As últimas imagens de Juan Carlos Osorio na Copa do Mundo não foram as mais bonitas. O treinador colombiano encerrou a boa campanha com declarações de mau perdedor, após a eliminação para o Brasil. Mas é verdade que o mês na Rússia serviu para que ele ganhasse o reconhecimento da torcida mexicana, principalmente pela vitória sobre a Alemanha. O anúncio de que não renovaria seu contrato com El Tri, após três anos, já havia sido feito. O mistério era a respeito do seu destino.

Falou-se em Colômbia e Estados Unidos, e houve até especulação sobre o Santos, mas o próximo trabalho de Osorio será no Paraguai. O treinador foi confirmado pela federação local como o novo treinador do time nacional, o que promoverá um encontro de estilos diferentes que será bem interessante de acompanhar.

Osorio notoriamente gosta de equipes fluídas, que tratem bem a bola, modificando esquemas e escalações. Há o lado bom de constantemente surpreender os adversários e o ruim de às vezes errar a mão e deixar a sua equipe muito vulnerável – como naquela goleada para o Chile, na Copa América do Centenário, que motivou tantas críticas ao seu trabalho no México.

O Paraguai é um pouco a antítese disso. Tem há tempos uma equipe rígida, mais defensiva. Se Osorio usou 48 formações diferentes em seus primeiros 48 jogos pelo México, o Paraguai escalou o mesmo esquema tático em dez das 18 partidas da campanha para tentar jogar o Mundial da Rússia, na qual teve o segundo pior ataque – nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2014, também apenas uma equipe marcou menos gols que os paraguaios.

O sucesso que obteve nas edições de 2011 e 2015 da Copa América teve base no forte sistema defensivo. Nessa primeira campanha, chegou à decisão com dois empates por a 0 a 0 no mata-mata e vitórias nos pênaltis. Na segunda, eliminou o Brasil a partir da marca do cal – e depois levou 6 a 1 da Argentina nas semifinais.

Entre os técnicos que o antecederam, de Tata Martino a Ramón Díaz, de Gerardo Pelusso a Francisco Arce, Osorio tem o estilo mais diferente e empolgante, e muita experiência em alto nível para chegar ao Paraguai com moral. Mas, até por ter menos material em mãos para trabalhar do que na seleção mexicana, terá que ser sábio para implementar suas filosofias com calma.