Um elenco repleto de grandes jogadores comandados por um treinador cujo nome já estava na história do futebol mundial: eram as armas do Colônia de Rinus Michels na briga pelo título da Bundesliga na temporada 1981/82. Com um futebol de encher os olhos, a equipe foi para a pausa de inverno na liderança, mas a salva de prata acabaria mesmo nas mãos do pragmático Hamburgo de Ernst Happel. Porém, aquele período de vitórias memoráveis conquistadas por uma constelação de craques é guardado com carinho na memória dos torcedores dos Bodes. Ainda que seja até passível de contestação chamar o clube de “azarão”, dado que até o início dos anos 90 ele se colocava entre as principais forças do país, a lembrança daquele tempo cada vez mais distante faz valer sua inclusão entre os times tratados nesta coluna.

Um clube ambicioso

Campeão da Bundesliga pela segunda vez em 1978, o Colônia não chegou a se manter na briga nas duas temporadas seguintes, terminando em sexto e quinto lugar, mas com pontuação bem aquém dos ponteiros. Tramando uma chacoalhada para recolocar o clube no rumo das conquistas, o presidente Peter Weiand tinha planos ambiciosos. Depois de alguns retoques no elenco, em outubro de 1980, já com a temporada iniciada, a equipe receberia um novo comandante: o holandês Rinus Michels, trazido do Los Angeles Aztecs, após demoradas tratativas.

Novo treinador mais bem pago do futebol alemão, o comandante do lendário Carrossel Holandês da Copa do Mundo de 1974 substituía Karl Heinz Heddergott (ex-integrante da comissão técnica da seleção alemã), de passagem breve e malfadada após se desentender com o astro do elenco, o meia Bernd Schuster. Depois de ser especulado no New York Cosmos, Schuster iniciava a temporada em prolongadas negociações com o Barcelona, para onde finalmente iria – bem na época da chegada de Michels – depois de atuar nas cinco primeiras rodadas da Bundesliga.

Pouco depois de chegar, o novo treinador também teria pela frente um confronto marcante contra o mesmo Barcelona – equipe que comandara por várias temporadas na década anterior –, válido pela segunda fase da Copa da Uefa. Batido em casa por 1 a 0 na partida de ida, o Colônia já tinha a classificação descartada. Mas resolveu surpreender em grande estilo, goleando o Barça por 4 a 0 dentro do Camp Nou no jogo de volta, na maior derrota sofrida em casa pelos catalães em sua história nas taças europeias.

A primeira temporada do treinador holandês terminou com um discreto oitavo lugar na liga – a pior colocação do clube em dez anos – mas rendeu uma boa caminhada no torneio europeu: depois de eliminar o islandês Akranes e o Barcelona, os Bodes superariam ainda o Stuttgart (perdendo por 3 a 1 na ida e vencendo por 4 a 1, após prorrogação, na volta) e um bom time do Standard Liège, antes de cair nas semifinais diante do futuro campeão, o inglês Ipswich Town, com uma dupla derrota por 1 a 0.

A pré-temporada

Da esquerda para a direita, Steiner, Fischer, Michels e Allofs

O Colônia sofreria outras baixas no elenco no meio de 1981. A principal delas foi a saída do goleador e ídolo Dieter Müller (autor de 159 gols pelo clube na Bundesliga e vencedor da salva de prata em 1978), que seguiu para o Stuttgart. Além dele, o zagueiro Roland Gerber foi para o Darmstadt e o meia japonês Yasuhiko Okudera (primeiro nipônico a atuar no futebol europeu) acabou cedido ao Hertha Berlim. Havia ainda a persistente lesão no nervo ciático sofrida pelo líbero Herbert Zimmermann ainda enquanto defendia a seleção na Eurocopa de 1980, e que o deixaria de fora de toda a temporada seguinte.

A reposição, entretanto, não tardou a chegar em alto nível. Para o lugar de Dieter Müller, outro goleador de seleção: Klaus Fischer, resgatado do rebaixado Schalke 04. Para o setor veio ainda o veloz Klaus Allofs, outro da Nationalelf, contratado do Fortuna Düsseldorf. Já para o centro da defesa, a novidade era Paul Steiner, trazido do Duisburg. Em agosto, como parte da pré-temporada, os reforços foram apresentados ao público europeu no Troféu Joan Gamper. Na semifinal, o Colônia vingou-se do Ipswich vencendo por 2 a 0. E na decisão contra o Barcelona voltou a aplicar um 4 a 0 em pleno Camp Nou.

