Estabelecido há meia década como uma das principais forças entre os clubes menores da Premier League, o Crystal Palace vive o momento mais estável de sua história na elite inglesa, algo para o qual já havia sido cotado na virada dos anos 1970 para os 1980 e também na década seguinte. Há, porém, outro feito difícil de igualar: o excelente terceiro lugar no campeonato de 1990/91, que veio emendando uma ótima campanha na FA Cup na temporada anterior. Com uma equipe forte fisicamente, combativa e contando com uma arrasadora dupla de frente, as Águias ainda arremataram um caneco em Wembley, seu único na história, no mesmo período.

Um time para um palácio

Entre sua inauguração em 1854 e o incêndio que o destruiu em 1936, o Palácio de Cristal era um famoso centro de exposições na região sul de Londres. No fim do Século XIX, um campo de futebol anexo foi construído e passou a sediar a final da FA Cup em 1895. Havia, no entanto a necessidade de se criar um clube para utilizá-lo regularmente, atrair o público local e enraizar o jogo naquela área. Com esse objetivo, foi fundado em 1905 o Crystal Palace Football Club.

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Após passar quase 15 anos nas ligas locais, o clube foi um dos mais de 20 admitidos na Football League quando da criação da terceira divisão nacional em 1920, no marco do retorno dos jogos após o fim da Primeira Guerra Mundial. O time conseguiu o acesso à segunda logo em sua temporada de estreia, caindo de volta em 1925. Por essa época, o clube já havia deixado seu campo original e se transferido para seu atual estádio, em Selhurst Park.

O Palace permaneceria na terceirona por nada menos que 33 anos, até a nova reconfiguração da liga que daria origem à quarta divisão, em 1958. Relegado à nova categoria mais baixa da Football League, começou a empreender uma ascensão que o levou de novo à terceira em 1961 (sob o comando do lendário Arthur Rowe), à segunda em 1964 (treinado por Dick Graham) e enfim, pela primeira vez, à divisão de elite em 1969, agora dirigido por Bertie Head, que permaneceria no cargo entre abril de 1966 e março de 1973.

A primeira experiência do Palace na elite terminaria naquela temporada 1972/73. Quando a queda foi decretada, Bertie Head já havia trocado o posto de técnico pelo de supervisor, com o time passando a ser comandado pelo folclórico Malcolm Allison, recém-saído do Manchester City. Embora levasse o clube da primeira para a terceira divisão em dois anos, Allison ficou mais lembrado pelos torcedores pela incrível campanha até às semifinais na FA Cup de 1976, deixando Leeds e Chelsea pelo caminho, no maior momento do clube no futebol inglês até ali.

Pouco depois dela, porém, Allison deixou o Selhurst Park e foi substituído por um de seus atletas, o experiente meia Terry Venables, que aliou as duas funções. De carreira feita fundamentalmente em Londres, jogando pelo Chelsea, Tottenham e Queens Park Rangers, Venables armou um bom time para o Palace, que retornaria à elite em 1979 como campeão da segundona e chegaria a liderar brevemente a primeira divisão em setembro daquele ano.

Aquela equipe promissora, na qual despontavam nomes como o lateral-esquerdo Kenny Sansom (que viria a se tornar o dono da posição no Arsenal e na Inglaterra por quase uma década) e o ponteiro Vince Hilaire (que esteve perto de ser o primeiro jogador negro a defender a seleção), chegou a ser saudada pela imprensa como o “time dos anos 80”. Mas a expectativa não se concretizou: já em 1981, enfrentando dificuldades financeiras, o clube precisou rifar seus talentos e acabou rebaixado, passando quase toda a década na segunda divisão.

A Era Steve Coppell

Venables havia deixado o clube em outubro de 1980, e o Palace começaria a tatear entre campanhas fracas e trocas de treinadores até meados de 1984. Em junho daquele ano, o clube apontou Steve Coppell, de apenas 28 anos, para o comando da equipe. Ex-ponta-direita do Manchester United por quase uma década e titular da seleção inglesa no Mundial de 1982, Coppell havia se aposentado precocemente dos gramados em outubro do ano anterior ao não conseguir se recuperar de uma lesão no joelho. Tinha agora um novo desafio.

