Depois da Federação de Futebol Holandesa (KNVB) e da CBF terem seus pedidos para usar a tecnologia de vídeo para auxiliar a arbitragem, é a vez da MLS tentar a sorte. A liga americana de futebol vai testar o sistema em amistosos entre seus times, em outubro. A ideia, porém, é usar de maneira oficial em 2016, se a Fifa permitir.

LEIA TAMBÉM: Quem são os caras que comandam a arbitragem no Brasil e na Fifa?

O jornal The Times falou com Jeff Agoos, vice-presidente de competições da MLS, sobre a ideia do uso de vídeos. Segundo ele, todoso os donos de clubes são a favor do uso do vídeo para revisar decisões importantes e querem que a liga adote a novidade a partir do início da próxima temporada, em março.

A revisão de jogadas em vídeo será testada apenas em três situações consideradas chave: pênaltis, cartões vermelhos e gols. “Em todos esses casos, há uma parada natural”, disse Agoos. “Nossos resultados mostram que há tempo suficiente para dar informações ao árbitro. Dependendo do incidente, pode ser 40 segundos a mais de um minuto, tempo suficiente para rever uma decisão”, explicou o ex-jogador, agora dirigente da MLS.

“Nós somos grandes defensores do uso de tecnologia para melhorar o jogo sem interromper o fluxo. É sobre se casar essas duas coisas. Em última análise, acreditamos que o árbitro deve ter tanta informação quanto os torcedores que vão ao jogo, se não mais. No momento, o torcedor tem mais em seu smartphone. Nós não achamos que isso faça sentido”, explicou ainda o vice-presidente da liga.

A chamada tecnologia na linha do gol foi finalmente utilizada em uma Copa do Mundo em 2014, pela primeira vez. Foi imediatamente adotada também pela Premier League e a Bundesliga também passou a utilizar o sistema. Outras ligas já manifestaram interesse. Apesar dos temores que esse tipo de tecnologia fosse atrasar o jogo ou atrapalhar o seu andamento natural, nada disso aconteceu e erros foram evitados. O uso de replay em vídeo pode ser uma forma de ajudar a minimizar os erros no esporte de alto nível.

No Brasil, já vemos decisões que parecem ter sido auxiliadas por algum replay, visto por alguém que está fora do campo, e avisou aos árbitros em campo. O uso do vídeo não é um problema, desde que regulamentado. Os erros precisam ser mesmo evitados e já está claro que o vídeo não irá atrapalhar o fluxo do jogo mais do que reclamações sobre esses mesmos lances capitais já fazem atualmente. E ainda teríamos o benefício de diminuir o número de erros.

O uso de replays em vídeos não irá acabar com os erros de arbitragem, mas será uma grande ajuda. Há lances que a discussão sobre foi ou não foi pênalti, por exemplo, fica por muitos e minutos a fio em programas esportivos. O mesmo com expulsões. Mas a ideia é acabar com os erros grosseiros, porque os lances discutíveis continuarão discutíveis. Ao menos, poderemos evitar que gols sejam validados quando estão claramente irregulares.

O uso em lances chave da partida, incluindo pênaltis, expulsões e gols, irá naturalmente fazer com que lances de impedimento também tenham menos erros. Afinal, os árbitros terão um incentivo extra a deixar que o lance siga e, se sair o gol, haverá a possibilidade de revisar o lance e apontar um possível impedimento. Evitaríamos muitas situações absurdas que já vimos acontecer. Já seria um grande avanço.

Curioso também pensar que depois do FBI fazer o estrago que fez na Fifa, expondo diversos dirigentes corruptos e derrubando vários deles de seus cargos, podemos agora ver uma mudança dentro de campo puxada pela liga americana de futebol. É difícil imaginar que a International Football Association Board (IFAB), que cuida das regras, aprove o uso de replays. Mas neste momento, também parece difícil que a Fifa tenha organização e força para negar qualquer coisa que venha dos Estados Unidos.