Tudo isso credenciava o Colônia a integrar o seleto grupo dos favoritos ao título, do qual fazia parte o atual bicampeão Bayern de Munique, além de Hamburgo (campeão em 1979 e vice em 1980 e 1981) e Stuttgart (vice em 1979 e terceiro nas duas temporadas seguintes). Os bávaros, então dirigidos pelo húngaro Pal Csernai, tinham um líder em Paul Breitner e um craque em Karl-Heinz Rummenigge, além de outros ótimos jogadores como Wolfgang Dremmler, Klaus Augenthaler e Dieter Hoeness.

Além de reforçado por Dieter Müller, o Stuttgart contava, por sua vez, com o talentoso Hansi Müller, os irmãos defensores Karlheinz e Bernd Förster e o ponta francês Didier Six. O Hamburgo, por fim, contava com nada menos que o Kaiser Franz Beckenbauer (embora já perto do fim da carreira), além de ótimos nomes como Manfred Kaltz, Ditmar Jakobs, Felix Magath, o grandalhão Horst Hrubesch, o goleiro Uli Stein e o dinamarquês Lars Bastrup, todos comandados pelo experiente austríaco Ernst Happel.

O elenco

A lista de craques dos Bodes, entretanto, não ficava atrás de nenhum deles. Começava com o goleiro Harald “Toni” Schumacher, herdeiro de Sepp Maier como titular da seleção desde o fim da Copa de 1978. Arqueiro seguro, conciliava frieza, audácia e ótimos reflexos. À sua frente atuava o líbero Gerhard Strack, criado no clube e titular desde a segunda metade dos anos 70. Bom organizador defensivo, era melhor ainda nas projeções ofensivas, qualidade que o levaria enfim à seleção durante aquela temporada.

No miolo de área, Strack tinha a companhia do sólido Paul Steiner (que mais tarde, já aos 33 anos, seria a surpresa na convocação da seleção que se sagraria campeã do mundo na Itália, em 1990). Já pelos lados, os donos das posições eram Harald Konopka e Holger Willmer. Também criado no clube, Konopka jogou praticamente toda a carreira de lateral-direito pelos Bodes, exceto por uma temporada (sua última) vestindo a camisa do Borussia Dortmund. Jogador experiente, esteve na Copa do Mundo de 1978 com a seleção alemã. Willmer, por sua vez, chegou ao clube como meia-armador vindo do Lübeck, antes de fazer a transição para a defesa, atuando especialmente como lateral-esquerdo apoiador.

O meio-campo tinha como peça mais defensiva o tarimbado volante Bernd Cullmann. Jogador que só atuou pelo Colônia em toda a carreira, tinha no currículo o título mundial de 1974 e o europeu de 1980 com a seleção alemã, pela qual atuou 40 vezes. Aos 31 anos no início da temporada, era um dos nomes mais experientes da equipe. Também podia atuar de zagueiro. Um pouco mais à frente vinha outro nome com grande carreira na seleção: Rainer Bonhof, que vivera a fase de ouro do Borussia Mönchengladbach na década anterior e aportara no Colônia após três temporadas no Valencia. O armador foi nome certo em todos os torneios disputados pela Nationalelf entre 1972 e 1980.

Bem aberto pelo lado direito, entre o meio e o ataque, começava a brilhar uma das grandes revelações daquele time e do futebol alemão naquele período: Pierre Littbarski, 21 anos ao início da campanha. Ponteiro clássico, pequeno, leve, mas muito valente, um mágico do drible. Também chegaria à seleção durante aquela temporada. Outro jogador de grande talento atuava pelo outro lado, ajudando a balancear as opções ofensivas: o inglês Tony Woodcock, lapidado por Brian Clough no Nottingham Forest campeão europeu, e que chegou ao clube alemão em novembro de 1979. Aliava a mesma qualidade técnica de “Litti” ao dinamismo e a capacidade de atuar também centralizado como um ponta-de-lança.

Na frente vinham dois reforços. Klaus Fischer era um goleador inquestionável. Revelado pelo Munique 1860 e artilheiro da Bundesliga de 1976 pelo Schalke, já contava com participações na Copa de 1978 e na Eurocopa de 1980 pela seleção. Não fazia, no entanto, o padrão de centroavante “tanque”. Pelo contrário: mais leve, era especialista em marcar gols acrobáticos, principalmente de bicicleta. Klaus Allofs também era um atacante leve, rápido e esperto. Cria do Fortuna Düsseldorf, já tinha sido o artilheiro da Euro 1980 antes de chegar ao Colônia. Como Woodcock, também tinha facilidade em atuar pelo meio.

