Naby Keita chega ao Liverpool sob grandes expectativas. O meio-campista era um sonho de consumo antigo de Jürgen Klopp e aventou-se até mesmo a possibilidade de que pudesse se juntar a Anfield na temporada passada. O RB Leipzig não liberou seu protagonista, mas, um ano depois do negócio ser ratificado, ele chega para ser uma importante engrenagem na equipe. E possui bons exemplos dentro do clube para triunfar. O guineense afirma que admirava os Reds desde pequeno. Seu espelho como meio-campista? Um tal de Steven Gerrard.

“Quando era pequeno, costumava jogar futebol nas ruas da Guiné vestindo a camisa do Liverpool. Não podia ser qualquer outro, apenas Gerrard quando jogava. Eu queria ser como ele. Sou meio-campista e Steven Gerrard sempre foi o líder do time, então tinha que ser ele”, declarou Keita, em entrevista ao Liverpool Echo.

Inclusive, o meio-campista teve um susto e tanto quando chegou ao CT do Liverpool para assinar com o clube e viu que alguém o aguardava: “Foi uma surpresa para mim. Eles sugeriram que eu usasse o número 8, mas quando eu cheguei ao clube, não sabia que Steven estaria em Melwood. Foi um grande choque. Estava emocionado por ser presenteado com a camisa por ele. Eu via Gerrard quando era pequeno e o admirava, então foi um dia especial. Steven disse que ‘todo mundo vai estar aqui por você, iremos ajudá-lo a se desenvolver’. Estou aqui para aprender e crescer como jogador”.

Além de Gerrard, Keita vê outros significados na camisa 8: “Voltando à minha infância, o número 8 sempre foi meu favorito. Também é o número que meu pai usava na época em que era jogador, então é especial. Ele nunca teve sorte de jogar profissionalmente, mas fez uma carreira decente como amador na Guiné. Estou ciente que é um número grande aqui no Liverpool e estou muito animado para usá-lo. Eu sei que foi o número de Steven, mas não vou colocar pressão extra sobre mim. Estou me focando em atuar bem e contribuir para este time”.

O guineense também ressalta como o seu pai o motivou ao longo da vida para se tornar jogador do futebol. Foi dele que Naby recebeu o principal apoio à beira do campo e também o prazer de acompanhar futebol. Não à toa, o garoto tinha um apelido singular em casa: Deco.

“Meu pai me deu muitos conselhos desde cedo. Ele sempre teve um grande interesse em minha carreira. Nunca foi parte da comissão técnica, apenas fazia isso como torcedor. Ficava muito animado na lateral, gritando instruções. Sempre berrava para eu avançar ou o que fosse. Até hoje ele me liga e avalia minhas atuações, acreditando que eu possa melhorar. Desde que eu assinei com o Liverpool, meu pai falou bastante comigo sobre como amava o clube. Ele tinha esse amor pelo Liverpool desde os meus 11 ou 12 anos de idade”, pontuou.

“Meu pai também amava o Deco como jogador e começou a me chamar assim dentro de casa. Sempre admirei o Deco, mas meu jogador favorito era o Iniesta, por causa de seu passe final, de seus dribles e sua habilidade. Sei que ele é conhecido por sua agressividade, é algo que eu acrescentei ao meu jogo, mesmo que não tenha suas características. Penso que, como um meio-campista, você precisa ter esta agressão como parte do seu jogo”, complementou o jogador.

Outra figura importante na caminhada de Naby Keita é Gérard Houllier. O francês é considerado um dos maiores técnicos da história do Liverpool, responsável pela “modernização” do clube a partir dos anos 1990 e dono de alguns títulos, em especial da Copa da Uefa de 2000/01. A partir de 2012, o veterano se tornou chefe de futebol global na Red Bull, em contato com o meio-campista através do Salzburg e do Leipzig.

“Gerard me falou muito sobre o desenvolvimento da minha carreira enquanto eu jogava pelo Red Bull. Eu me encontrei com ele quando jogamos em Marselha pela Liga Europa na última temporada. Ele foi assistir ao jogo e me falou sobre o Liverpool. Disse que era uma grande transferências e que estava na minha mão para torná-la um sucesso. Disse para fazer tudo o que pudesse para me estabelecer”, contou Keita.

Questionado pelo jeito arredio, de quem tentou forçar a saída do Leipzig no momento em que acertava com o Liverpool, e pelo excesso de cartões, Keita mostrou sua consciência sobre os entraves: “Uma vez que acertei minha mentalidade e aceitei que ainda era jogador do Leipzig, comecei a me dar bem com as coisas e aproveitei a última temporada. Obviamente, o Liverpool fez uma grande campanha na Champions, mas também tive a oportunidade de jogar o torneio. Acho que posso ter sido um pouco infeliz com alguns cartões vermelhos que recebi no Leipzig. Eles não eram por perder a disciplina, mas por entradas julgadas um pouco mais fortes. É algo sobre o qual preciso estar atento, faz parte do meu jogo recuperar a bola”.

Por fim, falou sobre como será a adaptação ao Liverpool em seus aspectos de jogo: “Eu não acho que o aspecto físico terá um impacto negativo sobre mim. Assisti a muitos jogos do futebol inglês e, durante os amistosos da pré-temporada, eu ajustarei isso. Gosto de recuperar a bola, é algo que amo. Sou alguém que tem essa mentalidade real de vencer, é um grande desejo. É por isso que sou agressivo, em um sentido positivo em campo. Meu primeiro pensamento quando estou em campo é defender bem e não tomar gols. Como meio-campista, a partir do momento em que você garante trabalho atrás, seu afazer é dar munição aos atacantes, criar oportunidades a eles. Além disso, se tiver uma chance que vier em minha direção, quero aproveitar e marcar. Mas sou um jogador de time, penso no grupo em primeiro lugar, sempre”.