Até parecia um jogo tranquilo ao Liverpool, mais do que as prévias poderiam indicar. Os Reds fizeram um primeiro tempo eficiente contra o Leicester em pleno Estádio King Power e logo abriram vantagem na quarta rodada da Premier League. No entanto, o segundo tempo saiu muito mais difícil que a encomenda. E com Alisson sendo responsável por isso. O goleiro merece os elogios por suas primeiras atuações pelo clube, garantindo os 100% de aproveitamento no campeonato. Em compensação, sua lambança custou o primeiro gol sofrido pela defesa na atual campanha e poderia ter rendido o primeiro tropeço. O final não terminou tão trágico, mas ficou o aviso no triunfo por 2 a 1 dos visitantes.

O início do jogo mostrou um Liverpool disposto. A equipe de Jürgen Klopp ia criando oportunidades de gol e colocando o Leicester contra a parede, disposta a resolver o jogo logo. Com seu trio de ataque inspirado, o primeiro gol saiu aos dez minutos. Em boa jogada pela esquerda, Andrew Robertson avançou e tocou para Sadio Mané guardar. Os visitantes relaxaram e as Raposas equilibraram um pouco mais o jogo depois dos 20 minutos, levando perigo. Já pouco antes do intervalo, depois de grande defesa de Kasper Schmeichel em tiro de Mohamed Salah, coube a Roberto Firmino ampliar. Após cobrança de escanteio de James Milner e deu mais tranquilidade aos visitantes. Algo fundamental na sequência do duelo.

Afinal, o Leicester voltou com outra postura para o segundo tempo. Era um time bem mais intenso e disposto a mudar os rumos da partida. As chances iam aparecendo aos montes, com a defesa do Liverpool se safando. De qualquer forma, o risco que concretizou o tento das Raposas, aos 18 minutos, foi desnecessário. Em uma bola recuada, em vez de preferir o chutão, Alisson tentou driblar Kelechi Iheanacho. Perdeu a bola. O nigeriano rolou para Rachid Ghezzal, que não perdoou a trapalhada, com a meta escancarada. Klopp evidenciou o descontentamento à beira do campo. Ao menos, o gol serviu para esfriar o jogo. O Liverpool concedeu menos espaços, com os anfitriões diminuindo seu ritmo. Se os Reds não foram tão ofensivo quanto na primeira etapa, ao menos criaram as melhores chances para ampliar até o apito final.

Os três pontos vieram, ainda assim. O Liverpool se mantém no topo da tabela da Premier League, com quatro vitórias em quatro compromissos, algo que não acontecia desde 1990/91. Vai para a Data Fifa com enorme confiança. Será importante manter tal folga, considerando que as próximas rodadas não são nada afáveis, guardando na sequência duelos com Tottenham, Southampton, Chelsea e Manchester City – além do duelo com os Blues na Copa da Liga, bem como as duas primeiras rodadas da Champions, diante de Paris Saint-Germain e Napoli. Já a lua de mel com Alisson tem a sua pausa. Sem dúvidas, o goleiro tem ido bem neste início na Inglaterra e o jogo com os pés é um de seus fortes. O excesso de confiança pode atrapalhar. Seus dribles podem viralizar na internet, mas não tem necessidade alguma e, quando mal executados, trazem custos enormes.

Por outro lado, vale prestar atenção no que este Leicester pode fazer na Premier League. A equipe soma seis pontos em quatro rodadas, mas botou pressão em Manchester United e Liverpool durante as duas derrotas. Não fosse o primeiro tempo em rotação baixa em ambas as partidas, os resultados até poderiam ser melhores. Considerando o mercado intenso das Raposas mesmo depois da venda de Riyad Mahrez ao Manchester City, é possível esperar uma campanha mais regular que nas últimas duas temporadas. Não tanto para sonhar com o título novamente, mas com capacidade para diminuir as distâncias em relação ao que ocorre na parte de cima da tabela.