Era uma equipe titular tão recheada de talento e experiência que poderia se permitir contar com reservas de luxo. O maior deles era o meia Stefan Engels, talento revelado na base do clube e nome constante no time desde 1978. Mesmo sem ter número de jogos suficientes para ser considerado titular naquela campanha, vivia bom momento, chegando a merecer chances na seleção. Havia ainda outros velhos conhecidos da torcida, como o lateral ambidestro Dieter Prestin e o meia e líbero Thomas Kroth, mais o lateral e meia Frank Hartmann e o talentoso armador suíço René Botteron, trazido do Zürich na temporada anterior, mas que, sem espaço, acabaria emprestado durante a campanha ao Standard Liège.

Dadas as características dos jogadores (especialmente os homens mais de frente), o estilo de jogo chamava a atenção naquela equipe do Colônia. Num contraponto marcante com o futebol mais operário, sóbrio e um tanto truncado, baseado mais na força física, que vigorava na Bundesliga de então, o time praticava um jogo leve, fluente e vistoso, agradável de assistir, ainda que de forte sentido coletivo como os demais. Curiosamente, esse brilho era quase arrancado dos jogadores pelas sessões extenuantes de treinamento comandadas por Michels, que costumava gritar impropérios aos jogadores.

Campeão de inverno

Na rodada de abertura da Bundesliga, os outros três favoritos largaram com grandes placares: o Bayern surrou o Bayer Leverkusen por 6 a 2 em Munique. O Hamburgo fez 4 a 2 no Eintracht Braunschweig. O Stuttgart teve um pouco mais de dificuldade, mas bateu o Fortuna Düsseldorf por 3 a 2. Já o Colônia teve estreia mais modesta, vencendo o Borussia Dortmund por 1 a 0, gol de Bonhof. Após uma campanha inicial um tanto oscilante, os Bodes alcançariam o Bayern na liderança na nona rodada, após bater em sequência o Borussia Mönchengladbach por 3 a 0 em casa e o Arminia Bielefeld por 2 a 0 como visitante. Na rodada seguinte, em 17 de outubro, viria o confronto direto com os bávaros no Müngersdorfer.

Foi uma vitória memorável para o Colônia, iniciada aos 20 minutos com um gol de cabeça de Paul Steiner, após cobrança de escanteio. O Bayern tentou reagir e esteve perto do empate duas vezes com Rummenigge: na primeira chutando para fora e na segunda cabeceando para defesaça de Schumacher. Mas na etapa final, os Bodes mataram a partida. Aos 12, Allofs gingou na frente do marcador e abriu para Bonhof na ponta direita. O cruzamento encontrou Woodcock livre para cabecear colocado e ampliar.

A fase era tão espetacular que aos 38, o reserva Kroth – que entrara havia três minutos – acertou um lindo sem-pulo de fora da área após cruzamento de Strack, marcando o terceiro do Colônia. Para completar a humilhação da poderosa equipe bávara, viria ainda o quarto gol em outra projeção ofensiva de Strack, aos 41 minutos. Após novo cruzamento para a área, o líbero venceu a disputa pelo alto e chutou forte e cruzado, encerrando a goleada inapelável. Daí em diante, a equipe de Rinus Michels seguiu em alto nível, mantendo-se na ponta até o fim do ano (e da primeira metade daquele campeonato). Em seus três últimos jogos de 1981, fez 3 a 0 no Fortuna Düsseldorf, 4 a 1 no Karlsruhe fora de casa e 3 a 0 no Eintracht Braunschweig, em jogo resolvido ainda no primeiro tempo.

Quando a pausa de inverno chegou, após a rodada de 19 de dezembro, o Colônia ocupava o topo da tabela, com os mesmos 24 pontos do Bayern, mas com uma partida a menos (o jogo contra o Kaiserslautern fora de casa foi adiado para março), além de um saldo de gols bastante superior. Mas se o Stuttgart se perdia pelo meio da classificação numa campanha irregular, a preocupação maior com vistas ao returno vinha na quinta colocação – abaixo do estável Borussia Mönchengladbach e de um surpreendente Werder Bremen, que retornava à elite naquela temporada. Era o Hamburgo, que somava 20 pontos, mas em apenas 15 partidas. Tinha totais condições, portanto, de se juntar à briga. Como faria.

