A Universidad de Chile enfrentou o Palestino, no último sábado, pela Copa do Chile, mas, antes de a partida começar, Isaac Díaz e David Pizarro, dois jogadores de La U, correram portando coroas de flores em direção ao setor do Estádio Nacional de Santiago, atrás de um dos gols, que em 2015 se transformou em um memorial em homenagem aos mortos, presos e torturados naquele estádio durante a ditadura de Augusto Pinochet.

O golpe de Estado que derrubou Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, prestes a completar 45 anos, prendeu tanta gente que os quartéis e cadeias ficaram rapidamente lotadas. Foi necessário recorrer aos estádios como solução temporária e, nesse processo, o Nacional de Santiago tornou-se a maior prisão da ditadura de Pinochet naqueles primeiros meses de regime.

Ele parou de ser usado sistematicamente para deter “inimigos do regime” apenas em novembro de 1973, quando o Chile deveria utilizá-lo para enfrentar a União Soviética, em repescagem das Eliminatórias para a Copa de 1974. Os soviéticos boicotaram a partida por motivos políticos e deram a classificação aos chilenos por WO.

Para saber mais sobre a história do Nacional de Santiago, recomendamos o livro La Cancha Infame, do jornalista Mauricio Brum, que escreveu um texto sobre o assunto para o Impedimento, mas que infelizmente não está mais no ar.

Aquele local, a Escotilha 8, foi escolhido especialmente porque era um espaço onde os presos podiam ser vistos pelos familiares e amigos que se reuniam no lado de fora do estádio. E foi lá que Díaz e Pizarro, como ano passado, depositaram suas homenagens.