Há dez anos, o Olympique de Marseille ficava de luto. Dois ultras faleceram em um acidente de ônibus, que deixou outras 15 pessoas feridas, enquanto se encaminhavam a um jogo do clube. Uma década depois da fatalidade, os marselheses continuam se lembrando dos nomes de Imad e Lahcen. Neste domingo, bandeirões com os rostos dos dois aficionados foram levantados nas arquibancadas do Estádio Vélodrome, relembrando o episódio. A maior homenagem, contudo, foi bem mais simbólica. Aconteceu em pleno gramado.

Filho de Lahcen, Yassin tinha um ano quando seu pai faleceu. Logo foi adotado pelo clube, se tornou mascote dos ultras e começou a frequentar o estádio. Já neste domingo, ele foi convidado a dar o pontapé inicial da partida contra o Rennes. Mas não se contentou em apenas chutar a bola. O garotinho atravessou o campo e bateu para as redes vazias do Rennes. Comemorou feito uma final de campeonato, tirando a camisa e se ajoelhando no gramado. Realizou o seu sonho. Honrou a memória do pai. Foi aplaudido e depois ovacionado pelo Vélodrome. Marcou um gol inesquecível, principalmente a ele, que não pôde conviver muito com Lahcen, mas herdou sua paixão e experimentou a melhor das sensações para um torcedor. O sorriso no rosto do menino diz muito.