O returno: perde-e-ganha e briga acirrada

Para o Colônia, o sinal de alerta seria ligado no reinício do campeonato, em 16 de janeiro, com a derrota por 1 a 0 para o Borussia Dortmund sofrida no fim no Westfalenstadion. Além da perda momentânea da liderança, era o ponto final na sequência de 11 partidas sem derrota dos Bodes. A ponta foi retomada dali a duas semanas ao vencer o Bochum por 1 a 0, após a qual o Colônia empatou em pontos com o Bayern e o Borussia Mönchengladbach (que tinha um jogo a mais). Os Potros, no entanto, aos poucos sucumbiriam a uma sequência de revezes, enquanto o Hamburgo, embalado, despontava como candidato em ascensão, e ainda contando com as partidas a menos como trunfo importante.

No fim de fevereiro, enquanto o Bayern parecia disparar, o Colônia perdia fora de casa para o Duisburg – a terceira derrota nos últimos seis jogos. Mas a recuperação viria logo em seguida: um contundente 3 a 0 sobre o decepcionante Stuttgart, juntamente com o ponto valioso (1 a 1) conquistado na visita ao Kaiserslautern (no jogo adiado do primeiro turno) trouxeram o time de Rinus Michels de volta à ponta da tabela, aproveitando uma derrota dos bávaros e dois empates seguidos do Hamburgo.

Na rodada seguinte, além de indicar a derrocada definitiva do Borussia Mönchengladbach, a vitória do Bodes por 2 a 0 em pleno Bokelbergstadion – com direito a golaço de cobertura de Littbarski – mantinha a disputa incrivelmente parelha: Colônia e Bayern lideravam com 34 pontos, um a mais que o Hamburgo. Duas semanas depois, no entanto, a derrota em casa para o Arminia Bielefeld por 1 a 0 (a primeira na temporada) não estava nos planos de Rinus Michels. O jogo seguinte, contra os bávaros no Olympiastadion, era decisivo para o desenvolvimento do campeonato, mas terminou num tenso empate em 1 a 1.

E o Hamburgo agradeceu. Especialmente porque na rodada seguinte o Bayern tropeçaria em Frankfurt, perdendo por 4 a 3 para o Eintracht, entregando a liderança isolada aos hanseáticos. Mas o Colônia, que goleou o Bayer Leverkusen por 5 a 2, não estava mais disposto a perder o passo. Tanto que, na rodada seguinte, em que o time de Ernst Happel abriu três pontos de vantagem sobre o Bayern ao vencer o confronto direto em pleno Olympiastadion por 4 a 3, os Bodes também triunfaram fora de casa, aplicando um 4 a 2 no lanterna Darmstadt.

Em 28 de abril, um outro 4 a 2 – agora diante do Werder Bremen – levaria o Colônia à co-liderança da tabela pela última vez na temporada, um dia depois do Hamburgo tropeçar empatando sem gols em casa com um ameaçado Bayer Leverkusen. Em meados de maio, o Bayern sairia de vez da briga após duas derrotas seguidas para Borussia Mönchengladbach e Werder Bremen. Faltando duas rodadas, o Colônia estava dois pontos atrás do Hamburgo (que se mantinha invicto praticamente desde a virada do turno). Em 22 de maio, ambos jogariam fora de casa.

O Colônia teria pela frente o Eintracht Braunschweig, dono de uma das melhores campanhas da liga em seus domínios. Os Bodes estiveram sempre atrás no placar, mas conseguiram arrancar um incrível empate em 4 a 4, com dois gols de Woodcock, um de Bonhof e outro de Littbarski. E ainda contaram com a sorte: no outro jogo, o Hamburgo teve destino inverso. Jogando em Düsseldorf, saíram atrás do Fortuna, mas viraram para 3 a 1 e, a 20 minutos do apito final, pareciam encaminhar uma vitória folgada que os daria o título antecipado. Mas os donos da casa reagiram e empataram em 3 a 3.

