alex Silva apareceu livre na segunda trave, mas mandou para fora. No segundo tempo, Lucas Gaúcho quase marcou o quarto, em outra jogada de Serginho. Ele mesmo cobrou uma falta da intermediária e achou Zenteno, sem marcação nenhum, no meio da área do Vasco. A cabeçada foi certeira: 4 a 0.

O Vasco deu uma leve acordada e conseguiu duas faltas perigosas. Uma foi cobrada por Rios na barreira e a outra deveria ter sido pênalti, o que praticamente classificaria os brasileiros. Rildo foi derrubado em cima da linha da grande área, mas o árbitro anotou a infração fora dela. Insatisfeito com as dificuldades que o seu time enfrentava na partida, Thiago Gallardo decidiu piorar a situação e arremessou a bola na cara de Serginho. Levou o cartão vermelho direto. Antes do fim do jogo, Alex Silva teve a bola pingando à sua frente para fazer o quinto e mandou para fora.

Pênaltis. Rios bateu bem e fez 1 a 0 para o Vasco. Lucas Gaúcho foi displicente, telegrafou o canto e Martín Silva pulou à direita para defender. Yago Pikachu ampliou para 2 a 0. Melgar descontou: 2 a 1. Desábato mandou na trave. Mas Meleán, chutando no mesmo lado de Lucas Gaúcho, também parou nas mãos de Martín Silva, e o Vasco seguiu em vantagem.

Wellington fez de tudo para errar, com uma sambadinha antes de chutar e ainda acertando parte da trave, mas não conseguiu e fez 3 a 1 para o Vasco. Ortiz descontou para 3 a 2. Rildo teve a bola da classificação nos pés e….perdeu. Alex Silva precisava converter sua cobrança para manter o Jorge Wilstermann na disputa, mas Martín Silva, agora pulando para o outro lado, fez a defesa e se consagrou como o herói do Vasco e um dos únicos que se salvou na noite desta quarta-feira.

O Vasco fez 10 gols e não sofreu nenhum nos seus primeiros três jogos das fases preliminares da Libertadores e conseguiu, em apenas 90 minutos, deixar a torcida preocupada e as grandes atuações anteriores ofuscadas por uma quase eliminação que deixaria feridas profundas no trabalho de Zé Ricardo.

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