O goleiro brasileiro Alisson está prestes a trocar de clube na Europa. O diretor esportivo da Roma confirmou que a negociação do jogador da seleção brasileira está avançada e ele deve deixar o clube e assinar com o Liverpool. O valor da negociação não foi confirmado, mas gira em torno de € 75 milhões. Monchi, conhecido desde a época do Sevilla de ser um dirigente que não trata nenhum jogador como inegociável, falou sobre o que levou à iminente saída do brasileiro.

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“Não fechamos nada, o acordo será fechado quando tudo estiver pronto”, afirmou Monchi na coletiva de apresentação do atacante Justin Kluivert. “Ele está em Liverpool, é verdade, e é verdade que as negociações estão avançadas, mas não está fechado. Se tudo seguir normalmente, será fechado em breve”.

“Eu expliquei muitas vezes, o trabalho de um diretor esportivo não é apenas contratar jogadores, planejar, mas também entender o que é melhor para o clube. O lado financeiro também tem que ser considerado”, explicou o dirigente espanhol. “Recebemos uma proposta muito grande, fora do mercado. Nós avaliamos os prós e contras e tomamos a decisão de conversar com o Liverpool”.

“A ambição é a mesma, se não maior. Nós vendemos dois jogadores importantes com [Radja] Nainggolan e Alisson, nós contratamos 10 jogadores antes de qualquer outros. Nós estamos trabalhando para encontrar jogadores para se tornarem importantes para o time, a ambição é fazer as coisas com a cabeça. Você não pode perder a cabeça, eu não quero fazer nada que colocará a Roma em dificuldades”, explicou ainda Monchi.

“Vamos olhar para o exemplo recente de um importante clube neste país que entrou em falência [Bari], o exemplo de um clube muito grande que não pode jogar na Europa [Milan]. Eu vim para cá tentar e fazer o time mais forte possível para muitos anos, não apenas para um ano”, afirmou o dirigente. “Eu estou 100% convencido que antes de chegar ao 10º andar, você tem que subir todos os degraus. No ano passado nós vendemos [Mohamed] Salah, [Antonio] Rüdiger e [Leandro] Paredes e nós tivemos a nossa melhor temporada em 10 anos”, analisou.

“Nós temos que ter ambição, mas com a nossa cabeça no lugar. Alissom é muito forte, se não for o melhor do mundo, então ele é certamente está lá em cima”, avaliou o dirigente. “Mas ele tem que ir em sua jornada também, no ano passado [Wojciech] Szczesny [que foi para a Juventus] parecia que seria o fim do mundo, mas nós tínhamos um grande goleiro que precisava de tempo”, afirmou ainda Monchi. “Eu sei que não existe tempo para os torcedores, mas às vezes é o que você precisa”.

“Eu tenho que agradecer Alisson, eu nunca senti ele me pressionando para sair, mas se ele aceitou então é porque ele quer ir. Se ele tivesse vindo para mim e dito que ele não queria ir, então poderia chegar uma proposta até de € 200 milhões que ele não sairia”, contou o dirigente.

“Quando estava lendo sobre tantos grandes clubes como Real Madrid ou Chelsea estando interessado em Alisson, então eu podia ter feito duas coisas. Eu poderia fingir que não havia nada ou seguir em frente, ou eu poderia entender que é algo que poderia acontecer e trabalhar pelo melhor do clube”, continuou Monchi.

“As pessoas podem dizer quaisquer coisas falsas que elas queiram, mas tudo que eu diga ou faça é pelo bem do clube. No último mês eu percebi que algo iria acontecer, embora não fosse certo que chegaríamos a um acordo. Quando um clube tão forte financeiramente chega, você começa a entender que algo pode acontecer”, disse.

Com Alisson praticamente vendido, quem chega para o seu lugar? Monchi teve que responder sobre a especulação que a Roma está buscando Robert Olsen, goleiro da Suécia, que fez uma boa Copa do Mundo. “Eu vou fingir que não ouvi essa pergunta… Robert Olsen é uma possibilidade, mas não é a única: nós trabalhamos calmamente, sem pressa”, respondeu o dirigente.

“Nós estamos [Antonio] Mirante, Fusato e os rapazes do time primavera [categorias de base]. É melhor estar certo e convicto, encontrar as melhores condições financeiras para o clube sem fazer algo sob pressão depois da saída de Alisson. Para mim, a pressão mais forte para suportar é a minha, ninguém coloca mais pressão nos meus ombros que eu mesmo”, afirmou ainda o dirigente.