Tite trouxe algumas novidades em sua primeira lista de convocação à seleção brasileira depois da Copa do Mundo. Tirando o goleiro Hugo Souza, que integra o elenco apenas para ganhar experiência, serão seis estrantes no grupo: Felipe, Andreas Pereira, Lucas Paquetá, Éverton, Pedro e Arthur – embora este último tenha sido chamado anteriormente, sem entrar em campo. Além disso, são mais quatro atletas que não chegaram a atuar nem dez vezes com a equipe nacional. Entre estes, menção honrosa a Fabinho, que finalmente ganha vez depois de muita relutância diante de sua ótima fase no Monaco; e a Fred, que chegou a compor o plantel na Rússia, mas sequer jogou por conta da lesão sofrida na preparação ao torneio. Atletas que despontam rumo ao próximo ciclo do Brasil.

É natural que a Seleção convoque vários novatos logo após uma Copa do Mundo. Depende muito do clima ao redor da equipe depois da competição, mas a tendência é que jogadores comecem a ganhar cancha visando a Copa América e outras competições à vista. Não à toa, os testes se repetem a cada quatro anos. Pode ser algo mais comedido, como ocorreu logo após o pentacampeonato em 2002, quando prevalecia um clima de exaltação aos campeões. Ou pode haver também uma caça às bruxas, como ficou bem claro quando Paulo Roberto Falcão assumiu o time em 1990, com a missão de trazer novas ideias.

Abaixo, trouxemos as listas dos novatos a partir de 1990. Não foram considerados os processos anteriores por conta dos hiatos após a Copa do Mundo. Depois da queda em 1986, por exemplo, a Seleção passou quase um ano sem atuar até realizar uma turnê pela Europa em maio de 1987, pensando principalmente nos Jogos Olímpicos de 1988. Naquele momento, Carlos Alberto Silva não apenas talhou vários responsáveis pela prata, como também contribuiu rumo ao tetra – exemplo de Romário, que estreou por suas mãos. Antes disso, os intervalos longos também eram comuns.

A lista começa por 1990, quando Falcão assumiu com o intuito de achar novos valores. Assim o fez, olhando para diversos clubes brasileiros, inclusive os mais modestos – a exemplo de Bragantino e Novorizontino, finalistas do Paulista naquele ano e realmente fontes de boas revelações. Quatro anos depois, com o tetra, um pouco mais de moderação, para que Zagallo destacasse jovens ou outros atletas que já compunham o elenco antes da Copa – fazendo adições paulatinas em torneios amistosos nos anos seguintes. Algo bem diferente do que se viu em 1998, com Vanderlei Luxemburgo privilegiando massivamente os futebolistas em atividade no país durante seu primeiro amistoso, contra a Iugoslávia.

O menor impacto aconteceu em 2002, quando o jogo contra o Paraguai serviu apenas para festejar a despedida de Felipão e os novos nomes só começariam a ser inseridos a partir de 2003, primeiro no ciclo pré-olímpico, depois na participação da Copa América de 2004. Já a partir de 2006, diferentes tônicas de renovação, considerando os seguidos fracassos do Brasil na Copa. Em sua primeira passagem, por exemplo, Dunga deu uma atenção especial aos ciclos vitoriosos das seleções de base nos anos anteriores e aos jovens sem tanto espaço no meio de uma geração tão tarimbada. Mano Menezes em 2010 se voltou mais ao futebol brasileiro, com vários atletas que faziam sucesso por aqui e seu antecessor ignorou. Já em 2014, no novo retorno de Dunga, uma tentativa de ver o que valia a pena ou não depois do 7 a 1, entre jogadores desconsiderados por Felipão e outros em destaque nos principais clubes do país.

Tite não foge muito à regra desta vez. Dos seis novatos, cinco tem 22 anos ou menos, e quatro vinham pedindo passagem no futebol nacional antes mesmo da Copa do Mundo. Se seriam apostas na Rússia, agora viram caminhos pensando na Copa América, o próximo desafio da equipe nacional. Além disso, há nomes preteridos anteriormente pelo próprio treinador, o que cria algumas contradições – Fabinho é o melhor exemplo. De qualquer forma, surgem neste primeiro passo.

Na lista abaixo, consideramos apenas os jogadores que entraram em campo no início do ciclo posterior à Copa do Mundo. Separamos por estreantes e aqueles com parca experiência na equipe nacional, com menos de 10 partidas disputadas. Além disso, foi levado em conta o período que o elenco esteve junto. Se uma convocação foi utilizada para dois jogos, então estão incluídos os atletas que entraram em campo em ambos. Para se refletir quanto ao que aconteceu depois e quem realmente se firmou com a camisa amarela.

2014 (1×0 Colômbia e 1×0 Equador, em setembro)

Estrearam: Everton Ribeiro (Cruzeiro), Ricardo Goulart (Cruzeiro), Gil (Corinthians)
Menos de 10 jogos: Miranda (Atlético de Madrid), Marquinhos (Paris Saint-Germain), Filipe Luís (Chelsea), Philippe Coutinho (Liverpool), Diego Tardelli (Atlético Mineiro), Danilo (Porto)

2010 (2×0 Estados Unidos, em agosto)

Estrearam: Victor (Grêmio), David Luiz (Benfica), Ganso (Santos), Jucilei (Corinthians), André (Santos), Neymar (Santos), Ederson (Lyon)
Menos de 10 jogos: Carlos Eduardo (Hoffenheim), Alexandre Pato (Milan), Diego Tardelli (Atlético Mineiro), Hernanes (São Paulo), Lucas Leiva (Liverpool), Thiago Silva (Milan)

2006 (1×1 Noruega, em agosto)

Estreou: Daniel Carvalho (CSKA Moscou)
Menos de 10 jogos: Gomes (PSV), Alex (PSV), Dudu Cearense (CSKA), Elano (Shakhtar), Vágner Love (CSKA), Fred (Lyon)

2002 (0x1 Paraguai, em agosto)

Estreou: Nenhum
Menos de 10 jogos: Kaká (São Paulo), Ricardinho (Corinthians)

1998 (1×1 Iugoslávia, em setembro)

Estrearam: André (Internacional), Felipe (Vasco), Rogério (Palmeiras), Serginho (São Paulo), Vampeta (Corinthians), Jackson (Sport), Alex (Palmeiras)
Menos de 10 jogos: Marcos Assunção (Flamengo), Marcelinho Carioca (Corinthians), Christian (Internacional)

1994 (2×0 Iugoslávia, em dezembro)

Estrearam: Marques (Corinthians), Marcelinho Carioca (Corinthians)
Menos de 10 jogos: Ronaldo (PSV), Viola (Corinthians), Sávio (Flamengo), Zetti (São Paulo)

1990 (0x3 Espanha, em setembro)

Estrearam: Velloso (Palmeiras), Gil Baiano (Bragantino), Paulão (Cruzeiro), Márcio Santos (Novorizontino), Moacir (Atlético Mineiro), Paulo Egídio (Grêmio), Cafu (São Paulo), Donizete Oliveira (Grêmio), Jorginho (Palmeiras)
Menos de 10 jogos: Nilson (Grêmio), Charles (Bahia), Neto (Corinthians)