Futebol é o esporte mais popular no mundo, mas nos Estados Unidos, ainda é um esporte um tanto alternativo, mesmo com o inegável crescimento que a MLS, principal liga do país, tem visto nos últimos anos. A final de 2015 teve um tempero alternativo. Não são dos times mais conhecidos e midiáticos da liga.

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Não estão em uma megalópole, o que faz por si só haver muita atração ao time, como Nova York ou Los Angeles. São dois times que vivem o futebol de forma pulsante. O Columbus Crew é de Columbus, cidade que é usada como base da seleção americana, por ter uma torcida presente e fanática.  Já o adversário, Portland Timbers, é de Portland, Oregon, onde o futebol se tornou uma paixão simbolizada na festa no estádio dos Lenhadores. Uma final hispter.

Em uma final hipster, só poderia mesmo dar Timbers. Uma vitória que coloca o time do Oregon no mapa de campeões. Mais do que isso: é o primeiro time de Portland a ser campeão de uma das grandes ligas americanas desde o Portland Trail Blazers, campeão da NBA em 1977. Uma vitória por 2 a 1 que é recheada de curiosidades por ter sido contra o Columbus Crew, no estádio de Columbus, que tem muito a ver com o futebol dos Estados Unidos.

Columbus, cidade da seleção americana

Em um país com tantos latinos e descendentes de latinos, além de ser um país de imigrantes, os Estados Unidos enfrentam um problema quando jogam as Eliminatórias: em alguns lugares do seu território, os adversários têm mais torcida. O principal rival no futebol, o México, consegue facilmente ter mais torcedores que os americanos em Los Angeles ou Nova York, por exemplo.

Por isso, os americanos fazem questão de mandar os jogos contra o México em Columbus. Lá, a seleção americana consegue garantir que terá maioria no estádio e exerce uma imensa pressão no adversário. Columbus é a panela de pressão americana. Os quatro últimos jogos com o México pelas Eliminatórias para a Copa com mando dos americanos foi no estádio do Columbus Crew. Por isso, há uma história no estádio.

Portland, a cidade hipster
Torcedores do Portland Timbers durante o jogo com o Columbuss Crew (AP Photo/Jay LaPrete)

Torcedores do Portland Timbers durante o jogo com o Columbuss Crew (AP Photo/Jay LaPrete)

Portland é uma cidade que abriga muitas startups e tem na tecnologia uma das suas mais proeminentes indústrias. São mais de 1.200 empresas de tecnologia na área metropolitana, o que leva a região a ser chamada de Silicon Forest, em alusão às florestas existentes por lá e fazendo um trocadilho com o Silicon Valley, no norte da Califórnia. Além disso, é também em Portland a sede americana de duas gigantes do esporte: a Nike e a Adidas. Além de tudo isso, Portland é uma cidade repleta de hipsters. E não é por acaso.

A cidade e é famosa por ser um lugar que não só facilita como incentiva seus moradores a usarem bicicletas, algo que hipsters costumam gostar. Hipsters são jovens e a cidade tem fama de ser um bom lugar para casais sem filhos. É também uma cidade de muita música indie, repleto de lugares de gastronomia, sem ser necessariamente lugares de moda. Tem também um baixo custo de vida se comparado com grandes cidades americanas. É um lugar onde se valoriza o pensamento alternativo, que não seja só o do sonho americano, trabalhar, ganhar dinheiro, formar família, ficar rico… Se valoriza ideias.

Futebol, nesse contexto, faz todo sentido. É um esporte para quem quer conhecer as ideias fora do círculo americano, se relaciona com o mundo, vai além do tradicional esporte americano, inclusive com regras que fogem muito ao modelo do país. Futebol floresceu e se tornou uma atração. Não é por acaso que o time, Timbers, tem uma média de ocupação do estádio de 100%. Isso mesmo: o estádio está lotado em todos os jogos. A capacidade do estádio, de 21.144 pessoas, é preenchida em todos os jogos. A franquia, fundada em 2009 e na MLS desde 2011, finalmente colheu os frutos do seu trabalho ao chegar à final.

O jogo
Jogadores do Timbers comemoram o gol do time (AP Photo/Paul Vernon)

Jogadores do Timbers comemoram o gol do time (AP Photo/Paul Vernon)

Em sua primeira final, o Timbers tratou de resolver tudo rapidamente. Em sete minutos, o time já vencia por 2 a 0, graças a uma falha horrorosa do goleiro Clark logo a 26 segundos. Ele recebeu um recuo de bola, demorou a chutar, Valeri dividiu com ele e a bola entrou. Depois, antes de completar sete minutos, foi a vez de Wallace marcar, de cabeça, o segundo gol, após jogada pelo lado direito. Um cruzamento preciso.

O gol do Crew também veio no primeiro tempo. O artilheiro Kei Kamara, destaque do time, aproveitou uma falha de marcação, ficou com a bola, em meio a uma confusão na área, e marcou o gol. Foi o seu 26º na temporada, o quarto nos playoffs. Termina como artilheiro da temporada na MLS.

No segundo tempo, o Timbers teve chances, algumas bem claras, incluindo uma polêmica que teve confusão dentro da área e um pênalti que não foi marcado a seu favor. Mesmo assim, ficou com a taça com a vitória, que é inédita. A Timbers Army, torcida da equipe, comemorou, mesmo na casa do adversário.

Fator Caleb Porter

Caleb Porter assumiu o comando do Timbers na temporada 2013 e já conseguiu sucesso imediato. Foi o primeiro na Conferência Oeste e o terceiro no geral. Desde então, Diego Valeri, ex-Lanús, se tornou o destaque do time. E foi novamente destaque nesta final, a primeira da história da franquia. Mas Porter tem muito a ver com esse sucesso que culminou no título em 2015.

Aos 40 anos, o técnico é o quarto na história a ganhar a MLS e a NCAA (o campeonato universitário). Antes dele, Bruce Arena, Sigi Schmid e Steve Sampson também conseguiram. Ex-jogador, Porter atuou até 2000, quando começou como assistente na Universidade de Indiana. Comandou a Universidade de Akron, pela qual foi campeã da NCAA em 2010, a seleção americana sub-23 e, desde 2013, o Timbers. Um técnico que ainda é jovem, mas já mostrou qualidade.

Os gols