O Cruzeiro x Santos mais recente pela Copa do Brasil está fresco na memória. Em 2014, os dois clubes se enfrentaram na semifinal da competição. Willian definiu a vitória cruzeirense no Mineirão por 1 a 0, com um belíssimo chute cruzado. Já no reencontro dentro da Vila Belmiro, sob forte chuva, o movimentado empate por 3 a 3 que botou a Raposa na decisão. Em 2000, porém, aconteceu outro jogo emblemático entre os clubes na semifinal da competição nacional. Outra vez, melhor para os mineiros, que eliminaram os santistas e terminaram com a taça.

Aquela edição da Copa do Brasil teve bons confrontos entre os grandes, com os participantes da Libertadores entrando a partir das oitavas, em formato que lembra o atual – aquela temporada, afinal, marcou a ampliação no número de equipes no torneio continental. O Cruzeiro, após eliminar Gama, Paraná e Caxias, pegou o Atlético Paranaense e despachou uma equipe cascuda do Furacão. Depois, ganhou também do Botafogo, até chegar às semifinais. Já o Santos, que passou por Serra, Coritiba e Juventude, ficou marcado pela maneira como atropelou o Flamengo nas quartas de final. Apesar dos jogadores renomados entre os rubro-negros, o Peixe enfiou 8 a 2 no placar agregado e vinha com moral para encarar a Raposa.

O Cruzeiro treinado por Marco Aurélio tratou de fazer o serviço desde o primeiro jogo, no Mineirão. O primeiro gol saiu a partir de uma cobrança de pênalti convertida pelo garoto Geovanni, que já havia carimbado a trave pouco antes. Já no segundo tempo, a surpresa veio com Donizete Oliveira. O volante vinha sendo vaiado pela torcida e resolveu responder aos críticos com um chutaço de longe, que o experiente Carlos Germano aceitou. Do outro lado, o protagonista da noite fechou a meta azul: o goleiro André, que vivia anos iluminados e conteve o bombardeio do Peixe, que possuía nomes como Dodô, Valdo e Robert em sua linha de frente. O triunfo por 2 a 0 dava uma belíssima vantagem aos mineiros.

Eram anos em que o Santos convivia com um longo jejum de títulos de primeira grandeza, embora viesse de conquistas recentes no Torneio Rio-São Paulo e na Copa Conmebol. A Copa do Brasil, entretanto, escaparia das mãos dos alvinegros. Três dias depois, na Vila Belmiro, Ricardinho apareceu. O meio-campista voltava de suspensão e mostrou como era vital àquela engrenagem celeste, acertando um belo chute para botar o Cruzeiro em vantagem. A partir de um pênalti bem discutível, Rincón empatou antes do intervalo.

No início do segundo tempo, entretanto, Marcos Paulo deu um passe açucarado e Oséas deixou a Raposa mais próxima da decisão. O baiano chegava a dez gols naquela Copa do Brasil, estabelecendo o recorde do torneio até então – marca que seria derrubada um ano depois, por Washington, e hoje pertence aos 14 tentos de Fred em 2005. Por fim, aos 32 do segundo tempo, o tento de André Luis se tornou inútil, sem que os santistas tirassem a diferença necessária, com o empate por 2 a 2 prevalecendo até o final. Festa azul diante da irritada torcida da casa, que chegou a atingir o técnico Giba com um chinelo.

A decisão terminou de consagrar aquele Cruzeiro. Se não foi a equipe mais vitoriosa que a Raposa teve naquele início de século, também possuía muitos predicados, com jogadores como André, Cris, Sorín, Clébão, Ricardinho, Jackson, Oséas e Müller. A finalíssima contra o São Paulo, com Fábio Júnior deixando tudo igual no Mineirão aos 35 do segundo tempo e Geovanni anotando o gol do título já aos 45, marcou uma geração de cruzeirenses. Uma emoção insubstituível.