Marcello Lippi tem seu lugar garantido na história do futebol. Os momentos marcantes à frente da Juventus, reerguendo o clube nos anos 1990 e mantendo a dinastia na década seguinte, já valeriam um espaço especial na memória do Calcio. Conquistou nada menos que cinco Scudetti, além de levar a Velha Senhora a um título da Champions. Moral que o colocou na seleção italiana. E então, com os azzurri aconteceu a façanha maior, conquistando a Copa do Mundo de 2006. O taça que o coloca ao lado de Vittorio Pozzo, Enzo Bearzot e o seleto grupo de treinadores que conseguiram ser campeões mundiais.

Defensor de carreira sólida na Sampdoria durante os anos 1970, passando depois por outros clubes menores, Lippi se tornou técnico assim que pendurou as chuteiras. Trabalhou na base dos blucerchiati, antes de rodar bastante. Já nos anos 1990, foi subindo degraus. Atalanta, depois Napoli e então a Juventus. Em um clube que atravessava uma crise de identidade, conseguiu criar um esquadrão. Faturou todos os campeonatos possíveis, encerrando os jejuns na Serie A e na Liga dos Campeões. No entanto, o comandante também acumulou suas desavenças. Saiu para uma frustrada passagem pela Internazionale, voltou pouco depois a Turim e se projetou com novos troféus. Dois dos períodos mais gloriosos dos bianconeri ocorreram sob seus méritos.

Inegavelmente bem sucedido com a Juve, Lippi chegou à seleção em 2004, contratado após a Eurocopa. Montou um grupo sólido rumo ao tetra, que sofreu com suas desconfianças, mas triunfou no Mundial – com menção especial às atuações marcantes contra Alemanha e França, nas quais a influência do treinador foi clara. O veterano deixou a Nazionale logo depois da final, mas voltou em 2008, amargando a fracassada campanha na Copa de 2010. E desde 2012, passa os seus dias na China. Ajudou a impulsionar o projeto do Guangzhou Evergrande e, embora tenha anunciado a aposentadoria em 2014, mudou de ideia para comandar a seleção local.

Nesta quinta, Lippi completa 70 anos de idade. Vale lembrar um pouco de seu momento mais notável: a Copa de 2006. Ainda que não seja um trabalho tão amplo quanto o desempenhado na Juventus, aquela façanha com os azzurri marca seu nome com letras douradas. Cenas memoráveis: