O ano já seria memorável ao Ferroviário pela reação histórica contra o Sport na Copa do Brasil ou pela participação inédita (ainda que modesta) na Copa do Nordeste desde a recriação do torneio. Virou um ano histórico no momento em que os tricolores conquistaram o acesso à Série C do Brasileirão. E termina como um ano inigualável, diante da façanha que se consumou neste sábado: o Ferrão é campeão da quarta divisão, o primeiro título nacional de um clube de Fortaleza e o segundo de um cearense. O feito já tinha sido encaminhado no Castelão, quando o Tubarão abriu boa vantagem sobre o Treze. Por fim, apesar da derrota por 1 a 0 em Campina Grande, o clube ergueu a taça e comemorou o título de maior relevo de seus 85 anos de existência.

A campanha do Ferroviário na Série D ganhou consistência a cada etapa. Sem embalar tanto na fase de grupos, o Tubarão passou pelo Cordino nos 16-avos de final e se afirmou nas oitavas, batendo o Altos fora de casa. Chegava com moral para pegar o Campinense nas quartas, valendo o acesso, e celebrou a promoção com a vitória nos pênaltis dentro do Amigão. Nas semifinais, por mais que o São José fizesse ótima campanha, não suportou o Ferrão em Fortaleza. E então, na decisão, aconteceu o sucesso contra o Treze.

O resultado no jogo de ida foi maiúsculo. Dentro do Castelão, o Ferroviário terminou o primeiro tempo em vantagem, graças a Janeudo. Já no segundo tempo, Edson Cariús referendou sua importância ao time e ampliou, até que Robson Simplício fechasse a conta em 3 a 0 nos minutos finais. A diferença dava tranquilidade ao Tubarão, que visitou o Amigão para segurar o resultado. Conseguiu bloquear o Treze e buscou o contra-ataque. Assim, o gol dos anfitriões só saiu no segundo tempo, e graças a um pênalti. Derrota magra que não estragou em nada a alegria dos cearenses, erguendo o troféu ao final da noite.

Entre os destaques do Ferroviário, menção especial a Cariús, autor de 11 gols em 14 partidas pela Série D, terminando na artilharia da competição. Janeudo e Juninho Quixadá também balançaram as redes em momentos importantes da empreitada. Já do lado do Treze, o autor do gol da finalíssima também foi um grande personagem nesta Série D. Marcelinho Paraíba converteu o pênalti que não valeu muito aos paraibanos, mas concluiu um ano de redenção ao veterano. Em março, sofreu uma isquemia cerebral, mas se recuperou e foi importante ao acesso do Galo da Borborema. Aos 43 anos, já são 27 temporadas como profissional.

É de se imaginar que o Ferroviário continue com o bom projeto, sob as ordens do rodado técnico Marcelo Vilar. Apesar do acesso ao acaso para a primeira divisão do Campeonato Cearense há dois anos, os desempenhos desde então são muito bons. A princípio, o objetivo é se estabelecer na Série C. Mas observando o elevador comum dos últimos anos, com vários times conseguindo encadear acessos rumo à segundona do Brasileiro, dá até para sonhar. Por enquanto, ao menos, o intuito dos tricolores é mesmo festejar.