Era um respiro para o Colônia. Mas o título ainda dependia de um pacote considerável de milagres. Os Bodes receberiam o perigoso Kaiserslautern de Hans-Peter Briegel, líder do returno, empatado com o próprio Hamburgo. Enquanto isso, os hanseáticos, que não haviam perdido nenhuma vez em casa na temporada, jogariam no Volksparkstadion contra o Karlsruhe, que ocupava uma modesta 13º colocação, já não corria risco de rebaixamento e – além de tudo – vencera apenas uma partida como visitante.

Naquela tarde decisiva de 29 de maio de 1982, Klaus Allofs inaugurou o placar no Müngersdorfer, enchendo a torcida do Colônia de esperanças. Mas na meia hora de jogo o Kaiserslautern já virara para 2 a 1 e o Hamburgo abrira 3 a 0 diante do Karlsruhe. Os Bodes chegaram a reagir e empatar em 2 a 2 com Cullmann e depois em 3 a 3 com Strack. Mas os Lauterer ainda anotariam o quarto com Michael Dusek, pondo fim às pretensões de temporada gloriosa para a equipe de Rinus Michels. Apesar de permitir um empate surpreendente em 3 a 3 ao Karlsruhe, quem levantou a salva de prata foi mesmo o Hamburgo.

Curiosamente, os dois principais adversários do Colônia naquela reta final alcançariam finais europeias e seriam surpreendidos: o Bayern cairia diante do Aston Villa em Roterdã na decisão da Copa dos Campeões, enquanto o Hamburgo perderia a Copa da Uefa para os suecos do IFK Gotemburgo, chegando a ser derrotado por 3 a 0 em casa no jogo de ida. Os hanseáticos, por sua vez, se redimiriam no ano seguinte, levando o bi da Bundesliga e também a Copa dos Campeões, superando a poderosa Juventus.

Os anos seguintes

Ao fim da temporada, mesmo depois de perder o título, o Colônia manteria seu prestígio: seria o clube alemão com mais jogadores na Copa do Mundo da Espanha. Schumacher, Littbarski, Fischer e Engels figurariam entre os 22 da seleção alemã, enquanto Woodcock seguia intocável na Inglaterra. E poderiam ter sido mais: Klaus Allofs, por exemplo, foi estranhamente preterido por seu irmão mais novo, Thomas – que sequer havia estreado pela Nationalelf na época – na lista final de Jupp Derwall. Outros nomes, como Strack e Willmer, apareceriam na relação dos 40 pré-convocados, mas seriam excluídos da chamada final.

Para a temporada seguinte, o Colônia seguiria com Rinus Michels, mas perderia Tony Woodcock, que voltou à Inglaterra para defender o Arsenal. Terminaria a Bundesliga num bom quinto lugar, mas bem distante dos momentos de brilho da campanha anterior. No entanto, conseguiria levantar um troféu, a copa nacional, numa decisão histórica batendo o Fortuna Köln, o “primo pobre” da cidade, então disputando a segunda divisão. A vitória por 1 a 0, gol de Pierre Littbarski, deu aos Bodes seu último título até hoje.


Até o fim daquela década, o Colônia ainda chegaria outras vezes perto da salva de prata. Ficaria com o vice em 1989 e 1990 (perdendo ambos os títulos para o Bayern) com outro grande time, que trazia Steiner e Littbarski como remanescentes, acrescentando nomes como o goleiro Bodo Illgner, o zagueiro Jürgen Kohler, o meia Thomas Hässler, o atacante Thomas Allofs e os dinamarqueses Morten Olsen e Flemming Povlsen. Também naquele período, os Bodes obteriam dois bons terceiros lugares em 1985 e 1988 e um quarto lugar em sua última grande campanha, na temporada 1991/92. No cenário europeu, o destaque viria na Copa da Uefa: seriam finalistas em 1986 e semifinalistas em 1990.

Depois de campanhas discretas em meados da década de 90, o clube amargaria seu primeiro rebaixamento na história da Bundesliga em 1998. A partir daí, de potência se transformaria numa espécie de clube “ioiô”, com nada menos que cinco acessos e quatro descensos em pouco menos de 20 anos. Na temporada 2016/17, parecia voltar a respirar ao terminar a campanha na quinta colocação, garantindo seu retorno às copas europeias depois de 25 anos. Mas a saída do artilheiro francês Anthony Modeste levou o clube novamente ao buraco: na lanterna da liga por praticamente toda a atual temporada, dificilmente os Bodes escaparão do quinto rebaixamento – por ironia, o outro clube mais cotado à queda é o Hamburgo, com quem o time travou batalha épica por aquele título da Bundesliga de 1982.