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Trazendo jogadores com pouco espaço em times da elite e observando até mesmo clubes da non-league, Coppell conseguiu aos poucos formar uma equipe competitiva: em 1987 e 1988 o Palace esteve bem perto dos playoffs de acesso. Em 1989, enfim, as Águias conseguiriam um terceiro lugar na fase regular da liga, derrubando em seguida o Swindon e o Blackburn – contra este, revertendo derrota por 3 a 1 fora de casa na ida com um 3 a 0 em Selhurst Park – na repescagem. No apagar das luzes dos anos 80, o Palace finalmente retornava à elite.

A campanha na liga em 1989/90 teve poucos destaques. O clube oscilou quase sempre na metade de baixo da tabela (embora não chegasse a sofrer seriamente com a ameaça de rebaixamento) e terminou na 15ª colocação. Os melhores resultados foram as vitórias sobre o Manchester United em Old Trafford e o Tottenham em White Hart Lane. A pior derrota, porém, é lembrada até hoje, especialmente pelo que se desenrolaria mais adiante na temporada: pela quinta rodada, em Anfield, a equipe foi massacrada pelo Liverpool por assustadores 9 a 0.

A surra soou o alarme e fez o técnico Steve Coppell se movimentar no mercado. Em novembro, o clube era o primeiro do futebol inglês a pagar um milhão de libras em um goleiro, ao contratar Nigel Martyn, do Bristol Rovers. No mês seguinte, também para reforçar a defesa, chegaria o zagueiro Andy Thorn, campeão da FA Cup com o Wimbledon em 1988 e que estava no Newcastle. Com eles, o Crystal Palace iniciaria em janeiro de 1990 a campanha a qual, essa sim, seria inesquecível e marcaria aquela temporada: a da FA Cup.

O primeiro grande momento: a FA Cup de 1990

O time estreou na terceira fase da competição batendo o Portsmouth em casa por 2 a 1, com um gol de pênalti do volante Andy Gray no fim do jogo. Em seguida goleou o Huddersfield (4 a 0) e bateu o Rochdale (1 a 0) também no Selhurst Park. Em março, viria o primeiro confronto como visitante, contra o Cambridge United, vencido com um gol do meia Geoff Thomas. O jogo marcou ainda o primeiro retorno do atacante Ian Wright, depois de fraturar a perna em janeiro. Dez dias depois, no entanto, ele se lesionaria outra vez, voltando apenas no fim da temporada.

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Wright ficaria de fora da partida pela semifinal do torneio, disputada no Villa Park em 8 de abril de 1990. Embora já tivesse repetido seu maior feito na história da competição, o Palace tinha uma motivação especial para o confronto: o adversário era o Liverpool, e as feridas da humilhante goleada sofrida em setembro, no início da temporada, ainda estavam abertas. Mesmo assim, os Reds que saíram em vantagem para o intervalo: Ian Rush recebeu passe de Steve McMahon nas costas da defesa londrina e bateu cruzado para abrir o marcador.

Na segunda etapa, no entanto, o jogo ficaria elétrico: logo no primeiro minuto, o lateral-direito John Pemberton disparou em velocidade por aquele lado e cruzou para a área. Após duas chances bloqueadas, a bola chegou aos pés de Mark Bright, que encheu o pé para empatar. Aos 25, a primeira virada no placar: Andy Gray cobrou falta na área e a bola sobrou para o zagueiro Gary O’Reilly estufar as redes. Mas o Liverpool empataria novamente nove minutos depois, num balaço do meia Steve McMahon, após jogada ensaiada.

Pouco depois, aos 38, os Reds passariam à frente mais uma vez quando Pemberton derrubou Steve Staunton na área e John Barnes converteu o pênalti, tirando com dificuldade de Nigel Martyn. A classificação parecia encaminhada, já que o Palace agora supostamente não teria mais forças nem controle mental para reagir. Mas aos 43, quando a torcida do Liverpool já entoava a tradicional “You’ll Never Walk Alone”, uma bola alçada para a área do time foi mal rechaçada por duas vezes, até Andy Gray aparecer para tocar de cabeça e deixar tudo igual de novo.

