Lionel Messi não é um jogador que estamos acostumados a ver e ouvir falar muito. Nesta temporada, aos 31 anos, o argentino se tornou o capitão do Barcelona, depois da saída de Andrés Iniesta. No Barça, assim como em alguns outros clubes, capitania é cargo de quem tem mais tempo de casa. Chegou a vez de Messi, seguido por Sergio Busquets e Sergi Roberto. Em entrevista ao programa ‘Tot Costa’, da Catalunya Ràdio, ele falou sobre as ambições do time na temporada, Champions League, sobre a faixa de capitão e até sobre a saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid. Uma rara oportunidade de ouvir sobre o craque falando de tantos assuntos diferentes.

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O novo papel de capitão

Muitos se surpreenderam com a fala de Messi no Troféu Joan Gamper, tradicional jogo de abertura de temporada do Barcelona. Como capitão, ele pegou o microfone e falou com os torcedores presentes no estádio. “Não tinha nada preparado o que ia dizer, mas eu estava preparado para falar diante do público, sabia que tinha que fazer isso e estava pronto, mas não tinha o discurso pronto. O discurso foi um pouco do que sentíamos naquele momento, o que sentia o barcelonismo”, disse o jogador, se acostumando com o novo posto, de capitão.

“Para mim é um orgulho ser capitão do Barcelona por tudo o que significa. Minha maneira de atuar não mudará nada dentro e nem fora do campo. Já era um dos capitães nos últimos anos”, disse. “Me sinto muito identificado com Xavi, Puyol, Iniesta… Todos crescemos juntos e sentimos o Barcelona da mesma maneira. Eu tenho similaridade com Iniesta, mas os três são um guia sensacional para mim”.

Champions League

“Já incomoda, já incomoda”, disse o capitão do Barcelona sobre não conseguir ganhar a Champions League nos últimos três anos. “Temos que almejar isso como clube, como vestiário e como elenco. Temos um plantel espetacular para competir e lutar pela Champions. Não falamos por falar”, disse Messi. O Barcelona foi campeão em 2014/15, com o trio Messi, Luis Suárez e Neymar como destaque.

“Viemos de três anos seguidos de ficarmos fora da Champions e doeu mais na temporada passada pelo resultado que tivemos em Roma. Temos um plantel espetacular e podemos lutar por isso. Se nos escaparam sérias opções de ganhar a Champions na época de Guardiola, quando jogamos semifinais contra Inter e Chelsea. Então éramos superiores a eles, mas não conseguimos chegar à final por detalhes e por pequenas coisas”, disse Messi.

“Em momentos pontuais, quando as coisas se complicaram, não soubemos reagir. Em Roma não entramos na partida. No início, geramos dois contra-ataques e logo, sem fazer nada, eles nos marcaram dois gols e nos escapou passar às semifinais”, explicou.

Dinheiro manda

“Há clubes com muito dinheiro e agora o jogador agora se move por isso, quem lhe dá mais dinheiro é onde acaba indo. As coisas mudaram de um tempo e agora os proprietários são multimilionários. Antes todos queriam ir ao Barcelona ou ao Real Madrid, que eram os melhores, mas agora não, agora tudo foi igualado e há pouca diferença entre as equipes de Manchester, o PSG, o Real Madrid, nós, o Bayern, os italianos…”.

Esquentado quando perde

Messi é um jogador muito competitivo e confessou que fica esquentado quando perde. Disse que tenta tratar isso de outro jeito desde que nasceu seu primeiro filho. “Eu entendo de outra maneira desde que Thiago nasceu”, disse. “Thiago, o mais velho, começou a gostar de futebol e a me acompanhar no Barcelona e na seleção. Sabe que não se pode falar do tema depois de uma derrota ou um golpe duro. Eu sou de me esquentar por qualquer jogo, mas às vezes deixo meus filhos ganharem”.

Contratações do Barcelona

“Os que vieram são todos muito bons. Eu gostei de todas as contratações que o clube fez. Se tenho que dizer um nome, digo o de Arthur. Não o conhecia pessoalmente e me surpreendi. Guardadas as devidas proporções e sem querer entrar em comparações, seu estilo é muito parecido com o de Xavi porque quer ter a bola, sabe passa-la, não a perde, joga curto e seguro. Tem o estilo dos jogadores daqui. Rapidamente pegou o nosso estilo de jogar”.

Messi também elogiou o meio-campista Arturo Vidal, outro contratado do Barcelona. “É de um tipo de jogador que ajuda muito em uma equipe acostumada a defender coma bola, com a posse. É importante tê-los. Trabalha muito. Cada vez pesa mais o tático, o físico, as duas linhas de quatro muito próximas, sem espaços, e as partidas se tornam mais chatas, como se viu na Copa. E nós somos sempre os menores [em altura] da Champions. Assim, é bom ter jogadores desse estilo”, explicou o meia.

Saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid

“O Real Madrid é uma das melhores equipes do mundo com os jogadores e um elenco muito bom, é evidente que a ausência de Cristiano Ronaldo os faz menos bons e faz a Juventus um claro favorito a ganhar a Champions. Cristiano Ronaldo foi para uma equipe muito boa”, avaliou Messi. “Me surpreendeu. Não o imaginava fora do Real Madrid nem que fosse para a Juventus. Havia muitas equipes que se especulava e não aparecia a Juventus”.

Riqui Puig, revelação da base

“Fez uma pré-temporada espetacular e treina conosco. É bom que o clube volte a confiar na base, esse tipo de jogador havia sido perdido nos últimos anos. Os garotos quando entram no vestiário ficam mais soltos”, disse.

Sobre ficar em Barcelona

“Aqui eu fiz a minha vida, estou aqui desde os 13 anos, meus filhos nasceram na Catalunha. Não tenho nenhuma necessidade de ir a lugar algum. Estou na melhor equipe do mundo e a cidade, se não é a melhor, está entre as melhores”, disse sobre Barcelona.

Aposentadoria

“Não sei o que farei, onde vou terminar [a carreira]. Quando chegar o momento de deixar o futebol, seguramente me dedicarei a algo que gostei, descobrirei mais adiante. A ideia é continuar a viver aqui, estamos muito bem, Thiago tem seu grupo de amigos. Mateo fala catalão melhor que ele, eu falo com eles e poderia falar mais, porém prefiro manter assim”, disse.

Com contrato até 2021, Messi não tem intenção de sair do clube antes disso. Se é que vai sair. “O clube pode ficar tranquilo. Deve apostar na base, seguir puxando jogadores porque contratações importantes sempre vieram toda a vida. Agora me vejo jogando até que termine o meu contrato; logo falaremos se vou continuar ou não”, afirmou o craque.

Cada vez mais armador

Messi tornou-se um goleador, a ponto de ser o artilheiro da liga espanhola e o Chuteira de Ouro da Europa na última temporada, como já tinha acontecido muitas vezes nos últimos anos. Apesar disso, ele diz que tem gostado mais de servir os companheiros. “Eu gosto de fazer gols, mas já não estou obcecado. Prefiro dar assistências, agora se eu faço o gol, não é nada mal”, contou o jogador.

Se você quiser assistir mais da entrevista, está completa abaixo: