Stanislav Cherchesov protagonizou um milagre com a seleção russa na Copa do Mundo. Entre as péssimas expectativas que haviam ao redor dos anfitriões e o resultado que o time alcançou, rumo às quartas de final, houve uma superação inegável. O reconhecimento ao comandante aconteceu de diferentes maneiras. Primeiro, pela linha direta que manteve com o presidente Vladimir Putin. Depois, ao ser ovacionado por dezenas de milhares de compatriotas na Fan Fest em Moscou. Nesta semana, recebeu a indicação da Fifa ao prêmio de melhor treinador do ano. Já nesta sexta, garantiu que seguirá à frente da Rússia. A federação anunciou a renovação do contrato até 2022, pensando no próximo ciclo mundialista.

Cherchesov demorou a encontrar um caminho com a seleção, mas acertou a mão a partir da Copa do Mundo. Montou um time com características claras, de jogo direto no ataque e bastante firme na marcação. Além disso, soube se adaptar às ocasiões durante o Mundial, mudando a forma de atuar conforme as partidas. Assim, conseguiu deixar a Espanha pelo caminho. E o comandante também extraiu o melhor de vários jogadores, contando com uma base jovem para seguir buscando seus objetivos.

“Estou feliz em continuar trabalhando com a Rússia. Nós elevamos bastante o sarrafo em termos de resultados, mas tentaremos manter isso lá em cima. Eu entendo a responsabilidade e continuarei a trabalhar com dignidade”, comentou Cherchesov, após a confirmação. Goleiro da Rússia nas Copas de 1994 e 2002, o veterano possui uma carreira modesta como treinador. Rodou por diferentes clubes do país, com destaque maior às passagens por Spartak Moscou e Terek Grozny. Já em 2015/16, conquistou o Campeonato Polonês com o Legia Varsóvia, o que o referendou para assumir a seleção após a fraca campanha na Euro. E que seu aproveitamento com a equipe nacional seja ruim, com apenas sete vitórias em 25 partidas, os resultados vieram no momento certo.

Pouco antes nesta semana, em entrevista ao site da Fifa, Cherchesov avaliou a participação na Copa do Mundo: “Por dois anos, estávamos nos preparando para este objetivo e houve um processo muito competitivo no elenco. Fomos perseguidos por lesões, que acontecem com muitos times. Tentamos resolver todos os problemas e nos concentrar nos jogadores que tínhamos, bem como nos adversários que encararíamos. Antes da Copa, tivemos um ótimo período treinando em Tirol. Percebemos que precisávamos não apenas vencer o jogo de abertura, mas convencer os torcedores, para que começassem a acreditar no time. A febre por futebol decolou depois disso. Todo o país estava esperando pela Copa do Mundo, mas o time e os torcedores permaneceram unidos a partir do primeiro jogo”.

Segundo o comandante, os resultados ruins na preparação ajudaram a talhar a seleção russa: “Jogamos contra a França em março e vimos como eles eram bons. Fomos criticados por nossos resultados na preparação contra Argentina, Espanha, Brasil e França, mas essas partidas nos deram muito a analisar e nos ajudaram rumo à Copa do Mundo. Voltaremos à França novamente e penso que a experiência que construímos nos ajudará a jogar bem. Mas não há ‘se’ ou ‘mas’ no esporte. A França é a campeã mundial e parabenizo meu colega Didier Deschamps. Fiquei surpreso na maneira como as estrelas deles botaram o coletivo em primeiro lugar”.

Questionado sobre qual a melhor apresentação da Rússia na Copa, o comandante respondeu: “Em um nível emocional, a Espanha, logicamente. Mas em termos de atuação, provavelmente o melhor jogo foi contra o Egito. Nós sabíamos perfeitamente o que tínhamos que fazer e conquistamos a vitória que valeu a classificação às oitavas de final. Como treinador, da mesma forma que qualquer pai, eu não deveria escolher os favoritos entre os próprios filhos. Todas as cinco partidas satisfizeram de sua própria maneira e alimentaram as ideias”.

Sobre as exibições individuais, Cherchesov falou sobre os seus destaques: “Temos jogadores muito talentosos. Alguns deles têm suas próprias marcas registradas, por assim dizer. Golovin é especialista em cobranças de falta e tem um ótimo chute de longa distância; Cheryshev possui um pé esquerdo maravilhoso; e todos nós sabemos do que Artem Dzyuba é capaz. Os rapazes estavam focados e bem preparados. Nossos jogadores receberam elogios além dos belos gols, tanto que alguns dos melhores clubes da Europa se interessaram por eles. É claro que isso nos agrada”.

Por fim, o técnico avaliou o futuro da seleção: “Tudo segue em frente e muda. Alguns jogadores se aposentaram da seleção. Houve muita emoção, os torcedores ficaram encantados, mas precisamos avaliar calmamente como fizemos. Temos que analisar nossas atuações e dar os próximos passos. Eu acredito que o time pode ir mais longe na Copa de 2022. Os jogadores e os treinadores vêm e vão, mas a seleção permanece. Independentemente de quem estiver na escalação, temos que acreditar e apoiar”.