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Sob uma atmosfera carregada de drama, o jogo foi para a prorrogação. E com nove minutos de tempo extra, viria o gol que decidiria a classificação: Andy Gray cobrou escanteio para o Palace, Thorn desviou de cabeça na primeira trave e a bola chegou ao meia Alan Pardew, que também usou a cabeça para vencer Bruce Grobbelaar e dar a vaga ao time do sul de Londres. Nos minutos finais, Nigel Martyn ainda fez milagre em uma cabeçada de John Barnes para garantir a vitória, a passagem para Wembley e a tão aguardada revanche contra os Reds.

Na final, os londrinos teriam outro peso pesado pela frente: o Manchester United. Treinados há quase quatro anos pelo escocês Alex Ferguson, os Red Devils viviam um momento decisivo para seu futuro. Não levantavam uma taça desde 1985 e haviam feito uma temporada muito fraca na liga, terminando numa modesta 13ª colocação. Havia uma enorme pressão tanto sobre o elenco quanto principalmente sobre o comandante. A FA Cup era uma oportunidade de redenção boa demais para ser desperdiçada.

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Mas foi o Palace quem abriu o placar, numa cabeçada do zagueiro Gary O’Reilly após cobrança de falta lateral na área. O United empatou também de cabeça, com o capitão Bryan Robson, e virou na segunda etapa com o atacante Mark Hughes após uma bola mal afastada pela defesa londrina. Numa última cartada, Steve Coppell resolveu promover a entrada de Ian Wright, recém-recuperado de sua segunda fratura na perna da temporada, no lugar do meia Phil Barber.

Com três minutos em campo, Wright justificou sua entrada: recebeu passe de Mark Bright na esquerda, evitou o combate de Mike Phelan, deu um drible seco em Gary Pallister e tocou rasteiro vencendo Jim Leighton para empatar a partida. O jogo foi para a prorrogação, e nela novamente Wright brilharia, escorando cruzamento de John Salako logo aos dois minutos para colocar o Palace na frente. Mas Mark Hughes tornaria a empatar para o United a sete minutos do fim.

O final foi para um jogo desempate cinco dias depois, vencido pelo United por 1 a 0 com um gol do lateral Lee Martin no segundo tempo. A derrota encerrou o sonho do título e também da vaga europeia, já que para a temporada seguinte a Uefa começaria a readmitir clubes ingleses em seus torneios, levantando o banimento pós-Heysel. Mas a campanha havia mostrado às Águias que era possível encarar os gigantes de igual para igual.

A melhor campanha na liga

Para a temporada seguinte, o Palace enxugou um pouco o elenco, trazendo de início apenas dois reforços e dando vez a alguns nomes que já estavam no clube, firmando-os entre os titulares. O time ficou mais coeso, com a escalação básica mais definida. Nigel Martyn era o dono absoluto da camisa 1, com o recém-chegado John Humphrey (trazido do Charlton) na lateral-direita e o prata-da-casa Richard Shaw pelo lado esquerdo. No centro da defesa, Eric Young, outro reforço, voltava a formar com Andy Thorn a dupla que havia feito história ao levantar a FA Cup de 1988 com o Wimbledon, superando um badalado Liverpool.

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No meio-campo, a operária e incansável dupla da faixa central, Geoff Thomas e Andy Gray, era um símbolo daquela equipe de Steve Coppell: garimpados, respectivamente, na quarta divisão e na non-league, ambos chegariam mais tarde à seleção inglesa. Pelo lado direito, o irlandês Eddie McGoldrick se firmava, relegando os antigos titulares Alan Pardew e Phil Barber à composição de elenco. Já na esquerda, despontava o veloz e habilidoso John Salako, nascido na Nigéria, criado na Inglaterra, revelado pelo clube e outro a ganhar chance no English Team em breve.

Na frente, uma dupla letal que jogava junta no clube desde o fim de 1986. Mark Bright, atacante inteligente e goleador trazido do Leicester, atuava ao lado do veloz Ian Wright, também de faro de gol impressionante, assim como sua trajetória: atuava em equipes semi-profissionais até ser contratado pelo Palace a poucos meses de completar 22 anos. Juntos, já somavam 164 gols pelo clube (88 de Wright, 76 de Bright), sendo fundamentais no acesso e na permanência na elite.

