Depois de quase quatro anos esperando, David Beckham pode finalmente dizer que é dono de uma franquia que jogará na Major League Soccer. O ex-jogador ganhou o direito de comandar um clube na liga norte-americana em 2014, mas viu outras franquias ‘furarem a fila’ e estrearem primeiro na competição por estarem mais preparadas, mesmo que algumas também tenham saído do zero, como o projeto do inglês. Nessa segunda-feira (29), a entrada oficial da franquia na liga foi feita, mas o suspense continua porque ninguém revelou o nome do clube e a única informação disponível é que o time entra na liga a partir de 2020.

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A falta de mais informações, como nome e escudo, além da vaga data de entrada da equipe da Major League Soccer faz com que a cerimônia realizada perca um pouco da credibilidade. Anunciar que a franquia estará na liga, algo já feito anos atrás, não empolga os fãs do futebol nos Estados Unidos e soa como uma forma de ajuda da MLS para conseguir investidores ou apenas enfiar o sonho de Beckham goela abaixo das demais franquias e dos outros torcedores. De 2014 até hoje, muitos pontos citados acima já deveriam estar prontos. Houve tempo de sobra para que o ex-jogador pensasse em um nome ou mesmo contratar alguém para desenvolver um escudo enquanto tratava da parte burocrática.

Em tempo, para não gerar tanto pânico e irritação, a Major League Soccer diz que as informações como nome e escudo serão divulgadas em outra data, talvez com um novo evento pomposo e desnecessário.

A franquia de Beckham começou a ser idealizada em 2007, quando ele chegou na MLS para atuar no LA Galaxy. Em contrato firmado com a liga, o inglês ganhou o direito de adquirir uma vaga na competição com desconto. Para conseguir um lugar no torneio, atualmente, é preciso pagar cerca de 150 milhões de dólares enquanto Beckham desembolsou “apenas” 25 milhões. Uma vantagem considerável que gerou polêmica com outros dirigentes americanos. Em 2014, um ano após se aposentar dos gramados, o projeto foi anunciado pelo comissário Don Garber. Os problemas do ex-jogador, no entanto, estavam apenas começando.

Nos últimos anos, Beckham teve muitos problemas para encontrar investidores que o ajudassem a tocar o projeto, principalmente na parte financeira. A notícia de que sua franquia só entraria na liga quando tivesse condições financeiras de bancar um estádio também empacou tudo, pois as buscas por um terreno em Miami foram lentas e as conversas com o governo local foram lentas. Enquanto isso, Atlanta United, Minnessota United, LAFC foram anunciados na liga e já estrearam, sem contar a franquia de Nashville que começa em 2020.

Foi só em julho do ano passado que o ex-jogador conseguiu um terreno e um acordo com o condado de Miami-Dade para a construção do estádio. Os problemas financeiros do governo local, gerados pela ajuda nas obras do Marlins Park, da Major League Baseball, também atrapalharam os planos de Beckham por um tempo. Problemas resolvidos, agora a sua franquia sairá do papel.

Miami não tem um clube na MLS desde 2001, quando o Miami Fusion fez ótima campanha na liga, mas decidiu abandonar a competição por problemas financeiros. A franquia chegou a ter os históricos Pablo Mastroeni e Eric Wynalda em seu elenco, além de ter sido a primeira equipe de Kyle Beckermann. O atacante Paulinho McLaren e o técnico Ivo Wortmann foram os brasileiros de mais destaque a passar pelo Fusion. Desde então a MLS tenta aproveitar a forte presença latina na região – considerada fortíssima para o futebol nos Estados Unidos – para emplacar um novo clube, mas só agora conseguiu.