A seleção inglesa passou cerca de três anos sem se preocupar com o goleiro titular. Um alívio para um time que teve Paul Robinson, Scott Carson, David “Calamity” James e outros contestáveis nos últimos anos. A lua de mel com a camisa 1, no entanto, terminou, porque Joe Hart não é mais tão confiável.

Na última quarta-feira, ele errou em dois gols do Bayern de Munique. Os chutes de Franck Ribéry e Arjen Robben vieram na trave que ele estava protegendo e entraram. E não foi nem a primeira falha do goleiro do Manchester City, que também foi responsabilizado pela derrota para o Cardiff City e por um gol de James Morrison em amistoso contra a Escócia, em agosto.

A mídia inglesa não precisa de motivo para fazer estardalhaço, então imagina quando um assistente de Roy Hodgson critica o goleiro titular, como fez Gary Neville na transmissão da Sky Sports, da qual é comentarista. “Ele precisa fazer melhor. (A bola) Passa pelas suas mãos”, disse depois do primeiro gol, de Ribéry. “De novo, na trave dele. É a segunda vez que ele é vencido ali”, acrescentou, ao ver Robben acertar um chute de perna direita.

Hodgson foi rápido. Nesta quinta-feira, disse que nunca se sentiu decepcionado com Hart e que não planeja mudar o titular. Será que não deveria? Fraser Forster parou o Barcelona na última temporada da Liga dos Campeões e mais uma vez impressionou contra os catalães, na terça-feira passada. Robert Green, veterano de 33 anos, colocou o brasileiro Júlio César no banco no Queens Park Rangers e pode ser uma opção. A imprensa britânica também fala em Ben Foster, do West Brom, Jack Butland, do Barnsley, e John Ruddy, do Norwich.

O técnico prefere dar moral para o seu goleiro. Sabe que precisa dele para os jogos contra Montenegro, em 11 de outubro, e Polônia, quatro dias depois, que vão definir a classificação da seleção inglesa para a Copa do Mundo de 2014. Na Eliminatória para a Eurocopa de 2008, o goleiro era Paul Robinson, mas Steve McLaren decidiu trocá-lo por Scott Carson na partida decisiva contra a Croácia. Ele falhou, e a Inglaterra não conseguiu vaga.

Os dois jogos serão em Wembley, aos olhos da torcida, e o único ponto que dá vantagem aos campeões mundiais de 1966 não é suficiente para correr riscos. Por enquanto, Hodgson vai com o diabo que ele conhece, mas depois não faria mal conhecer mais alguns.