A temporada 1990/91 foi aberta com um empate em 1 a 1 na visita ao Luton, gol do estreante Eric Young. Em seguida, o time enfileiraria três vitórias, batendo o Chelsea (2 a 1), o Sheffield United (1 a 0) e impondo um categórico 3 a 0 ao Norwich em Carrow Road. Ao fim de outubro, após uma cardíaca vitória por 4 a 3 sobre o Wimbledon, a equipe ocupava a terceira posição, na cola dos ponteiros Arsenal e Liverpool, e ainda invicta com cinco vitórias e cinco empates.

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Em meio à boa largada, o Palace ainda teve uma ótima atuação pela Copa da Liga, ao atropelar por 8 a 0 o Southend, da terceira divisão, num jogo em que Ian Wright e Mark Bright anotaram um hat-trick cada. Na liga, o primeiro revés viria no começo de novembro, na visita a Old Trafford, quando o Manchester United voltou a ser lembrança amarga e saiu vencedor por 2 a 0. Um empate sem gols com o Arsenal em casa, no entanto, prenunciaria uma ótima sequência até o fim do ano: foram sete vitórias em oito jogos, com a dupla Wright-Bright em estado de graça.

As duas primeiras vitórias vieram fora de casa: Ian Wright marcou duas vezes nos 2 a 1 sobre o Queens Park Rangers em Loftus Road e nos 3 a 2 diante do Southampton em The Dell, com Mark Bright anotando o terceiro. Bright também abriria o caminho para o triunfo por 2 a 1 contra o Coventry em casa. A derrota para o Chelsea em Stamford Bridge, em seguida, seria o único tropeço. No restante dos jogos em 1990, o time bateria Luton (1 a 0, gol de Bright), Manchester City (2 a 0 em Maine Road, com um gol contra e outro de Ian Wright), Sunderland (2 a 1, com Salako e Bright marcando) e, por fim, Liverpool (1 a 0, gol de Bright).

Surpreendentemente, o time do sul de Londres vinha conseguindo se manter na perseguição aos líderes, firme na terceira posição e já se desgarrando dos demais: tinha apenas três pontos a menos em relação ao Liverpool, que ocupava o topo da tabela, mas nove a mais que o Tottenham, quinto colocado. A grande prova de fogo, como sempre acontece na liga inglesa, seria o início do ano seguinte, quando o inverno e a concomitância dos jogos de copas costumam ser decisivos para minar as chances de equipes de elenco menos profundo.

Nos dois primeiros meses de 1991, o Crystal Palace até conseguiu duas boas vitórias, batendo fora de casa o Sheffield United e o Nottingham Forest. Mas uma derrota para um cambaleante Aston Villa logo no primeiro dia do ano, a primeira queda em casa (3 a 1 para o Norwich) e uma goleada sofrida para o Arsenal em Highbury (4 a 0) começaram a desviar a equipe de Steve Coppell da briga pelo título. E uma nova derrota no começo de março para o Coventry deixava a equipe a cinco pontos da dupla da liderança, mas com dois jogos feitos a mais.

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O time ainda conseguiu emplacar uma reação e vencer três jogos seguidos: bateu Southampton, Derby e Leeds (este, em Elland Road), todos por 2 a 1, o que ajudou a firmar o pé na terceira colocação. Duas derrotas também em sequência – para o Sunderland em 30 de março e para o Manchester City em casa, dois dias depois – distanciaram ainda mais o Palace do sonho do título. Menos mal que, uma semana depois, o mês de abril ainda traria um caneco.

A equipe já havia caído na Copa da Liga (para o Southampton) e na FA Cup (para o Nottingham Forest), mas ainda restava a Full Members’ Cup (ou Zenith Data Systems Cup, como se chamou então), torneio mata-mata entre os clubes das duas primeiras divisões da liga criado pela Football Association como um paliativo pelo afastamento dos times ingleses das copas europeias pela Uefa. O Palace despachou de virada o Bristol Rovers e em seguida eliminou o rival Brighton fora de casa por 2 a 0 na prorrogação com gols da dupla Wright-Bright.

