Transformar-se durante a competição é uma virtude dos times que chegam às fases mais agudas na Copa do Mundo. É um torneio de tiro curto, em que aproveitar o momento se torna fundamental. E as mudanças de postura dentro das próprias partidas são decisivas. Algo que se viu na Nigéria nesta sexta-feira, fechando a segunda rodada no Grupo D. As Super Águias fizeram um primeiro tempo modesto contra a Islândia, sem finalizar uma única vez. Entretanto, aproveitaram os espaços e abusaram da velocidade na segunda etapa, para conquistar uma importantíssima vitória por 2 a 0, graças à atuação voraz de Ahmed Musa. Com três pontos, os africanos chegam ao compromisso final dependendo apenas de si para eliminar a Argentina, ainda que o tropeço islandês deixe o cenário mais aberto à albiceleste. De qualquer maneira, até pelo que mostrou nos 45 minutos finais em Volgogrado, a Nigéria pode ser um claro incômodo à apatia argentina – como já tinha sido em amistoso em novembro, com vitória por 4 a 2 sobre os sul-americanos.

Mudanças nas duas equipes

A Islândia veio no 4-4-2, diferentemente do 4-5-1 contra a Argentina. Lesionado, Johann Berg Gudmundsson ficou apenas no banco. Rúrik Gíslason entrou em seu lugar na meia direita. Além disso, Gylfi Sigurdsson atuou como meio-campista central, com mais incumbências defensivas. Saiu Emil Hallfredsson, um dos melhores em campo na estreia, para a entrada de mais um atacante, Jón Bödvarsson. Já a Nigéria, que apostou no 4-2-3-1 durante a fraca atuação contra a Croácia, desta vez veio no 3-5-2. Na zaga, Kenneth Omeruo ganhou espaço. O meio manteve uma estrutura parecida na faixa central, mas confiou nas subidas de Victor Moses pela ala direita. Já no ataque, duas novidades. Odion Ighalo e Alex Iwobi saíram, para as entradas de Kelechi Iheanacho e Ahmed Musa, dois jogadores velozes e incisivos.

Islândia mais objetiva, primeiro tempo morno

A Nigéria mantinha a posse de bola, mas não demonstrava grande organização em suas ações ofensivas, com dificuldades para acionar o ataque. Tinha claros problemas para superar a bem montada marcação da Islândia, que roubava a bola e avançava com velocidade. Gylfi Sigurdsson apareceu bem nos primeiros minutos, arriscando os chutes e fazendo o goleiro Francis Uzoho trabalhar. No entanto, o jogo caiu de ritmo na sequência da primeira etapa. Os islandeses assustavam um pouco mais nos avanços pelos lados e nas bolas paradas, com os africanos se segurando pelo alto. Birkir Bjarnasson foi um incômodo pela esquerda. Já nos instantes anteriores ao intervalo, aconteceu a melhor chance dos europeus, com Alfred Finnbogason desviando uma cobrança de falta com muito perigo, tirando tinta da trave.

Uma outra Nigéria na segunda etapa

Assim como aconteceu contra a Inglaterra, em amistoso preparatório, a Nigéria mudou da água para o vinho na volta para o segundo tempo. Já tinha tentado a sua primeira finalização no jogo logo nos primeiros minutos, parando em defesa segura de Hannes Halldórsson. E aos três, o gol contribuiu para a confiança das Super Águias. A partir de um cruzamento da Islândia no ataque, os nigerianos afastaram o perigo e iniciaram o contragolpe ao recuperarem o rebote. Destaque ao vigor físico de Victor Moses, arrancando desde o meio-campo para escapar da marcação, antes de cruzar. Dentro da área, Ahmed Musa se saiu muitíssimo bem na conclusão. O atacante fez um ótimo domínio para tirar o marcador e, no alto, desferiu o chute fatal.

Islândia não se encontrou

A desvantagem obrigava a Islândia a tomar uma iniciativa que não é característica de suas melhores atuações. O time passou a dominar a posse de bola e a buscar o ataque, mas encontrava uma Nigéria bem mais atenta, usando a sua potência física para atacar com velocidade. E, a partir disso, a defesa dos nórdicos ficava bastante exposta. A aceleração das Águias foi fundamental, com as chances surgindo frequentemente. O segundo gol só não ocorreu aos 11 minutos porque Halldórsson fez ótima defesa, em chute de longe de Wilfred Ndidi.

Musa destrói

Enquanto a Islândia sofria, com dificuldades para finalizar, a Nigéria cresceu bastante a partir dos 20 minutos do segundo tempo. Foi o momento-chave da partida. As Super Águias encontravam muitos clarões e maltrataram a defesa nórdica. Leon Balogun quase marcou de cabeça. Mas que arrebentou mesmo foi Ahmed Musa. O camisa 7 deu seu aviso com um chute caprichoso da entrada da área, que explodiu no travessão de Halldórsson. Já aos 30, anotou o segundo gol. Kenneth Omeruo fez um ótimo lançamento do campo de defesa. Musa deixou Kari Árnasson comendo poeira e brincou com Halldórsson, ao driblar o goleiro. Diante das redes vazias, apenas precisou escolher onde a bola entraria.

A pá de cal com Sigurdsson

A Islândia tentava pressionar na reta final da partida, mantendo a posse de bola. Só que não mostrou competência para balançar as redes. Até teve a chance. Aos 36, o árbitro anotou um pênalti sobre Finnbogason, com o auxílio do VAR. Na cobrança, Gylfi Sigurdsson tentou tirar do goleiro Uzoho e mandou por cima do travessão. O arqueiro de 19 anos, aliás, faria mais uma defesa nos instantes finais, diante de Finnbogason. Ao final, até parecia mais provável o terceiro tento dos africanos. Resultado bastante comemorado pelas Super Águias.

Como fica a situação

A Croácia, com seis pontos, está classificada. A Nigéria soma três e depende apenas de uma vitória sobre a Argentina para se confirmar – ou de um empate, desde que os islandeses não vençam, e se os islandeses vencerem, a disputa vai para o saldo. A Argentina, por sua vez, avança desde que vença as Super Águias e a Islândia tropece. Caso os islandeses batam os croatas e os argentinos também façam sua parte, a disputa fica para o saldo de gols. Além disso, a Nigéria ainda pode tomar a primeira colocação da Croácia.

Ficha técnica

Nigéria 2 x 0 Islândia

Local: Arena Volgogrado, em Volgogrado (Rússia)
Árbitro: Matthew Conger (Nova Zelândia)
Gols: Ahmed Musa, duas vezes (NIG)
Cartões amarelos: Brian Idowu

Nigéria: Francis Uzoho; Leon Balogun, William Troost-Ekong e Kenneth Omeruo; Victor Moses, Wilfred Ndidi, John Obi Mikel, Oghenekaro Etebo (Alex Iwobi) e Brian Idowu (Tyronne Ebuehi); Ahmed Musa e Kelechi Iheanacho (Odion Ighalo). Técnico: Gernot Rohr.

Islândia: Hannes Halldórsson; Birkir Saevarsson, Kari Árnason, Ragnar Sigurdsson (Sverrir Ingason) e Hördur Magnússon; Rurik Gíslason, Aron Gunnarsson (Ari Skúlason), Gylfi Sigurdsson e Birkir Bjarnason; Jón Bödvarsson (Björn Sigurdarson) e Alfred Finnbogason. Técnico: Heimir Hallgrímsson.