Ver Corinthians e Palmeiras em uma decisão é relembrar confusões costumeiras. Até pelo clima criado ao redor do jogo deste sábado e pela rivalidade acirrada nos últimos anos, seria natural acompanhar um confronto quente. Mas não tão quente. E com uma animosidade excessiva, com jogadores exaltados, com um árbitro permissivo. Se o primeiro duelo da decisão do Paulistão ficará na memória, será por toda a bagunça ao final do primeiro tempo e pelo excesso de cartões que atrapalharam o futebol – 12 no total, sendo dois vermelhos. Até houve uma partida, em jogo concentrado nos 45 minutos iniciais. Durante este período, melhor para o Palmeiras, que contou com um gol logo cedo e pôde encaixar os seus planos. Ao final, a vitória por 1 a 0 é valiosa, ótima para administrar a vantagem no reencontro da próxima semana, no Allianz Parque.

Não demorou um minuto para os jogadores se estranharem. Mas ao menos a bola conseguiu rolar um pouco mais redonda no primeiro tempo. E quem se deu bem nisso foi o Palmeiras. Dudu e Willian eram as duas principais armas ofensivas de Roger Machado, caindo pelas pontas, invertendo posições. Foram fundamentais na jogada do gol, aos seis minutos, anotado por Borja. De volta da seleção, o colombiano era dúvida. Não tinha rendido tão bem em sua última aparição, enquanto Keno se sobressaiu contra o Santos, deslocando o Bigode como falso 9. Mas centroavante tem uma tal de predestinação. Aquilo que acompanhou Borja, depois que a bola de Dudu bateu no travessão e Willian aproveitou o rebote, apenas rolando ao artilheiro.

Era a deixa para que o Palmeiras realizasse sua estratégia. Deixava a bola com o Corinthians e tentava bloquear o meio-campo, sem permitir que os alvinegros se aproximassem. Quando roubavam a pelota, partiam em velocidade, confiando no trabalho de Dudu e Willian. Deu certo. O nível de concentração dos alviverdes era excelente, sólidos na marcação. Os corintianos esperavam uma brecha e até encontraram algumas. Não acertaram o pé na finalização, com alguns tiros perigosos para fora e outros nas mãos seguras de Jaílson. De qualquer forma, não era só isso que faltava, com a equipe de Fábio Carille travada em suas ações ofensivas.

O Dérbi, sobretudo, era pegado. As primeiras faíscas foram aumentando à medida que o primeiro tempo avançava, com entradas fortes. E a bomba explodiu pouco antes do intervalo. Confusão desnecessária na lateral de campo, fruto do descontrole. Bate-boca, agarra-agarra, empurrões. Por fim, o árbitro Leonardo Bizzio Marinho, que não vinha sabendo muito bem administrar os jogadores, resolveu distribuir amarelos a Henrique e Borja (que iniciaram a briga), além de expulsar Clayson e Felipe Melo. Perdia o Corinthians sem seu homem de velocidade, perdia o Palmeiras sem o esteio do meio-campo. Perdeu o Dérbi, como um todo.

Na volta para o segundo tempo, Roger Machado resolveu recompor o meio com Moisés, sacando Borja. E mesmo que houvesse mais espaço, com menos jogadores, faltavam ideias. O Corinthians tinha mais a bola e Fábio Carille tentou dar novo vigor ao ataque, com as entradas de Pedrinho, Romero e Danilo. Preponderou o trabalho defensivo alviverde, também pela boa incursão de Diogo Barbosa. No mais, as emoções permaneceram escassas e pipocaram outros focos de tensão. Os alvinegros demonstraram as mesmas limitações vistas contra o São Paulo, e ainda com mais dificuldades para arrematar, vendo seus jogadores bloqueados pelas linhas de marcação adversária. Nada que ameaçasse Jaílson.

A situação é bem mais favorável ao Palmeiras. Sai em vantagem e leva a decisão para a sua casa. Mais do que isso, os alviverdes parecem mais prontos como time neste momento da temporada, até por contarem com um elenco com mais opções e não sofrerem tanto com desfalques como os rivais. Ao Corinthians, há a tranquilidade de não ter um compromisso sério no meio da semana, como acontecerá com os palmeirenses pela Libertadores. De qualquer maneira, a decisão do Paulistão ainda está aberta. E a expectativa é de outro Dérbi brigado. Mas, tomara, um pouco mais na bola, não tanto além disso.