José Mourinho sempre alimentou uma relação próxima com Alex Ferguson. As declarações do português considerando o escocês como referência eram frequentes, da mesma forma como eram famosos os encontros entre os dois técnicos após as partidas entre Manchester United e Chelsea. Ferguson, no entanto, também teria sido o responsável pela maior decepção da carreira de Mourinho: a escolha de David Moyes como seu sucessor em Old Trafford, motivo pelo qual até chorou.

A história é contada por Diego Torres, do jornal El País. Setorista do Real Madrid, o espanhol era um dos jornalistas mais famosos pelos conflitos com Mourinho. Ainda assim, resolveu escrever o livro “Preparem-se para perder”, sobre as três temporadas do técnico à frente dos merengues. Por mais que o ranço entre Torres e Mourinho exista, o jornalista possui uma excelente reputação profissional, suficiente para sua publicação merecer créditos.

Segundo o livro, Mourinho chorou ao saber da nomeação do novo técnico do United. O português confiava em sua amizade com Ferguson, assim como na influência de Jorge Mendes, seu empresário, nos bastidores em Manchester. Porém, nada disso valeu na escolha feita dos Red Devils. Guardiola era a primeira opção, Moyes a segunda. David Gill, executivo do clube inglês, teria afirmado que o problema de Mou é quando as coisas não vão bem: “Ele não faz a política do clube, mas a de José”.

“A notícia de que Sir Alex Ferguson havia nomeado a David Moyes como seu sucessor no cargo de técnico do Manchester United provocou um terremoto. O United, o clube mais valorizado do planeta, era o equivalente à grande coroa imperial do marketing futebolístico, e seu posto de técnico, ocupado durante 28 anos por um magnífico patriarca, teria conotações míticas”, escreveu Diego Torres, no primeiro capítulo do livro, intitulado “Llorar”.

“Mourinho, alentado por seu abnegado agente, acreditou que Ferguson era, mais que um aliado, seu amigo e padrinho. Convenceu-se que eram unidos por uma relação de genuína confiança. Pensou que sua fabulosa coleção de títulos, suas duas Ligas dos Campeões, suas sete ligas nacionais e suas quatro copas em quatro países distintos, constituíam um aval inacessível a todos os demais pretendentes. Quando soube que Ferguson havia eleito Moyes, o técnico do Everton, o assaltou uma espantosa incredulidade. Moyes não havia ganhado absolutamente nada!”, complementa Torres, em outro trecho da publicação.

A partir de então, a relação deteriorada com os jogadores do Real Madrid só teria piorado. E não restaria outra opção a Mourinho a não ser aceitar a proposta de Roman Abramovich para voltar ao Chelsea. Além disso, o português teria redesenhado sua relação com Ferguson, tentando passar a impressão de que já sabia da escolha de Moyes e que, em momento algum, foi preterido pelo Manchester United.

Entre a história oficial e os bastidores contados por Diego Torres, há um abismo. Como certamente Mourinho ou qualquer outro personagem envolvido não virá a público, o livro sempre servirá como relato alternativo – e com boas chances de ser realmente verdadeiro – sobre o desejo do treinador. Uma realidade que o separa entre a rivalidade a inveja dos Red Devils.

Para ler o capítulo completo do livro, disponibilizado pelo El País, clique aqui.