A marcante campanha do Botafogo na Libertadores de 2017 ajudou a brotar um sentimento diferente no peito de sua torcida. Os alvinegros fizeram um pacto com o time naquelas noites insanas no Estádio Nílton Santos, avançando no torneio desde as preliminares e derrubando gigantes continentais. Ficou um certo orgulho, e os botafoguenses estavam dispostos a recobrar as sensações nesta quinta-feira, pela Copa Sul-Americana. A derrota para o Nacional em Assunção serviu para convocar os torcedores a esgotarem os ingressos e encherem as arquibancadas, tentando levantar a equipe. E os jogadores corresponderam. Em uma partida muito intensa, de chances de gol e emoções, o Botafogo cumpriu sua missão. Reverteu o placar da ida e bateu os paraguaios por 2 a 0, avançando às oitavas de final. Promessa de mais noites da simbiose alvinegra no Rio de Janeiro.

Antes que a bola rolasse no Estádio Nilton Santos, a torcida do Botafogo fez um enorme mosaico. “Queremos o Bi”, era o pedido, em alusão ao título da Copa Conmebol de 1993. Os alvinegros tinham clara qual era a sua missão, após a derrota, por 2 a 1, e começaram buscando o ataque. Em meio à pressão, Rodrigo Lindoso balançou as redes aos 19 minutos, mas o impedimento acabou assinalado. E diante das várias chances criadas, o tento dos cariocas parecia uma mera questão de tempo. Aconteceu aos 37. Após cobrança de falta de Leo Valencia, Lindoso apareceu em condição legal e desviou de cabeça, desta vez sem que ninguém o impedisse. Incendiou ainda mais a atmosfera explosiva nas arquibancadas. Era um verdadeiro caldeirão.

O resultado já dava a classificação ao Botafogo. Ainda assim, a equipe continuou pressionando, tentando matar a partida. Foram várias e várias chances de marcar, com o Nacional se safando. O goleiro Rojas surgia como herói, fazendo milagre para espalmar cabeçada de Carli. Leo Valencia carimbou a trave, pouco antes de Aguirre parar no poste de novo. E que não fosse a partida com melhor nível técnico, o empenho garantia a intensidade. Rojas colecionaria grandes defesas, enquanto os marcadores paraguaios também realizavam cortes providenciais. Contudo, aos 25 minutos, os visitantes deram um aviso de que nem tudo estava ganho. O arremate de Vieyra passou muito próximo à meta de Saulo e assustou os botafoguenses.

Na base da insistência, Carli ainda perderia uma oportunidade incrível dentro da área, isolando uma finalização mesmo com liberdade. A emoção perduraria até os 43 do segundo tempo, quando Leo Valencia ratificou a classificação do Botafogo. Um golaço do camisa 10. Ele recebeu na intermediária, ajeitou o corpo e arriscou de longe, acertando um chute felicíssimo, fora do alcance de Rojas. A merecida apoteose à torcida que tanto empurrou a equipe ao longo dos 90 minutos.

O Botafogo mostrou nesta quinta que o espírito de luta visto na Libertadores de 2017 não depende de um técnico, e sim da mentalidade dos jogadores. Zé Ricardo comemorou sua primeira vitória à frente do time. E a Sul-Americana se torna realmente o grande objetivo do clube neste semestre. Com a situação no Brasileiro pedindo mais o alerta pela manutenção tranquila na elite, depois das seguidas trocas de técnicos, dá para sonhar um pouco mais na competição continental. A paixão sul-americana se injetou nas veias dos alvinegros e o gosto pelo torneio deverá continuar lotando o Nilton Santos. Nas oitavas, um desafio nacional contra o Bahia. Mas que não perde de vista essa vontade de continuar expandindo as fronteiras botafoguenses.