Na etapa seguinte, bateu seu primeiro adversário da elite, o Luton: 3 a 1 e dois gols de Ian Wright. Nas semifinais, foi a vez de derrubar o Norwich em jogos de ida e volta – 1 a 1 em Carrow Road e 2 a 0 no Selhurst Park, de novo com gols de Wright e Bright. Na decisão em Wembley, o adversário seria o Everton, então em nono lugar na liga. Diante de mais de 50 mil torcedores, o Palace saiu na frente na segunda etapa com Geoff Thomas de cabeça após escanteio, mas os Toffees empataram três minutos depois, numa bela jogada do ponteiro polonês Robert Warzycha.

A decisão foi para a prorrogação e logo começou a ser definida para o lado dos londrinos. Aos 11 minutos, Ian Wright aproveitou um chutão do goleiro Nigel Martyn para colocar o Palace de novo na frente. E na segunda etapa do tempo extra, um gol de cabeça de John Salako e outro de Ian Wright desviando um lançamento fecharam o placar em incontestáveis 4 a 1 em favor das Águias. Coube ao capitão Geoff Thomas realizar o sonho dos torcedores de ver enfim o clube levantar um troféu no maior palco do futebol britânico.

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De volta à liga, o clube teria três jogos seguidos em casa para tentar se reaproximar dos ponteiros de olho na única vaga estipulada para o país na Copa da Uefa de 1991/92, a do vice-campeão. E embora não sofresse gol em nenhuma das três partidas, pararia em empates sem abertura de contagem contra Aston Villa e Everton, vencendo apenas o Tottenham com um gol de Eric Young. Sem ter mais como alcançar o líder e quase campeão Arsenal, o Palace jogaria sua última chance matemática de ainda ultrapassar o Liverpool num confronto direto em Anfield.

Porém, os Reds ainda perseguiam os Gunners e entraram dispostos a fazer valer seu mando de campo. O Palace não fez má partida, mas acabou sucumbindo pelo placar de 3 a 0, tendo agora a missão de conservar a ótima terceira posição numa temporada que já era histórica de qualquer maneira para o clube. E a resposta foi enfática. No penúltimo jogo, diante do Wimbledon em Plough Lane, um hat-trick de Ian Wright – com direito a um golaço, o segundo, de cobertura da intermediária – garantiu a vitória também por 3 a 0.

E no último, em casa, mesmo diante de um Manchester United já de olho na decisão da Recopa contra o Barcelona, o Palace teve atuação consistente e venceu por 3 a 0, com um gol de Ian Wright (seu 15º na liga e 25º na temporada) e dois de John Salako. O terceiro lugar, disparado a melhor colocação da história do clube na liga até hoje, foi um excelente desfecho para uma temporada na qual o clube era o segundo mais cotado ao rebaixamento antes da bola rolar.

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As expectativas eram boas para a temporada 1991/92, mas a venda de Ian Wright para o Arsenal pela cifra recorde de 2,5 milhões de libras em setembro de 1991 foi um grande abalo, do qual o clube não se recuperou. Ainda conseguiu terminar um aceitável 10º lugar naquele ano, mas com as novas vendas de Mark Bright (Sheffield Wednesday) e Andy Gray (Tottenham), acabou rebaixado em 1992/93 – mesmo somando a maior pontuação de um clube que caiu na história da Premier League – e Steve Coppell pediu demissão.

Embora desde a segunda metade da temporada 1990/91, o elenco já viesse recebendo bons jogadores jovens, tanto da base (o defensor Gareth Southgate) quanto de clubes amadores (o atacante Stan Collymore), a debandada continuou, e o Palace virou um clube ioiô entre as duas divisões principais pelo restante da década. Somente a partir do acesso conquistado em 2013 é que o clube enfim conseguiu estabilidade na elite, com o bônus de ter chegado novamente a uma final da FA Cup em 2016 – na qual foi novamente batido pelo Manchester United.

Quinzenalmente, o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.